Golpe do Alibaba e possíveis perdas na importação

Golpe do Alibaba: o que fazer para não cair no golpe da importação?

Quem nunca ouviu falar de Ali Babá e os Quarenta Ladrões que atire a primeira pedra ou que tente uma Abre-te Sésamo…  Ao longo da nossa história esse conto árabe povoou nossa fértil imaginação levando-nos a passagens fantásticas, reviravoltas mirabolantes e um desfecho com final feliz. Mas, infelizmente, na vida real, nem sempre esse desfecho se dá favorecendo os “mocinhos” da história. 

Bem recentemente, em novembro de 2020, um empresário aqui do Brasil sofreu um golpe conhecido do Alibaba perdendo uma média de 120 mil reais. E entenda… quando falamos de perder esse dinheiro significa haver pouca ou nenhuma chance de recuperá-lo, ou pelo menos (como você perceberá ao longo do texto) a inviabilidade financeira para conseguir o ressarcimento desse investimento.

O CASO

Então vamos ao caso: esse empreendedor, representante de uma empresa de médio porte, já estava acostumado com as compras nacionais e a importar da Europa, e estava começando a fazer negociações com a China entendendo que o mercado Asiático expansivo se tornara promissor.


A compra a ser realizada era de uma matéria prima chamada ZAMAK, uma liga de metal que a exemplo do zinco pode ser derretido e fundido em outros tipos de peças. Como qualquer empresa faz, realizaram a cotação em algumas empresas, encontraram alguém que fizesse uma auditoria, ou seja, que atestasse a existência da empresa e acabaram fechando essa negociação que lhes pareceu a melhor opção. Pagaram os 30% da China, a produção ficou pronta e pagaram os 70% restante, até aí tudo bem. 

Neste momento começaram os problemas:  a fábrica inicia dizendo que não podia mais vender o produto pelo valor inicial uma vez que o material havia sofrido uma elevação de preço. O comprador aceitou a negociação e pagou, porém uma nova condição foi imposta, para que fosse realizado o transporte do produto, a contratante deveria aceitar o frete que a empresa oferecia e novo valor foi solicitado para a finalização da importação. Novamente a empresa pagou a diferença. E a cada “avanço” da negociação surgiam novos valores e taxas até o momento em que a empresa brasileira cansou e deu um ultimato: Queremos nossa mercadoria. Moral da história? A empresa chinesa cancelou todas as formas de contato parando totalmente de responder a quaisquer meios e tentativas de comunicação.

O triste fim de nossa história se dá dois meses após o início das cotações, onde a empresa, voltando à estaca zero, teve que realizar uma nova busca, agora encontrando uma intermediadora  ou entidade que fornecesse o aporte necessário para poder reaver o investimento que haviam realizado. Nesse período já haviam perdido os aproximados 20 mil dólares investidos que transformando em reais hoje estaria em uma média acima de 110 mil reais.

Até esse momento você leitor e eu já ficamos angustiados ao perceber o golpe que essa empresa sofreu e surgem as perguntas: não tem como reaver esse dinheiro? Processar a empresa? E a resposta é mais do que óbvia! Claro que tem. Mas como toda boa história, temos um porém, vamos lá… 

Para que reaver o investimento será necessário: contratar um advogado internacional; o escritório de advocacia especializado em comércio exterior teria que buscar um advogado na China; todos os documentos deveriam ser traduzidos de forma juramentada para que as duas línguas se comuniquem; a empresa e seus representantes deveriam ser localizados… 

Cotando apenas esses itens, por baixo acabaria empatando com o valor da compra realizada, ou seja, a empresa estaria gastando duas vezes o produto que tentou adquirir. Para uma compra de grande porte, essa movimentação com advogados e processos compensaria desde que os valores investidos ultrapassassem muito o valor da compra inicial. Para outra empresa de menor porte muito provavelmente arcar com outros 110, 120 mil reais se torna absurdo ou inviável.

Então, como realizar uma compra, ou uma pesquisa de compra correndo menos riscos?

1º – Verificar o nome e a fundação da empresa (essa empresa que “vendeu” o produto havia sido aberta alguns meses atrás, logo, quanto mais nova, menos credibilidade ela pode passar);

2º – Cuidado com a região da China com a qual você quer fechar negócio, o Norte/Nordeste do país tem diversas empresas especializadas em aplicar esse tipo de golpe. 

3º – Matéria prima é um dos produtos que mais sofrem com os golpes aplicados por empresas trapaceiras;

4º – Realize sempre uma busca sobre o nome da empresa, essa de nossa história já havia aplicado o mesmo golpe em diversas partes do mundo, logo, compensa fazer uma busca simples para averiguar a idoneidade da empresa a ser contratada;

5º – E aqui (#ficaadica), essa empresa até arranjou alguém para fazer uma inspeção da empresa e do produto, porém não era uma pessoa especializada nesse tipo de negociação, o amigo do amigo que estava na china foi até a exportadora, tirou foto do escritório, do galpão de estoque, mas não realizou uma vistoria adequada ao processo de importação e exportação. Enfim, não se faz o pagamento de 70% do seu produto sem que haja uma inspeção presencial para verificar se está tudo pronto, para analisar o contrato (os contratos chineses são muito bem redigidos).

Agora, se você é um novo importador, está começando ou quer expandir suas negociações para a China, a melhor forma de pensar é: leia com atenção nossas dicas acima e contrate uma empresa que esteja acostumada com esses trâmites, que esteja preparada para fazer todo o levantamento citado e somente após realizar as cinco averiguações e tantas outras quantas possíveis, feche negócio. Estatisticamente falando, pelo menos uma vez por mês uma empresa cai num golpe como esse, portanto, pense bastante, analise bastante e fuja de ser mais uma vitima do Alibaba ou dos Quarenta Ladrões. 

Se gostou das dicas, ficou em dúvida ou tem algo a acrescentar, fale conosco.


Veja Também


Deixe seu comentário