Nova Capital do Egito e o Poder Chinês

As construções da nova capital do Egito já começaram! Essa cidade, com propostas altamente modernas e sustentáveis, é vista pelo governo como a solução dos problemas populacionais do país. Entretanto, mais da metade do custo inicial das construções virá, na verdade, de capital chinês! Mas como será essa nova cidade? E quais os motivos que levaram a China a se envolver nesse projeto?

 

nova capital do Egito
A nova capital do Egito, anunciada em 2015, já está sendo construída

 

A Nova Capital do Egito

Em março de 2015, durante uma conferência de investimento internacional, representantes do governo egípcio anunciaram um plano oficial de construção de uma nova capital para o país.

Kangbashi
O projeto é de uma cidade extremamente moderna, fundada sob ideais sustentáveis

A primeira fase do projeto é estimada para ter a duração de cinco a sete anos, a um custo de 45 bilhões de dólares. A cidade está sendo planejada para ter 700 km²- aproximadamente o tamanho de Cingapura-, localizada em um deserto a leste do Cairo, uma área entre a atual capital e as cidades de Suez e Ain Sokhna.

Planejada para ser a nova sede do governo do país, a nova capital do Egito apresenta propostas grandiosas. Segundo o projeto, serão construídas casas para abrigar 5 milhões de pessoas, mais de 1000 mesquitas, zonas industriais, um aeroporto, um centro de conferência com capacidade para 5.000 lugares, além do que será o maior parque do mundo.

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Modelo de como será a vista aérea da nova capital do Egito

Além disso, o projeto prevê que a nova capital do Egito será uma “cidade inteligente”, construída com base em preocupações de desenvolvimento sustentável, utilizando tecnologias para promover um estilo de vida saudável. Afirma-se que a infraestrutura proporcionará a reutilização e conservação de água, promovendo um consumo responsável.

As construções da nova capital do Egito já começaram, e, de acordo com o jornal egípcio Al-Ahram, já foram iniciados os trabalhos de infraestrutura, como pontes e 210 km de ruas e estradas. No site oficial do projeto, além de algumas informações sobre os planos, há ainda um espaço voltado para o envio de currículos para quem deseja trabalhar para tornar real a cidade, que, apelidada de “Nova Cairo”, ainda não recebeu um nome oficial.

 

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A superlotação da atual capital, Cairo, é vista como um imenso problema para o país

 


Por que uma nova capital?

Mas por quê? Segundo o governo egípcio, essa seria a solução encontrada para resolver os problemas da atual capital, Cairo, que envolvem superlotação, poluição e os preços extremamente elevados de moradia na cidade. Com uma população nacional atual em torno 90 milhões de pessoas, o Egito abriga somente em Cairo cerca de 20 milhões de habitantes. O governo ainda prevê que essa população dobrará nos próximos 40 anos na Grande Cairo, o que traz preocupações sobre a realocação de tantas pessoas.

A partir dessa previsão, a construção da nova capital do Egito foi eleita como a melhor solução encontrada pelo governo, que afirma que a futura cidade, além de ser um escopo para a superlotação do Cairo, será uma importante fonte de novos empregos, garantindo um crescimento populacional mais equilibrado, organizado e saudável, além de representar um chamariz de investimentos nacional e internacional para a região, o que é visto como interessante para a economia do país.

 

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A nova capital do Egito se erguerá com grande capital chinês

 

Investimento Chinês

No início de outubro, foram anunciados alguns novos passos desse projeto. A empresa estatal China Fortune Land Development Company (CFLD) concordou em oferecer 20 bilhões de dólares, após reuniões entre chefes da empresa e o atual presidente egípcio Abdel Fattah El Sisi. Essa notícia seguiu outra novidade anunciada anteriormente: outra empresa estatal chinesa já havia se comprometido a investir 15 bilhões de dólares no projeto.

O interesse na nova capital do Egito não é de exclusividade chinesa e tem atraído atenção internacional de outras partes do mundo. Uma empresa indiana está planejando o investimento em um grande centro médico e uma universidade, e uma firma saudita tem pretensões de construir uma mesquita de 12,6 hectares, além de um museu islâmico na nova cidade.

Mas, mesmo assim, os investimentos chineses já anunciados superam os outros planejamentos internacionais para a cidade. A soma dos números anunciados pelas duas empresas chinesas chega a 35 bilhões de dólares, quase alcançando o valor total da primeira fase do projeto, avaliado desde 2015 em 45 bilhões de dólares. Ou seja, podemos perceber que a nova capital do Egito se erguerá através de uma grande parcela de dinheiro chinês.

 

 

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Xi Jinping e Abdel Fattah El Sisi em encontro em janeiro de 2016

 

As Relações Egito-China

Quando há investimentos, há sempre um poder de influência. E não é à toa que os chineses se interessaram em apostar na construção da nova capital do Egito. A análise mais clara é que esse investimento nada mais é do que um projeto chinês para aumentar sua influência na região. O interesse de estreitar as relações internacionais com a África não é inédito e já vem sendo notado nos últimos anos, através de uma onda crescente de acordos comerciais e de aproximações diplomáticas entre a China e vários países do continente.

Os investimentos chineses na nova capital do Egito foram anunciados em janeiro de 2016, durante a visita do presidente Xi Jinping ao Egito, onde os dois países assinaram uma série de acordos de investimento e auxílio chinês, avaliado em bilhões de dólares ao país do Oriente Médio.

Na região, o grande interesse da China nessas relações repousaria principalmente sobre questões comerciais e econômicas, já que a região tem muita importância para o gigante asiático pelo fornecimento de matérias-primas essenciais para o país, principalmente o petróleo, por exemplo.

 

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A região perto de Cairo sofre com o problema das “cidades fantasmas”

 

Preocupações: “cidade fantasma”

Apesar do otimismo do governo, há preocupações com a nova capital do Egito. O país já construiu outras cidades em torno de Cairo, mas algumas delas apresentam graves problemas, pois, apesar dos altos investimentos na construção, elas têm registrado uma baixa ocupação populacional. A razão desse acontecimento estaria ligada ao fato de que essas novas cidades foram construídas através de uma abordagem muito moderna, que encareceu tanto o estabelecimento de empresas, como tornou os custos de vida pouco acessíveis à maioria da população que vive no Cairo. Há cerca de oito cidades na região que apresentam essa situação e são chamadas de “cidade fantasma”, apelido conhecido também entre os chineses, já que o país asiático apresenta algumas cidades pouco habitadas, mas que foram construídas através de grandes gastos.

O problema com a administração urbana egípcia é visto como algo crônico por alguns especialistas, que afirmam a necessidade de uma grande atenção do governo para os planos da nova capital do Egito. No caso dessa nova cidade, o investimento chinês pode ser visto como um aliado, mas que não deixará para trás a necessidade de um extremo cuidado e planejamento nesse projeto.

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Kangbashi, uma “cidade fantasma” da China

A nova cidade egípcia será um símbolo concreto da colaboração de duas das mais antigas civilizações do mundo, uma relação que aparenta se estreitar ainda mais nos próximos anos. Quando construída, a futura capital poderá ser um palco ainda maior para o investimento chinês e para o exercício da influência do gigante asiático não somente no país, mas na região do Oriente Médio e do continente africano. Em meio ao deserto egípcio, a China enxergou com certa antecedência um campo fértil de oportunidades para o país. Para o Egito, um grande aliado apareceu tornando mais viável a construção de uma cidade extremamente moderna, baseada em um projeto visionário para solucionar as preocupações com os problemas futuros do país. A nós, vale a pena continuar observando os frutos dessa relação com bastante atenção. A nova capital do Egito pode ainda não ter nome, mas, com certeza, terá em suas fundações um lado bastante chinês.

Por Camila Sakamoto, diretamente de São Paulo, SP, Brasil

Fontes: CNN, The Capital Cairo, G1

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