Técnica inovadora e muito treino faz da China a melhor no tênis de mesa

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Zhang Jike, atual campeão olímpico, treina oito horas por dia desde os 5 anos de idade. São 192.720 horas ouvindo um mesmo barulho.

“É nosso esporte nacional, temos o time mais forte e a nossa missão é defender a tradição e os valores do tênis de mesa da China. Além de levar para o resto do mundo um pouco da nossa cultura”, disse Zhang Jike.

O movimento, em câmera lenta, revela a técnica. A velocidade do movimento, a força.

“Na China, tênis de mesa chama ping pong mesmo, né? Chinês fala ping-pong-djô. É pelo barulho da bolinha mesmo”, explicou Gui Lin.

Ping pong, o som da ida e volta, do vai e vem. O som do equilíbrio.

“Na cultura chinesa acreditamos na busca pelo equilíbrio. O equilíbrio está em todo lugar. Se eu sinto que sou mais forte que meu adversário, diminuo o ritmo. Ele acerta alguns lances e fica feliz. E assim, equilibro a minha vontade de ganhar com a alegria dele de poder jogar comigo”, falou Wang Ying.

Ao caminhar de casa até um parque em Pequim, Wang Ying, 70 anos, tem certeza de que vai encontrar companhia. Seja ao ar livre, como diversão para os mais velhos, em uma escola secundária, ou em um ginásio lotado, torcendo por mais títulos no Campeonato Mundial.

A sensação é de que todo mundo por lá já nasce jogando. E todo mundo, na China, é muita gente: 1,3 bilhão de habitantes pelo último censo, de 2011.

A estimativa é de que haja dez milhões de praticantes regulares. Número que pode ser bem maior, já que o tênis de mesa está presente no cotidiano dos chineses desde cedo. Desde que se joga com raquete… e sem bolinha.

“O movimento do corpo é muito importante. Quem não consegue se posicionar corretamente perde a chance de uma boa jogada. O corpo tem que entender o ritmo do jogo. Esse treino, com música vira uma brincadeira para as crianças, e essa espécie de dança ajuda no processo”, explica um chinês.

A técnica inovadora foi adotada em uma das principais escolas de tênis de mesa de Pequim e funciona em um ginásio que foi usado nos Jogos Olímpicos de 2008. Faz parte de uma carga de treinamentos que chega a seis horas por dia, seis vezes por semana. Meninos e meninas que viram máquinas de sacar, rebater, cortar.

Mas antes de conseguir atacar e defender a bolinha com essa velocidade toda de um lado para o outro, de um lado para o outro, de um lado para o outro, eles passam quase um ano desenvolvendo essa técnica de controle: pra cima e pra baixo, pra cima e pra baixo, pra cima e pra baixo. Isso a partir dos 6 anos de idade. Quer ver só como é que dá resultado?

O pequeno Zhie Xiao, de 8 anos, começou assim. E hoje, já disputa partidas como gente grande – e tem sonhos de gente grande.

“Meus pais dizem que eu tinha três anos e meio quando peguei a raquete da minha mãe e comecei a bater bolinha. Meu sonho é ser campeão olímpico e vou correr atrás desse sonho”, contou Zhie Xiao.

A China é a potência olímpica desde a inclusão do tênis de mesa nos Jogos, em 1988. Foram 47 medalhas, sendo 24 de ouro em 28 possíveis. A Coreia do Sul vem atrás, bem atrás, com três ouros, três pratas e 12 bronzes.

Mas a concorrência interna é enorme em um país de mesatenistas. A perspectiva de não conseguir uma vaga na seleção nacional não é o fim do caminho.

“Eu comecei a jogar com seis anos e aprendi logo. Entrei pro time infantil da minha cidade, fiz um teste para o time da capital, Pequim, passei. Fiquei três anos. Aos 18 tive mais um teste para a seleção nacional. Dessa vez não fui aprovado. Voltei aos estudos para que pudesse continuar jogando. Quero me tornar professor e ensinar tênis de mesa “, contou Li Fei.

Li Fei, de 21 anos, assim como a colega Luo Yue, de 20, estão entre os principais atletas da Universidade de Esportes de Pequim. Disputam torneios universitários e terão um diploma de especialização em tênis de mesa, para trabalhar como professores ou técnicos da modalidade.

“Pra gente, é muito difícil sonhar em ir a uma Olimpíada. Eu já participei do treinamento de uma seleção mirim da China, e realmente eu vejo que o nível é muito alto, é muito difícil, eu já senti muita dificuldade”, afirmou Gui Lin.

Gui Lin também nasceu na China. Aos 12 anos, se mudou para São Paulo para fazer um intercâmbio estudantil. Hoje, aos 21, é cidadã brasileira e até já defendeu o Brasil nos Jogos Olímpicos de Londres. Vê-la de verde e amarelo não é incomum, porque não é nada incomum ver muitos chineses naturalizados disputando as principais competições da modalidade. De 174 atletas inscritos no último torneio olímpico, 37 nasceram na China e defenderam outros países.

“São atletas de qualidade que foram buscar uma chance de praticar o esporte que amam. Não vejo nenhum problema”, opinou uma jogadora chinesa.

Criado na Inglaterra no fim do século XIX, o tênis de mesa, por ser barato e acessível a praticantes de todas as idades, encontrou na China terreno fértil para transformar-se em esporte de massa.

“Aqui temos o hábito de visitar escolas e universidades e interagir com os mais jovens. Está nos nossos planos visitar escolas do Rio de Janeiro no ano que vem”, contou Zhang Jike.

O desafio no futuro é manter o interesse do resto do mundo por este esporte que une técnica, rapidez de raciocínio, coordenação, estratégia. Uma brincadeira de escola que virou algo muito sério no país mais populoso do planeta. O império dourado dos imbatíveis senhores e senhoras das raquetes.

Por Romero Castro – Direto de Pelotas – RS, Brasil.

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