Evergrande e a nova crise imobiliária, agora na China

Neste artigo vamos entender um pouco da crise que ocorre uma companhia Evergrande, uma das maiores empresas da China, mas que enfrenta uma grande dívida.

Como isso afeta o mercado? Está surgindo uma nova crise imobiliária?

Quer saber mais? Confira a seguir no texto de hoje.

O que é a Evergrande?

Antes de falarmos da crise, precisamos entender melhor o que representa esta empresa Evergrande.

A Evergrande é uma companhia de um dos homens mais ricos da China chamado Xu Jiayin.

Esta empresa possui gigantescos investimentos em diversos segmentos da economia e é uma superpotência especialmente no setor da construção civil, com inúmeros projetos em 208 cidades do mundo.

O forte deles é trabalhar com empreendimentos residenciais e já entregou milhares de apartamentos pelo mundo.

Para se ter uma ideia, a incorporadora é expandir seus negócios com diversas contruções de prédios residenciais pelo mundo.

Já são mais de 1.300 projetos e 1.4 milhão de apartamentos construídos

Além da construção civil, a empresa também tem um braço no futebol, como parte de um projeto do governo chinês para estruturar o esporte no país.

Por conta disso, eles têm um clube chamado Guagzhou Evergrande, por onde jogadores como o meia Paulinho e atacante Ricardo Goulart já passaram por lá, além do atual técnico do Grêmio, Luiz Felipe Scolari, o Felipão.

O grupo ainda tem afluentes no setor de veículos elétricos, investimentos na área de comunicação, na parte de alimentos, é dono de um parque de diversões, o Evergrande Fairyland (ainda em construção), além do Guangzhou FC.

Contudo, muitos destes atletas está saindo ou já sairam do time por falta de pagamentos.

Sim, uma das maiores players do mercado está quebrada e não está em condições de pagar salários de atletas.

Mas o que está acontecendo? Vamos entender!

Fundada em 1996, Evergrande enfrenta a maior crise financeira da sua história

Qual é o problema com a Evergrande?

No último dia 20 de setembro a incorporadora Evergrande chocou o mundo ao anunciar uma dívida acachapante de US$ 300 bilhões, com juros rolando acima da capacidade de pagamento. É mais de R$1,3 trilhão de um possível calote.

De acordo com especialista, a Evegrande esticou demais o caixa, que já costuma ter muitas dívidas por ser um setor se alto investimento. A pandemia do coronavírus ajudou mais ainda a fragilizar o faturamento.

O problema financeiro da companhia é conhecido pelo menos desde agosto de 2020, quando a empresa pediu socorro financeiro ao governo chinês para enfrentar a crise.

Houve um planejamento para cortar US$100 bilhões até 2023, mas até agora “apenas” US$8 bilhões foram economizados.

De acordo com o jornal The New York Times, a Evergrande obrigou funcionários a fazerem empréstimos de curtos prazo para conseguir honras com compromissos.

E daí?

A crise na Evergrande impacta totalmente o mercado imobiliário chinês, mundial e da própria companhia obviamente.

A empresa já perdeu 85% do seu valor de mercado na bolsa de valores de Hong Kong. Além disso, no dia que a empresa anunciou a dívida, houve queda de 10% nas suas ações.

Mas por que isso importa? Porque é uma cadeia de eventos que interferem totalmente na China, no mundo e, com isso, no Brasil também.

A Evergrande tomou altos empréstimos de bancos financiadores chineses.

Se a empresa quebrar, haverá uma forte depressão neste setor, que faz empréstimos a outras várias empresas chinesas.

Se esses bancos financiadores entrarem em crise também, a indústria chinesa pode entrar em colapso e afetar diretamente os principais parceiros econômicos da China, inclusive o Brasil.

Para a própria China, vale ressaltar que a construção civil representa 25% do Produto Interno Bruto (PIB) do país, e foi diretamente responsável pela retomada do país desde 2020.

Com a desconfiança e a desvalorização do mercado imobiliário da China, muitas pessoas podem ficar desempregadas.

Sem contar com todos os imóveis que a Evergrande está sem entregar por conta da crise. São mais de 1,4 milhão de apartamentos pendentes que já foram pagos. Ou seja, isso precisará ser resolvido logo.

Crise deve trazer profunda desconfiança ao setor da construção civil e deve trazer muitos desempregos à China

A Nova Crise Imobiliária

Não é a primeira vez que o mundo se depara com um grande player do mercado financeiro como a Evergrande prestes a quebrar.

Esse caos econômico está sendo comparado com a crise imobiliária de 2008, nos Estados Unidos.

Assim como no caso da Evergrande, em setembro de 2008 o mundo viu ruir um dos sistemas de investimentos do mundo, o banco Lehman Brothers.

Como informado pela Agência Brasil, o colapso dos mercados mundiais naquele dia e pelas semanas seguintes foi tão grave que obrigou o Federal Reserve (FED), o Banco Central dos Estados Unidos, e o Banco Central Europeu (BCE), a injetar centenas de bilhões de dólares e euros no sistema financeiro.

A crise alastrou-se mundo afora e causou impactos sem precedentes em países como Grécia, Espanha, Irlanda, Islândia e Portugal.

Em todo o planeta, mais de 400 milhões de pessoas ficaram desempregadas na pior crise econômica desde a Segunda Guerra Mundial, só comparável à quebra da Bolsa de Nova York, em 1929.

A crise afetou diretamente o setor imobiliário porque o banco fazia créditos de alto risco vinculados a imóveis, que foram concedidos em larga escala e de forma irracional por décadas, esse processo resultou na formação de uma bolha financeira que explodiu no quarto maior banco de investimentos norte-americano, que tinha 158 anos.

Mas e você? O que acha que pode acontecer com a Evergrande e como isso impacta o Brasil? Comente aqui embaixo.

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Até a próxima!

Texto de Paulo Santos, diretamente de São Vicente/SP

Fonte: BBC Brasil, G1, Agência Brasil.


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