Petróleo: cresce o fornecimento brasileiro para China em meio à guerra comercial

O ano de 2017 foi frutífero para o mercado petrolífero nacional: as exportações brasileiras superaram a venda de petróleo da Venezuela para a China, transformando o país no maior fornecedor do produto, na América Latina, para o gigante asiático. Em 2018, o Brasil vem conseguindo manter essa posição, tendo em vista a guerra comercial e a de tarifas que eclodiu recentemente entre China e Estados Unidos. Quer saber mais como o mercado brasileiro tem se beneficiado com essa parceria em meio à guerra comercial? Então continue lendo o artigo!

 

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Máquina perfuradora de petróleo. Fonte: China Link Trading.

 

Parceria sino-brasileira no comércio de petróleo

A relação comercial bilateral entre Brasil e China não é novidade, porém, no que diz respeito à negociação de petróleo, a parceria é bastante recente. Isso porque o mercado petrolífero brasileiro não tinha tanto reconhecimento internacional há alguns anos, passando a ganhar maior importância hoje em dia, principalmente, com a descoberta do pré-sal. A partir deste momento, grandes empresas petroleiras, principalmente as chinesas, voltaram seus olhos para o Brasil, buscando estabelecer parcerias comerciais no setor.

Dados comprovam o crescimento expressivo dessa comercialização, já que em 2003 as vendas de petróleo representavam apenas 0,5% do valor total das exportações brasileiras para a China, enquanto em 2010 o número subiu para 13%. Em 2017, o volume de exportações chegou a atingir a marca de 15%.  Com esse volume de exportação, o comércio petrolífero entre Brasil e China superou o fornecimento da Venezuela – país que, apesar de ser considerado o maior produtor e exportador de petróleo da América Latina, bem como um dos maiores produtores  do mundo, tem enfrentado sanções estadunidenses e uma fortíssima crise econômica -,  abrindo espaço para o mercado de petróleo brasileiro.

 

Brasil busca ampliar mercado na China em meio à guerra comercial com os EUA

Até pouco tempo atrás, os EUA eram conhecidos como o maior comprador de petróleo do mundo. Contudo, este cenário mudou em 2017, quando a China assumiu o cargo de maior importador do produto. A intensificação da dependência energética chinesa tem sido uma resposta ao forte crescimento econômico e populacional que o país vem apresentando. Apesar de contar com uma enorme produção de petróleo, o volume atual não é suficiente para suprir a demanda interna. Assim, o gigante asiático tem sido forçado a recorrer a mercados petrolíferos estrangeiros – o que fomentou o comércio petrolífero entre Brasil e China.

Tendo isso em vista, e o fato de que os compradores chineses cortaram as importações de petróleo dos EUA após o anúncio de Pequim de que irá impor tarifas sobre o produto estadunidense, como retaliação às medidas estabelecidas por Washington, o Brasil tem buscado levar, cada vez mais, o produto nacional ao mercado chinês. Nesse sentido, a Petrobras espera começar a bombear o petróleo do pré-sal de novas plataformas, buscando comercializar um novo tipo de óleo, o “medium sweet grade”.

 

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Navio-contâiner. Fonte: China Link Trading.

 

A demanda da China por petróleo com baixo teor de enxofre, como é o caso do petróleo de países como a Angola e o Brasil, aumentou significativamente nos últimos dois anos depois que seus refinadores independentes, também chamados de “teapots”, foram autorizados a importar petróleo bruto. Com isso, segundo dados da alfândega chinesa, o Brasil, desde 2017, passou para o quinto lugar na lista de fornecedores da China, com 657 mil bpd. As importações de petróleo do Brasil por teapots mais que dobraram no primeiro semestre de 2018, quando comparadas ao mesmo período no ano passado, de acordo com a consultoria SIA Energy, de Pequim.

Mais da metade dos embarques do Brasil para a China passou por portos na província de Shandong, onde encontra-se a maioria das refinarias independentes da China, conforme dados do Thomson Reuters Eikon. Além disso, a Petrobras foi responsável por fornecer a primeira carga de petróleo à fabricante de químicos chinesa Hengli Group para o início de operação de sua nova refinaria no nordeste da China ainda neste ano. A estatal brasileira inclusive aumentou sua equipe de comercialização em Cingapura para ampliar os esforços de marketing na China. A estatal recrutou um profissional que já era da companhia brasileira e contratou um operador de petróleo de uma refinaria chinesa: “Para melhorar sua participação no mercado chinês, e considerando a entrada das ‘teapots’ no mercado internacional, a Petrobras considera que é necessário ter um profissional fluente em mandarim para o desenvolvimento específico desse mercado”, disse a Petrobras.

A líder em refino na Ásia, Sinopec, comprou um terço das importações de petróleo do Brasil pela China no primeiro semestre de 2018. De acordo com o analista da SIA Energy, Seng Yick Tee: “A Sinopec e as independentes têm apetite por importações adicionais de petróleo do Brasil, e as potenciais tarifas sobre o óleo dos EUA são uma das razões”.

Outros vendedores para o Brasil incluem a Royal Dutch Shel, a Equinor e as estatais chinesas China National Petroleum Corp (CNPC) e CNOOC Ltd.

Por Lys Milen Brittes, diretamente de Marília, SP, Brasil

Fontes: China Link Trading, Época Negócios

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