Como está a relação entre China e Coreia do Norte?

A relação entre China e Coreia do Norte, dentro do contexto das Relações Internacionais, é vital quando se analisam as questões geopolíticas no Leste Asiático. Sabe-se que essa região tem muitos assuntos sensíveis em questões territoriais e de segurança, principalmente levando em consideração que os dois países são potências nucleares. Com a ascensão de Donald Trump à presidência dos Estados Unidos houve uma escalada na tensão, principalmente entre a Coreia do Norte e os americanos, cujas consequências reverberam nas relações diplomáticas da segunda maior economia – a China – com os Estados Unidos, a maior potência global do planeta.

 

Relação entre China e Coreia do Norte
Kim Jong-un recebeu um funcionário chinês de alto escalão no fim de 2016 em Pyongyang, capital da Coreia do Norte

 

Breve histórico da Coreia do Norte

 

relação entre China e Coreia do Norte
A história da divisão das duas Coreias remonta ao fim da Segunda Guerra Mundial.

 

A região da península coreana era, a princípio, formada por vários reinos independentes, alguns deles fortes o suficiente para repelir os avanços militares dos chineses. Na historiografia coreana, destaca-se o período dos Três reinos, quando essa região estava dividida entre os reinos de Silla, Baekje e Goguryeo. Depois de unificado, o país passou por momentos de prosperidade, durante a Dinastia Goryeo, com avanços nas áreas da ciência, religião e artes, muito influenciada pelos chineses. Depois, veio a Dinastia Joseon, na qual o sistema de escrita atualmente utilizado pelos coreanos tanto do Norte quanto do Sul, chamado Hangul, foi desenvolvido. Essa Dinastia colocou a região sob a órbita de influência chinesa, embora se mantivesse independente e esta influência durou até o período de ocupação japonesa, iniciado em 1910 e só finalizado com a derrota do Japão na Segunda Guerra Mundial, em 1945. Após o conflito, a península dividiu-se em duas áreas de influência, ao norte, da União Soviética, e ao sul, dos Estados Unidos. As tensões na região cresceram e em 1950 iniciou-se a Guerra da Coreia. Com a assinatura do armistício foram formados a República da Coreia, também conhecida como Coreia do Sul, e a República Popular Democrática da Coreia, também denominada de Coreia do Norte.

 

A relação entre China e Coreia do Norte durante a Guerra Fria

 

relação entre China e Coreia do Norte
Xi Jinping, presidente da China à esquerda, e Kim Jong-un, líder da Coreia do Norte à direita

 

A relação entre China e Coreia do Norte existe desde a época da Guerra da Coreia, pois os chineses, naquele momento liderados por Mao Tse-Tung, apoiaram militarmente os exércitos da República Popular Democrática da Coreia. Em 1950, um pouco antes do conflito estourar, Kim Il-Sung, então comandante do Estado comunista, havia secretamente visitado Mao para tratar dos planos de guerra. Depois que foi assinado o armistício entre as duas Coreias, encerrando a guerra, a China tornou-se um dos seus principais aliados na área política e principalmente, econômica, a qual auxiliou em grande medida na reconstrução do país após o conflito. Atualmente, a Coreia do Norte é extremamente dependente dos chineses para que sua demanda de comida e energia seja suprida e a China constitui-se como seu maior parceiro comercial.

Em 1979, a relação entre China e Coreia do Norte estreitou-se ainda mais com a assinatura de um tratado de cooperação amigável e socorro mútuo, assinados pelo então primeiro-ministro chinês Zhou Enlai e o presidente norte-coreano Kim Il-Sung. Embora o tratado englobasse diversas áreas, como a cooperação em assuntos econômicos, tecnológicos e culturais, a parte que mais se destaca é o segundo artigo, o qual diz que um Estado deveria socorrer o outro caso este viesse a ser atacado.

 

A relação entre China e Coreia do Norte após a Guerra Fria

Com as recentes provocações militares norte-coreanas aos países vizinhos e aos Estados Unidos, a China tem desenvolvido um papel fundamental no diálogo de contenção das ameaças vindas daquele país. Desde o ano de 2003, os chineses estão inclusos nas rodadas de negociação acerca do desarmamento nuclear do regime norte-coreano. No ano de 2009, que marcou os sessenta anos de relações diplomáticas entre os dois países, o então presidente chinês Hu Jintao e o chefe de governo norte-coreano, Kim Jong-Il, declararam que 2009 seria o “ano da amizade” entre os dois países.

 

relação entre China e Coreia do Norte
À esquerda o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e à direita o líder da Coreia do Norte, Kim Jong Un

 

Todavia, em evento recentes, a relação entre China e Coreia do Norte tem esfriado cada vez mais, visto que a China tem condenado os recentes testes de armamentos nucleares realizados pelo país vizinho, pressionando o país para que respeite aquilo que foi acordado pelas negociações sobre o seu programa nuclear. Além disso, as recentes provocações da Coreia do Norte ao vizinho do Sul e aos estadunidenses trouxe como consequência a instalação de um escudo antimíssil na Coreia do Sul, razão pela qual o governo chinês tem protestado, visto que alegam que tal armamento ameaçaria a segurança nacional da China. Os chineses têm adotado algumas medidas, de maneira limitada, para pressionar os vizinhos a se “comportarem”, como, por exemplo, a restrição a importação de carvão, o principal produto exportado pelo país. Além disso, alguns incidentes com barcos de pescas chineses, que foram aprisionados pelo governo norte-coreano e só foram liberados mediante pagamento de resgate ,ajudaram a esfriar ainda mais as relações entre os dois países.

 

Por Victor Fumoto, diretamente de Marília, SP, Brasil

Fontes: Council of Foreign Relations, The Diplomat

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