Olímpiadas: os esportes na China

Há três semanas começamos a acompanhar as Olimpíadas que aconteceram aqui no Rio de Janeiro e as apostas para os maiores medalhistas com certeza eram Estados Unidos, Reino Unido e China. Mas Como os esportes na China chegaram ao nível mundial em poucos anos?

 

História

A República Popular da China estreou nos Jogos em Los Angeles em 1932, participando das edições de 1936, 1948 e 1952, nas quais não ganhou nenhuma medalha.  Para comparação, o Brasil iniciou sua participação em 1920 na qual já conquistamos medalhas. De 1952 a 1980, a China não participou do evento, ficando fora de 7 edições. Isso aconteceu devido ao período de isolamento chinês durante o governo de Mao Zedong (mais conhecido como Mao Tsé-Tung), no qual a China ficou isolada do mundo politicamente, economicamente e culturalmente. Somente com a ascensão de Deng Xiaoping e uma maior relação com os EUA e o resto do mundo que focou-se na abertura do mercado chinês e os investimentos nos esportes na China, inclusive como forma de propaganda estatal.

Então, em 1984 já conquistava 32 medalhas, sendo 15 de ouro, o que a colocou na 4ª posição no quadro geral. Com exceção das Olimpíadas de Seul em 1988, na qual ficou na 11ª posição, a China nunca mais ficou abaixo da 4ª colocação geral.

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Quadro de medalhas da China desde a edição das Olimpíadas de 1952.

Como não é mais surpresa, nessa edição de 2016, a China ficou em 3º lugar, atrás somente dos Estados Unidos e Reino Unido, com o total de 70 medalhas, sendo 26 de ouro, 18 de prata, e 26 de bronze, totalizando 227 medalhas de ouro somando todas as edições.

 

Esportes na China

Nesta edição a China conta com 405 atletas que participaram de 213 provas em 35 esportes diferentes, dentre eles, os esportes tradicionais chineses como tênis de mesa, badminton, ginástica artística e saltos ornamentais, e os também não tão tradicionais como futebol, vôlei e basquete.

 

Tênis de mesa

A China é a grande potência do tênis de mesa atualmente. Criado na Grã-Bretanha no final do século XIX, foi introduzido na China pelos ingleses em 1900.  Nas Olimpíadas são disputadas provas simples e em equipes, ambos nas modalidades masculina e feminina.

Desde a entrada do tênis de mesa nas Olimpíadas em 1988, foram disputadas 32 medalhas de ouro e 28 delas pertencem aos chineses. Em Atlanta 1996, Sydney  2000, Beijing 2008, Londres 2012 e agora Rio 2016, os atletas chineses ganharam todas as medalhas de ouro disputadas no esporte e algumas de prata e bronze também. Além disso, eles também dominam no cenário paralímpico.

Isso se deve ao grande incentivo aos esportes na China. Nas universidade chinesas encontramos grandes salões com diversas mesas para treinar, e essas são quase sempre muito disputadas.

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Salão com mesas de tênis na Shanghai Normal University.

Badminton

Também muito difundido na China, encontra-se amadores praticando badminton em qualquer parque e é possível encontrar raquetes e petecas pra vender em qualquer mercado, inclusive nos mercados universitários. Nascido na Índia no século XVIII, foi batizado em homenagem ao duque de Beaufort e seu palácio no campo, o Badminton House. Estreou nas Olimpíadas em 1992 já dominada pelos asiáticos, principalmente pelos chineses, sendo que somente um dos ouros disputados até hoje foi de um atleta não asiático.

Disputado como provas femininas e masculinas na modalidade individual e dupla, é um dos únicos esportes que tem a categoria dupla mista. Nessa edição de 10 disputas por medalhas, a China esteve em 7ª, conquistando 3 medalhas.

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Aisen Chen salta na final da plataforma de 10m.

 

 Saltos Ornamentais

Os Saltos ornamentais, apesar de não ser um esporte de fácil acesso, que pode ser praticado por qualquer um, tem um bom investimento chinês e podemos perceber pelo resultado das olímpiadas. De 8 provas disputadas, a China conquistou 7 ouros, duas pratas e um bronze e a melhor campanha de um país nos saltos ornamentais.

 

Ginástica Artística

Apesar de ser considerado uma certeza de medalhas para a China, a ginástica artística não teve um bom resultado nessas Olimpíadas, conquistando somente 2 medalhas de bronze dentre 14 disputas por medalhas. Será que o gigante asiático está perdendo um de seus trunfos? Talvez para haja outros esportes na China para se focar como veremos abaixo.

 

Futebol e Vôlei

Os queridinhos do Brasil ainda não são tão tradicionais como outros esportes na China. O Futebol na China ainda tem times ligados às universidades, e não à clubes ou cidades como acontece no Futebol Mundial. Além disso, apesar dessa situação estar se alterando, o Futsal é mais difundido do que o Futebol de Campo, e essa modalidade não é nem olímpica.

O vôlei já tem seu lugar no coração dos chineses, é apreciado pelos universitários e os chineses em geral, e nessa edição das Olimpíadas a China chegou à final do vôlei feminino pela quarta vez, conquistando o tricampeonato, mas mesmo assim não chega a ser tão comum entre a população quanto o tênis de mesa, o badminton e o basquete.

 

Basquete

O basquete na China é um caso curioso pois há muitas quadras de basquete nas universidades e parques. Na Universidade de Wuhan, onde os brasileiros com vínculos no Instituto Confúcio geralmente estudam, há no mínimo 20 quadras de basquete espalhadas pela faculdade, sempre lotadas. Aos olhos de um estrangeiro, é muito mais fácil se deparar com um jogo de basquete do que com jogadores amadores de badminton e mesmo assim a China ainda está longe de conseguir bons resultados no basquete. Talvez esse seja o próximo esporte a se investir na China, que como todos os outros, com certeza terá bons resultados.

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Quadras de basquete lotadas em um parque em Wuhan, Hubei.

Curiosidades da China nas Olímpiadas

Pedido de casamento

Durante a cerimônia de entrega de medalhas, a saltadora He Zi, segunda colocada na prova de trampolim de 3 metros, foi surpreendida pelo pedido de casamento de seu namorado Qin Kai. Ele, também saltador, aproveitou o momento para firmar o namoro de 6 anos e trouxe um momento diferenciado para as Olimpíadas que foi comentado pelo mundo todo.

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A saltadora He Zi durante o pedido de casamento do namorado Qin Kai.

Nadadora entra em tema tabu na China

A nadadora Fu Yuanhui, que já havia ganhado uma medalha de bronze nos 100m costas, participou da prova revezamento 4×100 medley na qual ela e as companheiras terminaram em 4º lugar. Ao serem entrevistadas, Fu não estava com as colegas pois estava encolhida de dor atrás de um cartaz. Ao questionarem se estava bem, ela respondeu: “Não nadei bem desta vez. É porque minha menstruação veio ontem, então me senti muito cansada – mas isso não é motivo, eu ainda não nadei bem”, explicou Fu.

Essa frase gerou grande comoção entre os telespectadores chineses, primeiramente porque não é um assunto falado abertamente na China, sendo que a possibilidade da mulher praticar esportes durante o ciclo menstrual ainda é questionado. Além disso abriu as discussões sobre absorventes internos, também pouco difundidos na China por todos os questionamentos que ele traz e que dificilmente são esclarecidos.

 

Considerações finais

Nessas Olimpíadas pudemos ver a China brilhar novamente. Com uma boa margem de diferença para o quarto colocado e conquistando mais medalhas no total do que o 2º colocado, ela continua lutando por seu lugar recorrente nessa competição.

Mas afinal, como os esportes na China chegaram ao nível de uma potência mundial? Bom, esse não deixa de ser um ótimo negócio, primeiramente para promover o país e se firmar como uma potência em todos os aspectos, além de também criar um mercado gigantesco de produtos esportivos.

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Atual vice-campeão da NBA, o jogador Kley Thompson com tênis da marca chinesa Anta.

Todos esses populares esportes na China como tênis de mesa, badminton e basquete, movimentam uma grande gama de produtos e esse mercado só vem crescendo com os outros esportes que vem sendo financiados cada vez mais.

A grande marca esportiva chinesa chama-se Anta. Essa foi a patrocinadora da seleção olímpica chinesa e também patrocina diversos jogadores da NBA como Klay Thompson, Kevin Garnett e muitos outros, tendendo somente a crescer e impulsionar todo o setor de esportes.

Ainda, quem sabe a nadadora Fu Yuanhui também não despertou um setor ainda adormecido dos absorventes internos e da higiene feminina?

Por Barbara Laplaca, diretamente de São Paulo, SP, Brasil.

Fontes: BBC Brasil, Rio 2016, G1, Câmara Brasil-China

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