A Compra do Milan e os Investimentos Chineses no Futebol Europeu

O AC Milan foi finalmente vendido para o grupo de investimento chinês Rossoneri Sport Investment Lux, no dia 13 de abril, após dois anos de intensas negociações. O grupo de investimento, chefiado pelos empresários chineses Yonghong Li e Han Li, comprou o AC Milan, um dos principais clubes da Itália, por 740 milhões de euros. Pela primeira vez em 31 anos, o clube mudará de mãos, uma vez que o ex-primeiro ministro italiano, Silvio Berlusconi, vendeu suas ações, cerca de 99,93%, aos investidores chineses.

 

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No dia 13 de abril, Berlusconi fechou a venda do AC Milan para um grupo de investimento chinês por 740 milhões de euros

 

O AC Milan                                                                        

O Associazione Calcio Milan, mais conhecido como AC Milan, ou apenas Milan, é um dos principais clubes de futebol da Itália e da Europa, e, atualmente disputa a Série A do Campeonato Italiano. Juntamente com a Internazionale, o Milan é a segunda equipe com mais conquistas no Campeonato Italiano, com 18 títulos. É, também, o segundo clube da história com mais conquistas na Liga dos Campeões da UEFA, tendo sido campeão sete vezes. O Milan ainda possui três títulos da Copa Intercontinental e o título do Mundial de Clubes da FIFA de 2007.

 

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O ex-primeiro ministro da Itália, Silvio Berlusconi, foi o dono e presidente do AC Milan entre 1986 e 2017

 

Sob a administração de Berlusconi, o AC Milan ganhou 29 troféus, entre eles, cinco das sete taças da Liga dos Campeões da UEFA. O clube, que começou como clube de críquete, foi fundado em 1899 por três britânicos e, em 1986, foi adquirido por Berlusconi. Nos próximos 20 anos, sob sua administração, o Milan iniciou sua Era Dourada e tornou-se um dos maiores vencedores da história do futebol mundial. Ao longo da história, 29 jogadores brasileiros jogaram pelo clube, entre os quais, 23 foram contratados por Berlusconi. Entre eles, podemos citar, por exemplo, Thiago Silva, Leonardo, Dida, Cafu, Kaká e José Altafini.

 

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Sob a administração de Berlusconi, o Milan viveu uma fase de ouro, ganhando 5 títulos da Liga dos Campeões

 

Atualmente, o Milan vem lutando e não passa de uma sombra do sucesso e das vitórias da equipe vencedora da Liga dos Campeões há 10 anos. Este ano, o clube não disputa a Liga dos Campeões devido a um amargo sétimo lugar na Série A do ano passado, e não conseguiu substituir antigas estrelas de seu elenco, como Andriy Shevchenko, Gennaro Gattuso e Alessandro Nesta.

 

A negociação de compra do AC Milan

A venda foi anunciada ainda em maio de 2016, mas foi adiada por duas vezes devido a problemas e complicações referentes ao financiamento do clube. No dia 13 de abril, um anúncio sobre a venda foi feito pela Fininvest, a ‘holding’ de Silvio Berlusconi, e o Rossoneri Sport Investment Lux, através da página oficial online do AC Milan.

Segundo a nota oficial, o clube foi avaliado em 740 milhões de euros, valor que inclui a dívida do clube avaliada em 220 milhões de euros, em 30 de junho de 2016 e mais 90 milhões de euros para outros custos de financiamento. Além disso, o acordo exige que os investidores gastem 350 milhões de euros durante três anos em melhorias. Os compradores, por sua vez, confirmam seu compromisso e intenção de fazer aumentos significativos de capital e injetar liquidez no clube.

 

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A Internazionale, o maior rival do Milan, também foi vendida a um grupo de investimentos da China: o Suning Commerce Group

 

Silvio Berlusconi disse ao La Gazzetta dello Sport que “o Milan já escolheu seu caminho para a China” e que “a decisão de vender o AC Milan para alguém capaz de torná-lo um protagonista na Itália, na Europa e também no cenário internacional é muito importante”. O ex-primeiro ministro italiano também declarou através da página online do Milan que vende o clube “com dor e emoção, mas com o conhecimento de que no jogo moderno, para competir no mais alto nível dos campeonatos europeu e mundial, são necessários investimentos e recursos que uma única família não é capaz de suportar”.

O acordo, o maior investimento chinês em um clube europeu, segue a compra do maior rival do AC Milan, a Internazionale, no ano passado, também por outro gigante investidor chinês: o Suning Commerce Group. A propriedade dos direitos de transmissão da Série A também pertence a uma empresa chinesa.

 

Os investimentos chineses no futebol europeu

Atualmente, a China é o maior investidor estrangeiro do futebol europeu, ultrapassando os americanos, os russos e os árabes. Primeiro chegaram os russos, liderados pelo magnata do petróleo Roman Abramovich em 2003, com a compra do inglês Chelsea. Depois, chegaram os investimentos do Sheik Mansour, em 2008, com a compra do também inglês, Manchester City. Mais recentemente, chegaram os investimentos chineses, que em dois anos conseguiram controlar, direta ou indiretamente, mais clubes estrangeiros que qualquer outro país do mundo.

 

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Em apenas dois anos, a China passou a liderar os investimentos internacionais nos clubes de futebol da Europa, ultrapassando os Estados Unidos, a Rússia e os árabes

 

A China ganhou destaque nos noticiários esportivos do mundo todo graças às compras de jogadores de futebol para a sua recém-criada Super Liga. De acordo com um recente relatório da FIFA, em 2016, os chineses investiram 1,4 bilhão de reais, subindo da vigésima posição no ranking mundial de compradores para a quinta posição. No entanto, os gastos com jogadores para o campeonato chinês nem se comparam às compras de clubes: os chineses já investiram o quíntuplo na compra de clubes de futebol, em especial, em clubes europeus. Foram mais de 6,3 bilhões de reais em participação em clubes da Espanha, França, Inglaterra, Itália, Holanda e República Tcheca.

Essa determinação da China em investir pesadamente no futebol se deve não só ao retorno financeiro ao país, sendo uma opção viável e patriótica de investimentos no exterior, mas também pelo projeto do governo de Xi Jinping de tornar a China um dos países mais importantes do futebol mundial até 2050. Esse plano do governo chinês inclui focar o ensino de vinte mil escolas primárias no futebol, construir, no mínimo, dois campos profissionais de futebol em cada cidade, duplicar a quantidade de árbitros e criar ligas amadoras nas cem maiores cidades do país. Em busca desse protagonismo no mundo do futebol, além dessas iniciativas, a China criou a Super Liga Chinesa e investe pesadamente na compra de jogadores e clubes. Assim, a compra do Milan, bem como de vários clubes de futebol da Europa, faz parte da estratégia chinesa para transformar-se, até 2050, em uma potência do futebol mundial.

 

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Por Ana Yamashita, diretamente de Americana, SP, Brasil

 

Fontes: ACMilanBrasil.com.br; Quattrotratti.com; ESPN; ACMilan.com; Observador; The Independent; Daily Mail; Finance Football; Forbes

 

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