Religiões chinesas e suas histórias

 

Apresentação das religiões chinesas

Embora o Ocidente tenha sido “invadido” no Século XXI por diversos movimentos e tendências culturais do Oriente de modo meio caótico frequentemente equivocado. Você sabe qual a origem dessas religiões orientais que se tornaram tão populares no Ocidente? Elas vêm principalmente da China, Japão, Índia e Coréia do Sul.

Neste artigo vamos analisar a contribuição chinesa no Ocidente sob o ponto de vista das religiões chinesas. Vamos compreender como estes movimentos funcionam na China e quais suas contribuições e influências ocidentais atualmente. Veremos também outros aspectos da cultura chinesa que se popularizaram no Ocidente.

 

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A época dos grandes impérios

Alguns países europeus, mesmo com pequeno território, conseguiram montar grandes impérios através de conquistas e tratados (quase sempre injustos). Portugal, Espanha, França, Holanda…mas principalmente a Inglaterra. Este último montou o Império da Grã-Bretanha e se gabava em dizer que o sol jamais deixava de brilhar sobre alguma parte dele.

Na China, por exemplo, tiveram o domínio de Hong Kong por cem anos. Mas França, Alemanha, Estados Unidos e até o Japão, mesmo não governando diretamente em território chinês, forçavam o Imperador local a tratados imensamente favoráveis aos europeus.

Havia então uma noção, hoje já ultrapassada, de que a cultura européia (incluindo a americana, de origem inglesa) era muito superior à qualquer outra do mundo. Sendo assim, os europeus queriam não só ter vantagens comerciais no Oriente, mas também difundir seus valores, crenças e modo de vida.

Procuravam ignorar que as culturas indiana e chinesa eram milenares e que já produziam sábios e invenções quando a Europa era ainda, na maior parte, território de pessoas quase selvagens.

O século XX foi a época do desmonte final desses impérios, com muitos destes países controlados recuperando sua auto-determinação asiática. Ou seja, os países asiáticos se tornavam livres, novamente, da dominação europeia.

 

As religiões chinesas após as Guerras Mundiais

Esgotada, drenada financeiramente pelas guerras e ocupações, a China tentava encontrar seu próprio destino. O líder Mao Zedong implantou um regime autoritário e nacionalista, com o Estado dirigindo a sociedade, e deixou pouco espaço para manifestações religiosas e culturais. A China se fechava a quaisquer influências estrangeiras. As atividades culturais e as religiosas continuavam a existir, mas sob controle estatal.

Sabemos que em 1972, tanto o grande líder chinês como o presidente da nação mais desenvolvida , militar e economicamente, da época se encontraram. O presidente dos Estados Unidos, Richard Nixon realizou uma visita histórica a Beijing.

 

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Presidentes Mao Zedong e Richard Nixon.

 

Nixon levou com ele vários empresários e especialistas em várias áreas, como, por exemplo, médicos. Os médicos americanos acompanharam uma cirurgia difícil e delicada feita por médicos chineses em um paciente em estado grave. Surpresos, os americanos verificaram que não foi usado qualquer anestésico; ao invés disso, os chineses colocaram algumas agulhas compridas e finíssimas, de ouro, em alguns pontos pré-determinados do corpo do paciente. E operaram. A operação foi um enorme sucesso; os americanos, boquiabertos, viram o paciente se levantar da cama e pedir…laranjas!

Perceberam, então, que havia ali um conhecimento, uma técnica que eles desconheciam por completo. Foi talvez o primeiro contato do ocidente com a acupuntura, técnica que iria em breve se espalhar como fogo em capim seco nos países ocidentais.

Aliás, esta foi uma época em que o Ocidente “descobria” a cultura e as religiões chinesas e do Oriente em geral. Os movimentos de vida alternativa e de contracultura estavam rapidamente se espalhando no Ocidente e seitas e religiões e orientais se multiplicavam. O termo “holismo” (abordagem integrada) entrava na moda: medicina holística, terapias holísticas, educação holística… em quase tudo entravam fortes contribuições orientais. A acupuntura mesmo passou a ser tratada como uma espécie de panacéia, capaz de curar tudo. As várias formas de Yoga, prática de origem indiana, atraíram e continuam atraindo
muitos adeptos a cada dia.

 

No que o Ocidente contribuiu para a cultura oriental?

Os chineses perceberam logo que estavam muito atrasados em relação à tecnologia e aos conhecimentos científicos modernos. Além disso, seu sistema educacional, que tanto prezavam, tinha necessariamente que acompanhar os novos tempos.

Claro que os ocidentais continuaram tentando divulgar a religião cristã na China. E isso já foi feito várias vezes na história: missionários católicos visitaram a China diversas vezes em épocas medievais. Mas eram visitas pontuais; os Imperadores não viam com bons olhos a nova religião: “Se já temos três excelentes religiões (confucionismo, taoismo e budismo) à disposição da população…para que outra?”, perguntavam.

 

Considerações sobre as religiões chinesas antigas

O modo como os chineses encaram a religião e a filosofia é muito diferente dos ocidentais. Para melhor compreensão, dividimos essas diferenças e itens:

  1. Enquanto no ocidente a filosofia segue um caminho paralelo mas distinto da religião, isso não acontece na China. Filosofia e religião caminham juntas.
  2. As religiões ocidentais estão bastante focadas no destino do ser humano em uma outra vida, já as religiões chinesas estão mais voltadas para os problemas desta vida.
  3. As denominações religiosas ocidentais (e as escolas filosóficas) gostam de destacar suas diferenças umas das outras. Já na China a tendência é de haver muitas crenças comuns, e muito pouca divergência.
  4. Diferentemente das religiões chinesas, as religiões ocidentais estão muito baseadas em livros sagrados, revelados ou escritos por influência divina. Na China, os textos religiosos não reivindicam este caráter sagrado. Seus autores são conhecidos, e suas obras nada têm de sobrenatural.
  5. As denominações ocidentais buscam converter pessoas, fazer prosélitos (elas chamam isso de “salvar pessoas”). Na China, jamais parece ter existido esta tendência de procurar ampliar o número de fiéis.

 

Religiões chinesas atualmente

As religiões chinesas gozam de uma liberdade relativamente grande na China moderna.Quase todas as grandes religiões chinesas estão lá representadas (budismo, taoismo e confucionismo).

É fácil verificar que a Religião Tradicional Chinesa domina com ampla vantagem a quantidade de adeptos das outras

Esta religião tradicional é antiquíssima, não tem um único texto sagrado, nem um sistema rígido de crenças. É um sistema que venera muitos deuses, ancestrais, homens considerados sábios (como Confucio e Lao zi). Considera vários locais como sagrados; templos, montanhas, florestas. É uma religião muito parecida com o Xintoísmo japonês. Uma religião popular, com muitas cerimônias e festas, que as pessoas praticam sem qualquer fanatismo.Formalmente, esta religião absorveu vários elementos do confucionismo, que é talvez a tendência filosófica chinesa mais conhecida no Ocidente.

 

Confucionismo

 

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Estátua de Confúcio, em Qufu.

 


Confúcio (também conhecido como Kong Zi) era originário da classe média. Segundo consta, teria vivido por volta de 500 a.C. Ainda muito jovem, decidiu dedicar sua vida à aquisição de conhecimento. Viajou por vários reinos, teve uma vida agitada. Envolveu-se em política e deixou vários textos para seus seguidores.

Comparando com as religiões chinesas, a filosofia-religião proposta por Confúcio praticamente nada tem de secreto ou sobrenatural.  São na verdade regras éticas e morais, onde ele prega o valor da meritocracia (do conhecimento e capacidade). Família, honestidade, compaixão, bom senso, busca do conhecimento, estudo contínuo, estão entre as qualidades que ele afirma serem essenciais, tanto ao homem comum quanto (e principalmente) aos dirigentes e homens públicos.

O confucionismo influencia diretamente no comportamento e no pensamento da maioria dos cidadãos chineses. Além disso, ele explica diversos hábitos cotidianos. Para entender mais sobre como o confucionismo mudou a China, leia nosso artigo.

Acreditamos que a compreensão da cultura de um país tem muito a agregar no ao conhecimento geral mas, principalmente, é uma grande vantagem durante as negociações internacionais. Esse conhecimento traz uma maior compreensão da cultura e pensamento alheio, facilitando os negócios.

 

Por Antonio Carlos de Oliveira, diretamente de Presidente Prudente, SP – Brasil

Fonte: Chinese Family Panel Studies, Intellectus, Horda

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