Mercado de trabalho na China: Transformações e avanços

Dados recentes demonstram um aumento considerável dos salários de trabalhadores nas indústrias chinesas, que os colocam a frente de países da América Latina, como o Brasil. Tais números seriam considerados como um indicativo das transformações do mercado de trabalho na China nos últimos anos. Mas quais são essas mudanças?  E quais serão os desafios futuros relacionados ao trabalho no gigante asiático? Saiba mais com este artigo!

 

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A média de salários dos chineses triplicou nos últimos anos, como resultado de uma economia que só cresce.

 

Transformações do mercado de trabalho na China

Recentemente, a empresa de consultoria Euromonitor International publicou os últimos dados sobre as médias salariais na indústria de diversos países do mundo. De acordo com os números, foi possível observar que o mercado de trabalho na China sofreu algumas transformações, marcadas por um considerável avanço dos salários pagos no país. É possível observar o quanto tais números foram significativos quando comparados aos salários recebidos em outros países durante o mesmo período de tempo.

 

O aumento salarial na China

 

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Qual é a média salarial na China?

 

Quanto recebe um trabalhador chinês?
A Euromonitor realizou uma compilação de dados fornecidos pela OIT (Organização Internacional do Trabalho), pela Eurostat ( agência de estatística da União Europeia) e de outras agências nacionais de estatísticas. Os números obtidos foram então convertidos em dólar americano (US$) e ajustados pela inflação (mas não levam em consideração os diferentes custos de vida entre os países).
Assim, segundo esses dados, os salários médios por hora da indústria chinesa triplicaram durante o intervalo de tempo de 2005 a 2016. Se o salário médio do trabalhador chinês girava em torno de US$ 1,20 por hora em 2005, no ano passado, essa quantia já atingia o valor de US$ 3,60 a hora. Um crescimento muito considerável.

Hoje, em 2019, o salário mínimo dos chineses não é fixo, mas podemos dizer que a média entre as províncias é de US$3,60/hora. Com uma jornada de 40 horas semanais, o trabalhos receberia US$576,00. Com a cotação atual do dólar em relação ao real, esse valo seria cerca de R$2.150,00. Considerando o menor custo de vida da China, é possível enxergar como o poder do consumidor atual no desenvolvimento econômico do país.

 

Trabalhador chinês ganha mais que o brasileiro

 

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Obra “Operários” (1933), de Tarsila do Amaral, um dos principais nomes do Modernismo brasileiro.

 

Se no período considerado (2005 -2016) a média salarial na China triplicou, em muitos países houve uma queda substancial. Considerando o mercado de trabalho da China atualmente, o salário por hora no gigante asiático já supera a média paga em todos os países da América Latina, com exceção apenas do Chile.

Para se ter uma ideia, no mesmo período, a média no México que era de US$ 2,20 por hora em 2005, caiu para US$ 2,10 em 2016. Já no Brasil, os números caíram de US$ 2,90 em 2005, para US$ 2,70 em 2016. Ou seja, um trabalhador na indústria chinesa, atualmente, ganha, em média, mais que um brasileiro.

Mas os avanços numéricos notados no mercado de trabalho na China são substanciais não somente quando comparados aos latino-americanos. Os valores alcançados recentemente pelos chineses já representam 70% das médias salariais encontradas nas zonas do euro tidas como “mais fracas”, se aproximando muito rapidamente dos valores associados a países como a Grécia, Romênia e Portugal. Os portugueses, por exemplo, sofreram uma grade queda, tendo a média de salário industrial por hora no país despencado de US$ 6,30 em 2005, para US$  4,50  em 2016. Assim, Portugal fica agora abaixo de alguns índices encontrados no Leste Europeu e apenas 25% maior quando comparados aos dos chineses.

As quedas vistas nessas regiões vêm sendo relacionadas aos problemas econômicos desses países nos últimos anos, que acabaram por influenciar na estagnação e na queda dos índices salariais em tais mercados de trabalho. Mesmo considerando tais fatores, os avanços numéricos entre os chineses é um fator indiscutível para a diferença salarial entre os países. Até mesmo a Índia, que tem vivido um crescimento econômico acelerado nos últimos anos, teve sua média salarial estagnada na indústria desde 2007 – US$ 0,70 a hora. Ou seja, realmente é possível observar o avanço salarial no mercado de trabalho na China.

Desmistifique seu conhecimento sobre a mão-de-obra chinesa com nosso vídeo que aborda temas como salário mínimo, “vale alimentação” e condições trabalhistas dos chineses:

Hoje com o título de maior potência econômica do mundo, o gigante asiático investe em políticas de desenvolvimento econômico e social, que resultam diretamente no aumento dos salários, maior qualificação da mão-de-obra, mais direitos trabalhistas e, principalmente, aumento do poder de compra dos chineses.

 

Fatores envolvidos e o futuro dos avanços no mercado de trabalho da China

 

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Mesmo com o aumento salarial, a China continuará com diferenciais positivos para as empresas.

 

Os avanços salariais no mercado de trabalho da China nos últimos anos vêm sendo associados aos progressos do país para melhorar a vida de sua enorme população, de aproximadamente 1,4 bilhão de habitantes. Acredita-se que esse aumento é uma maneira de se encontrar um “reequilíbrio”, uma forma de aumentar o poder de consumo da população.

Esse aumento salarial ainda não seria possível sem o acelerado crescimento econômico do país na última década, na qual desbancou o vizinho Japão. Em cerca de 40 anos a China passou de ser um país essencialmente agrário e exportador para uma economia de mercado consumidor concorrido e as mais avançadas tecnologias do mercado.

O fator do câmbio também influenciou positivamente sobre os índices dos salários dos trabalhadores chineses, já que o yuan se valorizou nos últimos anos, em oposição à depreciação das moedas do México, Brasil e Argentina, por exemplo.

O “boom” salarial na China foi percebido por especialistas principalmente após a entrada do gigante asiático na Organização Mundial do Comércio (OMC)  em 2001, quando o país foi se integrando melhor à economia global. E, segundo um analista da Euromonitor, os níveis de produtividade do mercado de trabalho da China vêm crescendo ainda mais rápido que os salários. Assim, mesmo com o aumento dos custos de uma empresa em contratar trabalhadores chineses, tendo em vista o crescimento da média salarial no país, outros fatores ainda trarão benefícios às indústrias estabelecidas nos país asiático. Além da produtividade elevada, o enorme tamanho do mercado consumidor chinês deve ser visto como um diferencial positivo para as empresas que analisam a situação do gigante asiático.

Ou seja, ainda vale – e muito – a pena para as indústrias estarem localizadas na China – benefícios que ainda são especulados para permanecer a longo prazo. A previsão de especialistas aponta que, em 2020, a China, sozinha, irá representar cerca de 20% do mercado de vários setores da economia, algo compatível aos tamanhos associados à América do Norte ou à Europa Ocidental. Comparada aos companheiros dos chamados BRICS, a China ainda lideraria nesse futuro, superando, em muito, as previsões feitas para a Índia, de 4,8%, e para o Brasil, de 3,3%, por exemplo.

 

Desafios do mercado de trabalho na China

 

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A distribuição salarial no mercado de trabalho na China ainda é desigual.

 

Alguns analistas afirmam a ideia de que o aumento da produtividade dos trabalhadores chineses poderá aumentar ainda mais os salários na indústria do país asiático nos próximos anos. A elevação salarial na China ainda poderia causar a perda de empregos para países em desenvolvimento que estivessem dispostos a reduzir salários, ou seja, que apresentassem uma mão-de-obra mais barata.


Além disso, mesmo considerando que os salários médios no país vêm crescendo em toda a economia chinesa, a distribuição salarial vem sendo desigual na China. Ou seja, mesmo com o aumento para os chineses em geral, ainda haverá maior concentração de renda no país. Apesar dessa concentração de renda, o presidente Xi Jinping afirmou recentemente que a China erradicará sua pobreza em 2020. 

 

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A queda de investimentos nos setores de siderurgia e carvão levaram à realocação de milhares de chineses em 2017.

 

Uma outra transformação no setor industrial chinês foi o realocamento de trabalhadores das indústrias siderúrgicas e de carvão em 2017, devido aos cortes realizados nesses segmentos. O governo, que afirma já ter realocado 726 mil chineses somente em 2016, em 2017 realocou cerca de 500 mil chineses. O principal meio escolhido seria através do investimento no desenvolvimento de novas indústrias, principalmente as relacionadas à internet, o que iria gerar novos empregos.

Outro fator considerado como um dos principais desafios futuros para o mercado de trabalho na China é o fator demográfico. O envelhecimento da população chinesa, que, consequentemente, marcaria a redução na força de trabalho, é uma grande preocupação para o governo, e poderá levar a uma maior pressão por salários elevados nos próximos anos.

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Guolaosi: morte por excesso de trabalho

Um problema ainda considerado muito nebuloso é o que relaciona o trabalho à saúde.  Você provavelmente já ouviu falar da versão japonesa desse termo. O chamado guolaosi é o fenômeno da morte pelo excesso de trabalho. Isso mesmo! Na China,  de acordo com um órgão estatal, há estimativas de 1.600 mortes causadas por se trabalhar demais a cada dia, ou seja, cerca de 600.000 mortes por ano! E tal fenômeno não é uma preocupação de exclusividade chinesa, mas também está sendo cada vez mais comum em economias consideradas emergentes, como a Índia e a Coreia do Sul.

Mas engana-se quem pensa que países já tidos como “desenvolvidos” estão isentos desses casos: o vizinho Japão, onde a morte por excesso de trabalho é chamada de korashi, vê o problema com tamanha gravidade que deu início a alianças entre o governo e empresas para projetos que minimizem essas ocorrências em seu território. O guolaosi, ou a versão japonesa korashi, tem sido visto ainda como uma prática de raízes culturais, onde se é comum ver como necessário o “trabalho duro”. A prática aparenta ser ainda mais comum com os avanços da economia chinesa nos últimos anos, o que gera mais um desafio para o gigante asiático.

 

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Guolaosi é o nome dado à morte por excesso de trabalho na China.

 

É inegável a ascensão chinesa na economia mundial na última década: o apelido de gigante asiático não passa despercebido. As transformações econômicas não poderiam se limitar apenas ao montante  de suas receitas nacionais, mas ultrapassaram tais cifras para causar efeitos também em sua população, e, também, em seu mercado de trabalho. A ideia de mão-de-obra em grande quantidade e extremamente barata já não é mais tão adequada aos chineses. Embora ainda mantenha-se longe dos salários das consideradas potências desenvolvidas, é notável seu aumento nos últimos anos.

Com a alta salarial, a China não deve ser descartada como prioridade diante dos interesses empresariais, já que suas particularidades, sejam elas demográficas, econômicas ou sociais, são garantidas como um imenso leque de possibilidades para o sucesso no mundo dos negócios. Mas o progresso em uma área não necessariamente garante ausência de pontos negativos: uma maior desigualdade social e econômica, uma cultura de trabalho excessivo e as preocupações com o envelhecimento da população são os desafios importantes a serem considerados pelos chineses.

 

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A população chinesa está envelhecendo. Fonte: Daxue Consulting

 

Será que o enriquecimento do país como um todo será melhor redistribuído entre sua população? As transformações do mercado de trabalho avançarão de maneira a garantir cada vez mais melhorias individuais? Como tais questões serão encaradas pela China?


A única certeza é a de que o gigantismo do país já ultrapassou há tempos as barreiras da Ásia: os olhos do mundo miram para a China. E você, o que acha sobre os avanços do mercado de trabalho na China? E sobre os desafios dos próximos anos?

 

RemunerFonte: Folha de São Paulo, Exame, BBC, The New York Times, Previdência Simples

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