Petróleo da China e seu eventual embargo à Coreia do Norte

Nas últimas semanas, a China foi novamente pressionada pelo presidente dos Estados Unidos da América, Donald Trump, com exigências de forte restrição nas exportações de petróleo à Pyongyang, capital norte-coreana. O governo norte-americano espera que, através de um eventual embargo do petróleo à Coreia do Norte, o poder militar do país asiático caia consideravelmente, agravando ainda mais com o tempo por falta de combustível alternativo para suas operações militares. Dessa forma, o regime de Kim Jong Un seria enfraquecido e seu programa nuclear teria fim.

 

Posicionamento da China em relação a um eventual embargo de petróleo à Coreia do Norte

Apesar de a China ter aprovado um oitavo lote de sanções do Conselho de Segurança da ONU, que prevê limitar sua entrega da commodity à Coreia do Norte, tal situação se mostra extremamente delicada para os chineses, por uma série de fatores que posicionam a China contrária a um embargo do petróleo total aos aliados norte-coreanos.

 

embargo do petróleo
A Coreia do Norte consumiu, no ano passado, 15 mil barris de petróleo por dia.

 

A Coreia do Norte de Kim Jong Un

Para entender por completo a complicada situação diplomática em que as duas potências mundiais – China e Estados Unidos – encontram-se, é preciso, primeiramente, entender de onde vêm as raízes da questão em si.

A Coreia do Norte tem representado um desafio diplomático para os países, principalmente quando se trata dos Estados Unidos e da China, principal aliada do país. Desde a ascensão de Kim Jong Um no ano de 2011, a Coreia do Norte promoveu uma intensa aceleração nos programas nucleares e de mísseis, com o objetivo final de lançar armas nucleares sobre os Estados Unidos. Por isso,  hoje a Coreia do Norte pode ser facilmente considerada o maior desafio do governo Trump.

Em meio à escalada dos programas  nucleares norte-coreanos e à crescente tensão em âmbito mundial, a ação de embargo do petróleo ao país é mais um dos episódios de uma história que tem sido contada diariamente há décadas.

Desde o final da Segunda Guerra Mundial, o governo norte-americano tem se empenhado em seus programas nucleares e armamentista: o interesse em tais programas teve início durante o governo do ex-líder supremo Kim Il Sung, no entanto, os esforços para adquirir uma arma nuclear funcional começaram a tomar forma sob o reinado de seu filho, Kim Jong Il, que, em 2006 , realizou o primeiro teste de arma nuclear do país.

A tensão nos últimos meses aumentou consideravelmente entre os Estados Unidos e a Coreia do Norte, principalmente a partir dos diversos testes de lançamentos de vários mísseis balísticos supervisionados pessoalmente por Kim Jong Un. Tais esforços por parte dos norte-coreanos têm como objetivo não só testar seu arsenal balístico, mas também um propósito político de manutenção do isolamento da nação norte-coreana e o controle de Kim em relação às influências ocidentais.

 

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Um dos objetivos de Kim Jong Un é assegurar a sobrevivência de seu regime.

 

O dilema das principais potências mundiais

Sob o comando do presidente Barack Obama, os Estados Unidos conseguiram agir de maneira cuidadosa ao se absterem de qualquer ação direta contra o regime de Kim, mas, ao mesmo tempo, como membros do Conselho de Segurança da ONU, os Estados Unidos tiveram uma grande participação no aumento das sanções ao país asiático. A proposta mais recente de embargo à Coreia do Norte teve a participação norte-americana, após diversos testes nucleares que ocorreram durante o governo de Obama.

Diferentemente da situação expressa acima, os governos norte-americano e chinês se encontram em um dilema uma vez que, apesar da condenação da ONU, a Coreia do Norte não se mostra disposta a suspender o desenvolvimento de armas; ao contrário, colabora ainda mais com a escalada de tensão entre os países.

Por um lado, a China, como aliada do governo de Kim Jong Un, pode desempenhar papel significativo que incentive Pyongyang a mudar seus planejamentos através da manutenção de suas relações comerciais com a Coreia do Norte. 40% da moeda estrangeira que os norte-coreanos utilizam para comercializar internacionalmente têm sua origem em empresas chinesas.

O perigo de um conflito se instaurar torna-se cada vez maior com a tensão entre as potências. Meses atrás, o governo Trump ameaçou uma intervenção direta em entrevista a um jornal britânico afirmando que “se a China não vai resolver a Coreia do Norte, nós vamos”. Logo em seguida, após mais testes de mísseis em março deste ano, o Secretário de Estado do governo norte-americano, Rex Tillerson, deu uma resposta simples ao afirmar que “a política de paciência estratégica havia acabado”; dando ainda mais corpo a um conflito sendo desenhado.

 

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Os governos chinês e norte-americano se encontram em um dilema.

 

O episódio atual

Na última semana foi exigido do governo chinês que fosse feita uma forte restrição nas exportações de petróleo ao regime de Kim Jong Un. Porém, tal embargo do petróleo se mostra mais complexo para o governo chinês do que pode aparentar inicialmente, apesar da aprovação do próprio país às sanções do Conselho de Segurança da ONU, as quais previam limitar sua entrega da commodity à Coreia do Norte.

A primeira questão se dá justamente pela quantidade de petróleo exportada para o regime de Kim. Embora essa quantidade não seja divulgada por nenhum dos países, acredita-se que 15 mil barris de petróleo por dia sejam utilizados pela Coreia do Norte, sendo a maioria proveniente da China e utilizada na única refinaria do país.

Outra das questões se enquadra na utilização deste petróleo fornecido pela China por meio do oleoduto sino-coreano, que sai da cidade fronteiriça de Dandong e tem cerca de 30km de comprimento. Parte da commodity é armazenada pelas Forças Armadas norte-coreanas, que, além de outras necessidades, usa-o justamente para o programa nuclear e balístico.

Se as Forças Armadas e os órgãos do governo não receberem a mesma quantidade de abastecimento de petróleo, a parcela destinada à população seria inelutavelmente diminuída, sem que os programas nuclear e balístico fossem de fato afetados em curto prazo, uma vez que os militares já têm suas próprias reservas estratégicas.

 

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As Forças Armadas norte-coreanas usam petróleo para seu programa nuclear e balístico.

 

O fator técnico que justificaria a prudência chinesa

Além de todos esses motivos que colocam a China em uma situação desconfortável sobre tomar partido em um embargo do petróleo à Coreia do Norte, o oleoduto, com a incrível capacidade de transporte de até 520 mil toneladas de petróleo por ano, teria sua infraestrutura altamente danificada caso o fluxo fosse interrompido. O oleoduto, que está em funcionamento desde 1975, não poderia ser consertado caso a proposta de embargo seja aprovada pelo Conselho de Segurança da ONU, gerando, assim, prejuízo sem igual ao governo chinês.

E você? Qual a sua opinião sobre um eventual embargo do petróleo a Coreia do Norte?

 

Por Lucas Fortes Mulati, diretamente de São Paulo, SP, Brasil

Fontes: HuffPostBrasil,  AFP, IstoÉ, Wikipédia

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