Organização de Cooperação de Shangai – China Link Blog de Importação

 

importação OCS

 

A Organização de Cooperação de Shangai (OCS) foi criada em 2001, sendo uma Organização Internacional de caráter permanente, proclamada por 6 países (Rússia, China, Uzbequistão, Cazaquistão, Quirguistão e Tadjiquistão), e formada a partir do organismo dos “cinco de Shangai” (dentro os seis citados exceto o Uzbequistão).

O grupo chamado de os “cinco de Shangai” foi criado para aprofundar a confiança militar em regiões de fronteira nas quais desde então houve avanços consideráveis na redução do contingente militar. Porém, após isso foram surgindo então outras áreas a serem tratadas pelos “cinco de Shangai” que não fossem sobre segurança regional e para isso, surgiu a Organização de Cooperação de Shangai, que se caracteriza, portanto, por não ter sido criada com um objetivo único ou área exclusiva de atuação. Nesta organização participam como observadores o Irã, o Paquistão, a Índia e a Mongólia, e se somadas as populações dos 6 países membros e dos 4 países observadores, eles possuem aproximadamente 40% da população mundial.

As relações observadas até agora nesta Organização podem ser caracterizadas como amigáveis e pacíficas, porém as relações de integração ainda não estão totalmente e nem muito bem desenvolvidas, já que a finalidade desta organização está muito distante daquela alcançada pela União Europeia, já que faz parte dos fundamentos da Organização de Cooperação de Shangai a manutenção da soberania dos seus Estados-Membros. Mas ressalta-se que este é um ponto que se deve analisar mais adiante, e prestar atenção no futuro das ações desta organização, já que a OCS tem como objetivo criar uma área de livre comércio até 2020, o que com certeza traria consequências para o sistema do comércio internacional e as demais organizações de cooperação na área do comércio, seja internacional ou regional.

O que faz a OCS demandar atenção da comunidade internacional, segundo Juliano Treis, é o fato dessa Organização vir apresentando medidas práticas e efetivas dos interesses de seus países membros e pelo fato de atualmente a Organização não estar aberta à entrada de novos membros, com a justificativa de que deve-se primeiramente consolidá-la como Organização e depois abrir para uma expansão com a entrada de novos países membros. Outro ponto que se destaca nesse tema é o fato dessa aproximação entre Rússia e China através de um outro organismo internacional estar se mostrando eficiente entre essas potências políticas e econômicas, o que pode gerar então um desconforto ou até desconfiança internacional por parte de outras potências que estão até então no papel de espectadores dessa aproximação sino-russa.

A incerteza quanto ao futuro das relações entre China e Rússia e, consequentemente, da OCS, ocorre devido ao fato de ambos serem países de rápido crescimento econômico. Certamente que, hoje, há cooperação, assim como há complementaridade econômica, uma vez que a Rússia, apesar de apresentar forte crescimento econômico, possui uma grande riqueza em recursos energéticos. A China, por outro lado, vêm apresentando crescimento econômico ainda maior, e crescente necessidade de mais recursos energéticos, demanda esta que não é suprida apenas pela própria produção chinesa. Desta forma, uma aliança sino-russa é, ao mesmo tempo, um eficiente modo para suprir a demanda chinesa por energia, necessária para a manutenção de suas elevadas taxas de crescimento, e um potencial mercado para a oferta russa (afinal, recursos energéticos são um dos mais importantes produtos da economia russa). No entanto, se alguns veem esta possibilidade de intercâmbio, para outros, mais céticos, na medida em que Rússia, China e Índia (que deve ser aqui considerada, pois é um observador de grande peso na OCS) forem crescendo, criar-se-á uma rivalidade, que ofuscará a cooperação entre estas potências.

Independente do crédito que se der a esta linha de pensamento mais cética, é inegável que a criação de uma área de livre comércio terá forte impacto sobre a economia mundial, já que como hoje é visto de certa forma que uma parceria comercial entre Brasil e China acaba competindo com o MERCOSUL (com o qual o Brasil, teoricamente, deveria ter relações prioritárias), uma área de livre comércio naquela região apresentará concorrência para o comércio internacional, seja no âmbito das relações bilaterais como entre Brasil e China como também em relações mais abrangentes envolvendo outros blocos com foco na área comercial. Com isso, a conclusão que se chega é que a OCS é uma organização muito nova, com efeitos ainda a serem observados, porém suas recentes ações já mostram seu peso e importância para o cenário mundial, sendo motivo suficiente para que se fiquemos atentos aos próximos passos da OCS.

 

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Esse artigo foi escrito pelos consultores Marília Mingatti Machado e Gustavo Gatto Gomes, da Empresa Junior de Relações Internacionais de Marília – SAGE.

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