Reformas econômicas na China

Fato notório a desaceleração econômica da China, que após anos com um crescimento econômico superior à média, com seu PIB crescendo cerca de 10% ao ano, o país vem sofrendo com a instabilidade geopolítica mundial, incerteza nos mercados financeiros e crise de matérias primas. A oscilação da economia chinesa afeta não só internamente o país, mas também o restante do mundo. Por isso, o governo de Pequim anunciou um pacote de reformas econômicas na China, que visam possibilitar a continuação do crescimento robusto que o país vem observando nas últimas décadas.

A situação econômica da China teve destaque em parte do discurso de duas horas feito pelo primeiro-ministro chinês, Li Keqiang, durante a abertura da sessão anual do Congresso Nacional do Povo, que ocorre durante este mês de março.

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O primeiro-ministro estabeleceu metas otimistas, de criação de empregos, combate à corrupção e crescimento do PIB para os próximos anos, porém reconheceu que devem ser feitos esforços para superar o momento atual, que tratará de ser “uma batalha difícil”.

Em razão de toda a oscilação econômica, a China busca adaptar o orçamento, e visa adotar algumas reformas estruturais em setores que não estão trazendo resultados positivos, que, apesar de serem muitas vezes necessárias, os impactos a curto prazo são o aumento do índice de desemprego pelo corte de postos de trabalho, diminuição do poder de consumo e aumento da instabilidade social.

 

Reformas econômicas na China:

o carvão e o aço

Um dos setores mais visados pelas reformas econômicas na China são o setor industrial, que tem uma capacidade superior à necessária atualmente, e apesar dos prejuízos, vinham sobrevivendo com estímulos do governo e de instituições financeiras. Porém, a situação chega num ponto insustentável, em que se denominam “empresas zumbis”, em razão da inviabilidade do negócio, mas que persistem para não causar falências e desemprego.

Seguindo essa perspectiva, estima-se que centenas de fábricas e minas serão fechadas, diminuindo a quantidade excessiva de trabalhadores e gastos, uma prioridade das reformas econômicas na China.

A exploração do aço e carvão na China será bastante afetada, e os dados divulgados indicam um total de 1.8 milhões de trabalhadores do setor deixando seus postos. Claro que o governo chinês criou medidas de amparo a esse grande número de pessoas, prevendo uma ajuda de custo de 100 bilhões de yuan durante 2 anos a esses trabalhadores.

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A China é o maior produtor de carvão e de aço no mundo, sendo que um única cidade já chegou a produzir mais aço que os Estados Unidos como um todo, mas que em poucos anos.

O país possui relação histórica com esse setor carvoeiro, como se dá no caso da mina de carvão de Anyuan, distrito da cidade Pingxiang, onde quase 100 anos atrás, Mao Zedong e outros líderes do movimento se uniram pela primeira vez com trabalhadores comuns, para mobilizá-los na Grande Greve de 1922, sendo muito importante na história do Partido Comunista da China.

 

Consequências das reformas

econômicas na China

Agora, a mina de Anyuan é palco de protestos dos trabalhadores que recebem remuneração abaixo do mínimo para sobreviver e com constantes paralizações dos trabalhos, um sinal do iminente fechamento do local. Essa é a situação em inúmeras minas de carvão e aço na China, e outras indústrias, com protestos localizados de trabalhadores que já perderam seus empregos ou estão em risco de perde-los a qualquer tempo.

Além do corte de empregos, o país não aprova mais novos projetos de minas e indústrias do setor, e isso acompanha a diminuição da demanda e do valor dessa matéria prima dentro e fora da China.

Porém, para um país onde a estabilidade é uma prioridade, as demissões em massa podem significar maior insatisfação popular, assim, as indenização também buscam suprir tal desconforto com as reformas econômicas na China impostas pelo governo na área.

Espera-se mais ainda, que a ajuda de custo que o governo chinês dará a esses trabalhadores retirados do mercado de trabalho seja capaz de mantê-los, até que consigam realocar-se em outros postos de trabalho, embora seja uma perspectiva difícil, já que não possuem qualificações para outras áreas.

 

Por Alexia Domene, diretamente de Presidente Prudente, SP, Brasil

Fontes: O Povo, El País, Washington Post, China Org.

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