China reautoriza o comércio de chifre de rinocerontes e ossos de tigres

A reautorização do comércio de chifre de rinocerontes e ossos de tigres na China movimenta a população e alerta ambientalistas. Quer saber como? Leia mais!

Será que as crianças que nascerem nas próximas décadas terão a oportunidade de conhecer animais, tais como leões, macacos, as girafas e os hipopótamos? Ou será que isso acontecerá apenas por meio de filmes como “Madagascar”?

Muitos questionamentos a respeito do anúncio divulgado pelo governo chinês referente a reautorização do comércio de chifre de rinocerontes e ossos de tigres na China movimentou a população do país e alertou ambientalistas envolvidos com estas questões. Esta notícia sobre a permissão de venda de chifres de rinocerontes e ossos de tigres causou certa agitação na China e foi manifestada na data de 29 de outubro deste ano. O interesse nestes materiais é em virtude do uso dos mesmos em pesquisas medicinais, apesar da inexistência de quaisquer evidências científicas quanto ao valor e aplicabilidade medicinal para seres humanos.

 

A reautorização do comércio de chifre de rinocerontes e ossos de tigres na China

 

A reautorização após 25 anos de proibição

A referida reautorização foi permitida após 25 anos de proibição do comércio de de chifres de rinocerontes e ossos de tigres e de forma parcial. Desta forma, conforme exposto pelas associações de defesa da causa animal, esta reautorização trata-se de uma decisão que deve ser submetida a diversas condições, principalmente devido ao possível risco do renascimento do tráfico dessas duas espécies previamente ameaçadas.

A declaração desta reautorização do comércio de chifre de rinocerontes e ossos de tigres menciona que a venda destes produtos será concedida somente em circunstâncias autorizadas, ou seja, para a condução de pesquisas científicas, em prol da realização de obras de arte e, estudos envolvendo tratamentos médicos e produções farmacológicas. Ademais, conforme descrito na declaração, os espécimes só poderão ser adquiridos de forma legal se forem obtidos em fazendas. No entanto, esta decisão supracitada preocupa os indivíduos conservacionistas que temem a atitude de traficantes, ou seja, estes podem se aproveitar desta situação para comercializar animais ilegalmente, desde que a certificação no que concerne a proveniência dos animais não é um processo fácil.

 

A circular do Conselho de Estado chinês

O primeiro ministro, Li Kegiang, assinou uma circular do Conselho de Estado chinês e este documento atesta que o comércio e a aplicabilidade de chifres de rinocerontes e de ossos de tigres serão, a partir de desta nova reautorização, submetidos a um pedido de autorização ligado às pesquisas de cunho científico, como por exemplo, os estudos de aplicabilidade genética. Portanto, de acordo com a referida circular, tanto os chifres de rinocerontes quanto os ossos de tigres devem ser originados de rinocerontes e tigres criados em cativeiros e, que morreram por causas naturais.

 

Aplicabilidade de chifres de rinocerontes e de ossos

Embora a China seja um país com grande demanda de produtos derivados de animais como tigres, como por exemplo, ossos, bigodes, garras entre outros, ambos tigres e rinocerontes são animais presentes na lista de espécies ameaçadas de extinção e, por este motivo, a comercialização deles é proibida. As estimativas relacionadas à quantidade de tigres criados em cativeiro, na China equipara-se ao dobro da quantidade que está em liberdade no habitat natural.

 

A aplicabilidade de chifres de rinocerontes e de ossos de tigre

 

Também existem algumas exceções, além do uso médico, a respeito da aplicabilidade de chifres de rinocerontes e de ossos de tigres, em casos que os produtos sejam categorizados como “antiguidade“, para propostas pedagógicas e/ou em “trocas culturais” aprovadas pelas autoridades da China.

Logo após o anúncio do dia 29 de outubro, a ONG World Wild Fund (WWF) publicou um relatório comunicando que o planeta perdeu aproximadamente 60% dos animais selvagens a partir dos anos de 1970. Desta forma, estes dados devem ser considerados com a nova autorização da China referente ao comércio de chifre de rinocerontes e ossos de tigres.

 

 A caça ilegal e o perigo da extinção

Recentemente, a China tinha se prontificado em combater a caça realizada de forma ilegal, especialmente por causa da proibição total do comércio estabelecida no país em 1993. No entanto, a decisão da retormada do comércio de chifre de rinocerontes e ossos de tigres último mês contraria a proibição total de comércio estabelecida no China. A magnitude desta decisão do governo chinês alcançou proporções bastante significativas tanto que diversas organizações se pronunciaram e solicitaram ao governo a revogação da proibição.

 

O perigo da comercialização ilegal para animais como rinocerontes e tigres

 

De acordo com a declaração da diretora de biodiversidade do Fundo Mundial para a Natureza (WWF), Margaret Kinnaird, “A retomada do comércio de forma legal poderá tanto encobrir o tráfico clandestino quanto estimular uma demanda que consequentemente havia baixado devido a proibição que entrou em vigor”.

Apesar dos pedidos feitos a respeito da decisão do governo, os oficiais da China não se pronunciaram quando a decisão do governo foi anunciada. Entretanto, diversos grupos de ambientalistas questionaram que a revogação foi feita por causa do grande número de fazendas que criam tigres e, também devido às tentativas de criação de rinocerontes em cativeiro.

Em suma, há muito a se fazer para regular a administração adequada e legal do comércio de produtos oriundos de animais selvagens em risco de extinção, como rinocerontes e tigres, porém, as pessoas envolvidas nesta questão estão dia após dia mais atualizadas e conscientes acerca do impacto negativo que a morte e a venda ilegal destes animais podem ocasionar para o equilíbrio natural. Portanto, a atenção e intervenção da população sobre o comércio de chifre de rinocerontes e ossos de tigres será fundamental para impedir qualquer ameaça mais fatal para estes ou outros animais em risco de extinção devido ao comércio ilegal.

 

Fontes: G1, Ciclo Vivo, Blog Contra a Tauromaquia, Mega Curioso, Olhar Animal.

Por Laura Mochiatti Guijo, diretamente de Marília, SP, Brasil

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