Expatriado – O que é Diferente?

A China em quase todos os casos de comparação com outros países é um ‘caso a parte’. Seja por conta dos costumes, do frenético desenvolvimento, da história conturbada e milenar ou pela própria cultura. E não poderia ser diferente em relação å expatriação.

E essa história começou há duas décadas quando alguém pensar em vir conhecer a China, era considerado louco, o que dizer sobre morar, trabalhar ou estudar nesse país. Por isso as ofertas de emprego para os estrangeiros eram verdadeiras fortunas. Quase como ganhar na loteria, passar alguns anos vivendo como “rei” e depois voltar para casa com uma gorda conta bancária.

Bom, naquela época, esse “viver como rei” era relativo, já que não se encontrava produtos básicos para a sobrevivência ocidental como papel higiênico e fio dental, só para ficar no básico mesmo. Da alimentação nem vou falar. Então se ganhava uma pequena fortuna, vivia-se em mansões de 600 a 1000m2, despesas de alimentação, aluguel, motoristas, empregadas, babás, escola internacional e viagens pagas pela empresa e até o salário integral da esposa que largasse seu emprego no país de origem para acompanhar o marido.

Após o ano 2000, a qualidade de vida do estrangeiro foi melhorando gradativamente na China. Já se encontrava no supermercado os itens básicos de higiene, e algumas marcas internacionais. Havia McDonalds, Pizza Hut e KFC em quase todas as cidades. As ofertas de escolas internacionais foram ampliando e o serviço de saúde voltado aos estrangeiros também. Nessa época, por volta de 2005, os salários ainda eram bons, mas os benefícios foram se ajustando á nova realidade: para aluguel mais baixo, um só carro por família, limite nas despesas pagas pela empresa, mas ainda assim eram propostas irrecusáveis.

Aí vieram as crises de 2007, que deu uma puxada no freio de mão das empresas, deixando os contratos ainda bons, porém mais reais. Só que em 2010, a crise mundial mostrou sua cara novamente e pudemos perceber claramente a diferença.

Uma revista local que circula entre os estrangeiros fez até matéria de capa, onde a manchete era mais ou menos assim “está terminando a era dos expatriados milionários na China” e ilustrada por uma mulher tipicamente americana, coberta de joias, levando seu poodle para um passeio pela coleira de diamantes. Claro que foi uma caricatura, mas teve gente que realmente perdeu a noção rs.

Naquela época, por volta de 2005, o euro comprava RMB 10,00 e o dólar quase RMB 9,00. O real valia RMB 4,50, aproximadamente. Realmente os tempos eram de glória, com uma China muito mais barata do que ė hoje. Com menos opções e qualidade também, diga-se de passagem!

Bom, mas hoje a realidade é bem diferente. Com algumas exceções, como a indústria farmacêutica e de alimentos, a maioria das empresas está expatriando casais novos, sem filhos e com salários bem mais baixos. Isso porque o custo de manter um casal na faixa dos 30 anos aqui requer muito menos investimento em moradia, plano de saúde, não há a despesa de escola internacional e nem carro com motorista (por sinal esse item do ‘pacote’ foi um dos primeiros a ser cortado). Também as passagens anuais para férias no país de origem, se restringem a duas, em se tratando de casal.

Quanto ao salário mais baixo é que um profissional de 30 anos pode ser muito bom, mas não tem a experiência de um de 40 ou 50. Outra coisa que mudou radicalmente: os contratos estão sendo locais, sem a característica básica de expatriação que era receber o salário no seu país e a ajuda de custo na China. Resumindo: redução de custos geral.

Ainda existem contratos com um excelente pacote de benefícios? Sim existem, mas em 2005 eles eram a regra. Hoje é a exceção. Depende da indústria, da necessidade da empresa e da possibilidade de visto.

Outra característica dos expatriados da China, é que todos têm ‘tempo de duração’, ou seja, via de regra, as famílias vem para ficar de 2 a 3 anos. Alguns ficam 5 e outros extrapolam e ultrapassam essa marca (como minha família e algumas outras que conheço), mas no final, um dia vamos ter que partir. Querendo ou não, gostando da China ou não.

Como disse no post anterior, a China não permite que um estrangeiro viva aqui, mesmo tendo nascido ou esteja há mais de 10 anos trabalhando nesse pais. Já vi pessoas com negócio próprio que tiveram dificuldade de renovar seu visto de residente!

Então é meio estranho, porque você não cria raízes, as pessoas vão e vem; sempre precisamos nos despedir de alguém querido e ao mesmo tempo abrir os braços para receber outro alguém que está chegando por essas terras.

Tem o lado bom? Claro que tem. Hoje conheço pessoas que vivem mundo afora, e mesmo entre os brasileiros, tenho amigos que provavelmente não conheceria morando no Brasil. Mas o coração aperta, chega a doer quando uma pessoa que convivemos diariamente se vai. Só que esta é a maneira de viver aqui na China. Se aceitarmos vir, sabemos que vamos passar por isso algumas vezes durante o período que vivermos aqui. Zona de conforto aqui é artigo de luxo! =/

Na minha primeira temporada de perdas (sim, temporada… os meses de junho e novembro é o pico de farewell party, que até assusta…rs) escrevi um texto para uma amiga inglesa que foi embora. Foi uma das famílias que abriu os braços para a minha quando chegamos, publiquei isso no meu blog, mas já republiquei várias vezes… Porque todo ano é a mesma coisa… OMG! Quem quiser, pode conferir aqui.

Mas vamos em frente, não é mesmo? Afinal de contas, segundo o ditado popular, vamos em frente porque atrás vem gente… E aqui na China, é muita gente! =]

No mês que vem falo um pouco da torre de babel que é Shanghai! A titulo de curiosidade, para que possam entender a diferença que as crises mundiais e o fortalecimento da China causaram na vida dos estrangeiros, seguem as cotações do dia: 1 euro =RMB 8,20; 1 US dólar = RMB 6,1 e 1 real = RMB 2,7.

Até!

Fonte: Brasileiras Pelo Mundo

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Por Wlly Camara – Direto de São Paulo – SP, Brasil.

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