Hong Kong: venha conhecer a China britânica!

Pra ir de Bangkok a Nova Delhi usando a passagem de volta ao mundo era necessário fazer escala em Hong Kong. Um pouco estranho, afinal é totalmente fora da rota, mas regras são regras e nós não poderíamos desperdiçar a oportunidade de conhecer um pedacinho da China. Resolvemos então sair do aeroporto e passar o fim de semana por lá.

Dormindo no aeroporto

Depois de ler que o aeroporto de Hong Kong é um dos melhores do mundo pro viajante sem grana que quer economizar com hotel – lembra do site sobre dormir em aeroportos? -, organizamos nosso voo pra chegar lá tarde da noite de sexta e o outro pra sair de manhã cedo, segunda-feira. Poderíamos dormir no aeroporto tanto na chegada quanto na saída e ainda teríamos uma pra dormir na cidade.

Já no aeroporto sentimos a diferença radical entre Hong Kong e Bangkok. No banheiro, tudo automatizado. O aeroporto é enorme, com esteiras rolantes pra lá e pra cá, tudo super moderno. Tem trem para ir de um terminal a outro, mas pra falar a verdade nós não estávamos entendendo muita coisa, só seguimos as outras pessoas. 

Imigração tranquilíssima, carimbo de 90 dias no passaporte sem precisar responder a nenhuma pergunta (carimbo em chinês, muito fofo!). E lá vamos nós pegar as malas. Putz, assim como quando dormimos no aeroporto de Cingapura, nos arrependemos de ter malas pra pegar pois a área de trânsito aqui também é muito mais confortável.

No saguão principal vimos inúmeras pessoas com a mesma ideia que a gente, demoramos um pouco até achar um lugar mais reservadinho e perto de uma tomada – eu ainda passaria várias horas no computador em busca de um hotel e de coisas pra fazer no nosso fim de semana em Hong Kong. Ah sim! Esse aeroporto tem internet grátis!!

Dormir aqui foi bem melhor do que em Cingapura e eu faria de novo na boa.

Ao acordar fomos presenteados com uma vista linda da nossa ‘cama’: o sol nascendo alaranjado entre as montanhas ao lado da lua cheia. Uau. E eu nem sabia que Hong Kong era tão montanhosa.

Muito melhor do que isso foi a nossa última noite no aeroporto

Voltamos no domingo fim de tarde torcendo para que deixassem que a fizéssemos o check in com tanta antecedência – o voo era só no dia seguinte de manhã. As funcionárias da Cathay Pacific foram hiper gentis, despacharam nossas malas e nós passamos para a área de trânsito.

A partir daí comecei a me sentir a pessoa mais VIP do mundo. Passando os portões o aeroporto se transforma em outro mundo, com vários restaurantes, lounges/bares com sofás confortabilíssimos, massagem, área de leitura, sala de tv e área de descanso. Tudo isso com internet grátis.

Passei horas conversando com a família no Brasil e dormi em uma espreguiçadeira deliciosa usando meu saco de dormir como coberta. As luzes até ficaram mais baixinhas de madrugada! Sinceramente, quem precisa de hotel?

Dormi em uma espreguiçadeira deliciosa usando meu saco de dormir como coberta. As luzes até ficaram mais baixinhas de madrugada! Sinceramente, quem precisa de hotel?

Aprendemos a lição: da próxima vez que quisermos passar a noite no aeroporto marcaremos o voo para sair de manhã cedo. Ou até melhor do que isso, viajaremos com apenas bagagens de mão! 

Sábado na Península de Kowloon

Descobrimos que os hotéis mais baratos ficam em Kowloon, que faz parte de Hong Kong mas fica na península, na parte continental da China, e não na ilha de Hong Kong em si. De manhã separamos duas mudinhas de roupa na mochila pequena e deixamos todo o resto da tralha no guarda-volumes do aeroporto, pegamos o trem de dentro do aeroporto direto para Kowloon. O sistema de metrô/trens de Hong Kong é ótimo, bem fácil de usar.

Lá fomos nós seguindo as direções que encontramos no Hostel World. Só achamos estranho que vários hotéis pareciam estar no mesmo endereço. (?)

Chegando ao nosso escolhido, o Li’s Hostel, entendemos tudo. No mesmo prédio ainda estavam outros hostéis, cada um ocupando um andar diferente. Imagine como são os elevadores num lugar desses! Por sorte o nosso era no terceiro andar, então usávamos as escadas.

O preço do quarto era 250 Hong Kong Dolars (aprox. US$ 32), um dos mais baratos que encontramos.  A impressão inicial não foi das melhores. A recepção parecia algo clandestino e meio sujo. Mas o quarto, apesar de pequeno – a porta mal abria -, surpreendeu. Era limpo, a cama confortável, o banheiro dentro do quarto tinha até banheira e no quarto tinha televisão com Sky! Super luxo pros nossos padrões de viagem.

Passamos o dia passeado por Kowloon, que é também a região mais populosa de Hong Kong. Fomos a vários bairros usando o metrô e caminhando, visitamos mercados ao ar livre que tinha todo tipo de bugiganga imaginável intercaladas com lojas vendendo frutos do mar secos, que tem um cheio horrível. Em outro bairro vimos lojas imensas de eletrônicos e marcas famosas.

Comprar joias é tão comum em Hong Kong que o tal panfleto até explica como o turista deve proceder para verificar se a pedra é verdadeira.

Muitas joalherias, com vitrines super lindas. Entendemos por que no aeroporto tinha um panfleto-guia de como e onde comprar joias por aqui. Várias pessoas vem para Hong Kong exclusivamente para comprar joias, são muito baratas. Pulseiras trabalhadíssimas de ouro, pedras como diamantes e rubis enormes, vimos de tudo em várias vitrines, na rua mesmo, com preços inacreditáveis. Se tivéssemos deixado pra comprar nossas alianças aqui teria saído ainda mais barato do que foi em Bangkok. Comprar joias é tão comum em Hong Kong que o tal panfleto até explica como o turista deve proceder para verificar se a pedra é verdadeira.

As ruas de Kowloon são muito legais, a região é mais pobre do que a ilha e parece ter menos influência inglesa. Muita gente nas ruas, muita coisa acontecendo, a maioria das pessoas falando chinês.

hong kong

Se andar na calçada se prepare para se molhar, o ar condicionado dos prédios está sempre pingando! Em alguns momentos pensávamos que estava chovendo, mas o sol estava lá no céu, bonitinho. Quero dizer, não tão bonitinho assim… o dia parece estar sempre meio nublado em Hong Kong…

Bruce Lee and the Symphony of Lights

Todas as noites, às 20hs, acontece em Hong Kong a Symphony of Lights (Sinfonia das Luzes). A apresentação multimídia, que já foi para o Guinness como o maior show de som e luz do mundo, consiste em 44 prédios sincronizados, tanto na ilha de Hong Kong quanto em Kowloon, acendendo suas luzes e disparando raios laser em sincronia com a música clássica que toca nos auto-falantes ao longo da orla.

O melhor lugar para assistir, sem gastar, é do lado da península mesmo, pois a maioria dos prédios participantes ficam do lado oposto, na ilha. Mas se quiser gastar um pouco mais, tem vários barcos que fazem mini cruzeiros durante o evento, deve ser legal estar no mar e ver os dois lados.

hong kong

Nós ficamos em terra firme e chegamos cedo pra pegar um lugar bom. Enquanto não começava tiramos fotos com a estátua do Bruce Lee, pra quem não sabe ele era de Hong Kong, tomamos sorvete e praticamos muito “people watching“, num lugar mistureba como Hong Kong é divertidíssimo!

O show começou e foi incrível! As luzes dos prédios dançam!! A música fica bem alta e dá a sensação que a gente está dentro de tudo aquilo. Lindo lindo, super recomendo. E o melhor: tudo free

Domingo em Hong Kong

The Peak

É o ponto mais alto da ilha. Pra chegar lá é preciso pegar um funicular que chega a 48 graus de inclinação, isso é muito inclinado! O caminho é longo e olhar pela janela dá a sensação de que são os prédios que estão tortos. Achei bem legal. 

Na Peak Tower está o museu de cera Madame Tussauds e do lado de fora, como atrativo, uma estátua de cera adivinhe de quem? Bruce Lee! Ele está por tudo!

Compramos um ingresso de HKD 48 (US$ 6,20), que dava direito a subir até a Sky Tower Terrace, o ponto mais alto.

hong kong

hong kongA vista lá de cima deve realmente ser maravilhosa, se não fosse a poluição. Lembra que falei sobre parecer que está sempre nublado em Hong Kong? De cima da torre dá pra entender bem o problema, do lado de onde deveria dar pra ver a baía e os barcos, nós só víamos uma grande neblina. Ingenuamente nós achamos que era neblina mesmo, mas encontramos um brasileiro lá em cima, que morou muitos anos em Hong Kong. Ele nos explicou que há alguns anos atrás isso não era assim, que essa poluição vem da China continental. Eu imagino que o fato da ilha ser montanhosa deve contribuir para segurar essa poluição justo aqui em cima. Triste, porque o lugar é lindo. Muito mais lindo do que eu imaginava antes de vir.

O The Peak também tem outros atrativos, lojas, restaurantes, trilhas pelo morro, além de ter na parede uma exposição de fotos antigas e uma linha do tempo contando a história da colonização britânica. Vale a visita.

Passear pelo centro de Hong Kong é uma experiência completamente diferente de Kowloon. Aqui os prédios, todos bem altos, não pingam. É tudo super moderno, avenidas largas. Os ônibus tem dois andares, como os de Londres mas mais modernos.

Beach time – Repulse bay

Como estamos em uma ilha, resolvemos dar um pulinho na praia. Andamos muito até achar o terminal de ônibus e mais ainda dentro do terminal até achar o ônibus que deveríamos pegar para Repulse Bay. Foi legal ficar andando pelo centro, vimos até um casal de noivos super fofos e eu lembrei das nossas alianças tailandesas que ainda estavam na caixinha (eu queria esperar por um momento romântico pra começar a usá-las hehe).

hong kong

hong kongO trajeto do ônibus até a praia é super lindo. Por causa das montanhas passamos por regiões sem nenhuma construção, tudo verde, coisa rara por esses lados daqui. Descendo o morro passamos por várias praias e o motorista nos avisou onde deveríamos descer – não que ele falasse inglês, mas nós nos entendemos muito bem! 

Repulse Bay é uma praia bonita e bem tranquila. Nem poderia ser diferente, a coisa que mais se vê por aqui são sinais de proibido. É proibido mergulhar, soltar pipa, pescar, andar de bicicleta, surfar, jogar bola, cachorro, tudo! Ué, não tem nada pra fazer nessa praia então? A não ser que você tenha um bom livro, acho que não.

Na outra ponta da praia está o Kwun Yam Shrine. Um tipo de templo com várias imagens de deuses e santos no melhor estilo chinês. Foi uma das coisas mais legais que vimos em Hong Kong, cada parte do templo tem um significado que geralmente está escrito na entrada, cheios de superstição. Adoro essas coisas! Como não sou boba fiz questão de caminhar por cima da Ponte da Longevidade e adicionar mais três anos à minha vida. 

A esse ponto já estávamos exaustos e fomos para o aeroporto, mais um ônibus, mais uma caminhada e mais um trem.

Hong Kong ainda tem inúmeras outras atrações que nós não visitamos, eu fiquei querendo ter reservado mais tempo pra passar aqui. Tem o Buda Gigante, que eu queria muito ver mas é uma mega escadaria pra subir e não ia rolar a essa hora. Tem as outras ilhas, Lantau e Macau, tem museus, parques de diversões – incluindo a Disney, entre outras coisas.

Hong Kong me surpreendeu, talvez porque eu não tivesse muitas expectativas, mas gostei muito e super recomendo.

hong kong

Dicas

  • Por ser ex-colônia britânica é muito fácil se virar por aqui e encontrar quem fale inglês
  • Apesar de fazer parte da China, Hong Kong ainda tem administração totalmente separada do continente. A moeda é outra e o serviço de imigração também. Para entrar na China continental é preciso tirar visto antecipado
  • Tsim Sha Tsui é a região de Kowloon com a maior concentração de hotéis baratos e é pra onde a maioria dos mochileiros vão
  • Nós nem precisamos comprar um guia, os panfletos que pegamos no aeroporto explicavam tudo muito bem, o que fazer, pra onde ir, como chegar, quanto custa..
  • Compras: vale muito a pena ter uma graninha no bolso para joias e eletrônicos
  • Quando fomos era primavera e estava muito calor, 28 graus todos os dias, mas não é insuportável como Cingapura
  • Quando for ao restaurante, se vier uma sopa de acompanhamento, preste atenção se não tem um pé de galinha dentro
  • Aqui também tem Bread Talk 

No avião da Cathay Pacific, voando da China para a Índia, cansamos de esperar o momento ideal e decidimos começar a usar as alianças. Melhor fazer isso antes que a gente as perca! Ainda acho muito brega chamar um ao outro de ‘noivo’, mas que a aliança ficou bonitinha na mão, isso ficou. 

Fonte: No Place Like Here

10847816_881694195220533_5990763717309773799_n

Por Wlly Camara – Direto de São Paulo – SP, Brasil.

www.chinalinktrading.com

 Acompanhe novidades no: www.facebook.com/ChinaLinkTrading

Se você precisar de qualquer apoio para começar a importar da China ou melhorar a sua operação aqui na Ásia, podemos apoiá-lo na busca de fábricas chinesas capazes. Nós fazemos a  procura de fornecedores chinesescontrole de qualidade e carregamento da carga para você em qualquer lugar na Ásia. Consulte nosso site para mais informações.


Veja Também


Deixe seu comentário