Mobilidade urbana e o compartilhamento de bicicletas na China

Há uma revolução na mobilidade urbana na China, que não é somente feita através de carros elétricos e trens-bala. As startups chinesas, Mobike e Ofo, estão colocando em evidência um antigo hábito chinês: andar de bicicleta. Ao captarem mais de US$600 milhões em investimentos em parceria com o Alibaba e Tencent, as empresas desenvolveram um sistema inteligente de compartilhamento de bicicletas, também conhecido como bike-sharing, ou ainda, smartbike.

 

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(Imagem by Lutfi Gaos, 2018, Unsplash).

 

Ao contrário de como conhecemos no Brasil, o compartilhamento de bicicletas na China não depende de estação fixa para alugar uma magrela, sendo essa, portanto, a principal inovação do setor de mobilidade urbana. Os serviços convencionais de bike-sharing­ acabam tendo problemas recorrentes, como, por exemplo, estações vazias ou, às vezes cheias (impedindo a devolução); ou ainda estações distantes umas das outras e, muitas vezes, localizadas somente em regiões centrais de maior fluxo. Na China, a vantagem de ter acesso a bicicletas de baixo custo, e uma população já adepta às novidades tecnológicas, proporcionou às startups chinesas a possibilidade de desenvolver um sistema inteligente, que não conta com estações e não precisa prender a bike em lugar algum, pois ela conta com uma tranca com GPS, localizada na roda traseira. Para iniciar a viagem, basta, através do smartphone, acessar o aplicativo da Mobike, Ofo, entre outras prestadoras do serviço, para localizar a bike mais próxima através do GPS. Aí então é feita a leitura do QR Code na tranca, desbloqueando a bike automaticamente.

 

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O aluguel custa, em média, 1 yuan (cerca de R$0,50) a hora. Quando o ciclista encerra o trajeto, basta estacionar a bicicleta e acionar a tranca novamente. Rapidamente houve um crescimento tão grande desta modalidade de transporte, que são facilmente encontradas no cenário urbano cenas como as de abaixo:

 

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(Imagem by Héctor Martinez, 2016, Unsplash).

 

Tal serviço de mobilidade se torna muito conveniente, pois contribui com o trânsito, aliviando o engarrafamento, além do meio-ambiente, ao diminuir a emissão dos gases poluentes. Nicole Nan, vice-presidente sênior da Ofo, fala com orgulho de como a prática contribuiu para o meio ambiente: “A emissão de 2,16 milhões de toneladas de carbono foi evitada com 4 bilhões de viagens que possibilitamos”. A grande quantidade de bicicletas faz com que uma bicicleta seja encontrada em menos de 1 minuto, trazendo muita praticidade, mas também problemas.

Atualmente, há mais de 16 milhões de bikes compartilhadas nas ruas e 130 milhões de usuários registrados nesse serviço. Com isso, ocorreram impactos negativos como vandalismo, o estacionamento de forma inadequada e um grande volume de bicicletas ocupando o espaço público de forma excessiva. Muitos moradores relatam ter transtornos com os bloqueios das ruas e passagens para pedestres, além do visual poluído de bicicletas sem manutenção, jogadas aos cantos.

Tais problemas levantam questões, não apenas relacionadas à mobilidade urbana, mas também sobre a sustentabilidade das próprias bicicletas. Em virtude disso, em algumas cidades, as autoridades chinesas fizeram a apreensão de milhares de bicicletas e impuseram restrições de onde estacioná-las. Ainda, os meios de comunicação na China também denunciam, com imagens colossais, as montanhas de magrelas e o desperdício desse recurso. Por ser um fenômeno recente, nota-se que as pessoas ainda estão descobrindo como administrar a novidade de forma adequada e sustentável.

 

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(Imagem by Charl Folscher, Tianjin, China. Unsplash).

 

Em busca de soluções para esses problemas, o Ministério dos Transportes da China realizou a divulgação de um documento com diretrizes para os municípios e empresas, salientando que administrações locais e as prestadoras dos compartilhamentos de bicicletas devem providenciar os espaços adequados para estacionamento. Foi deifinida ainda a proibição de menores de 12 anos a usar essas bicicletas como meio de transporte. Apesar dos inconvenientes, Hu Weiwei, fundador e presidente da Mobike, afirma que os benefícios das bicicletas compartilhadas superam muito esses problemas, apontando assim como Nicole, as reduções nas emissões de carbono e melhorias no tráfego. Pensando em amenizar os impactos negativos, a Mobike, com o objetivo de incentivar o bom comportamento dos ciclistas, projetou um sistema de pontos que pune usuários que deixam as magrelas em lugares inadequados.

As startups Ofo e Mobike foram estabelecidas em 2014 e 2015, respectivamente, e juntas, as duas startups abocanham 90% da fatia do mercado chinês de bike-sharing. Yu Xin, um dos cinco cofundadores da Ofo, conta que a ideia do serviço inteligente de compartilhamento de bicicletas surgiu entre os colegas da Universidade de Pequim, fazendo um teste com mil unidades dentro das universidades localizadas em Pequim, até se tornar uma gigante. Hoje, a Ofo opera 10 milhões de bicicletas em 250 cidades e 20 países, sendo avaliada em US$3 bilhões e com 62,7 milhões de usuários ativos. Também valendo US$3 bilhões, a Mobike opera em mais de 160 cidades chinesas e está presente em diversos países na Europa, além de iniciar suas operações no Chile no início de 2018.

 

Por Victória Debastiani, diretamente de Shenzhen, China

Fontes: Agência Brasil, Business Insider, Valor Econômico, The City Fix Brasil, Exame

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