Desaceleração na China é boa para o mundo e ruim para o Brasil

A desaceleração chinesa terá efeito positivo na recuperação econômica mundial, segundo o economista e professor da Universidade de Pequim, Michael Pettis. Em artigo publicado nesta segunda-feira no Financial Times, onde Pettis argumenta, que se o governo chinês continuar com as suas reformas na política fiscal e monetária no país, a demanda chinesa continuará crescendo mesmo que o PIB desacelere.

Para aumentar os gastos familiares em relação ao PIB, Pettis aconselha a China a aumentar salários, valorize a moeda local e reduza os impostos pagos pela população para subsidiar os juros baixos do mercado de crédito chinês. “Só que essas medidas reduzirão o crescimento. Os impostos pagos são a maior origem de desiquilíbrio econômico na China, porem a fonte desse crescimento espetacular do país”, afirma Pettis.

Contudo, Pettis está otimista com a intenção do governo chinês em resolver problemas estruturais, como controle cambial e gastos desnecessários do governo. O economista que defende o aumento de juros no país, explica que involuntariamente, os juros estão subindo. Mesmo Pequim reduzindo as taxas de juros, duas vezes em 2012, a inflação está caindo muito mais rápido. Isso faz com que o juro real pago nas operações de crédito aumente.

A ideia de Pettis é que, com juros mais altos e impostos financeiros menores, o chinês irá gastar mais e poupar menos. Ele acredita que ao aumentar o poder de compra dos chineses, Pequim irá se beneficiar, automaticamente, toda indústria mundial. “O que o resto do mundo espera da China é uma maior demanda, ao invés do rápido crescimento”, afirma. Segundo Pettis, para que o equilíbrio das contas chinesas ocorra, é preciso que a renda das famílias cresça mais que o PIB por muitos anos.

Mas, crescendo menos, a China irá, necessariamente, forçar uma queda no preço das commoodities e prejudicar economias que dependem de seu crescimento nas exportações desses produtos. Austrália e Brasil seriam, segundo Pettis, os mais prejudicados. “Aumentar a demanda e reduzir os preços das commodities seria bom para o crescimento mundial, no final das contas”, afirmou.

Por Douglas Pazelli – Diretamente da China
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