Desaceleração da Economia chinesa

Por que falar em desaceleração da economia chinesa? Nas últimas décadas, especificamente entre 1978 e 2012, a China observou um crescimento econômico extremamente elevado, chegando ao posto de segunda maior economia do mundo. A economia chinesa cresceu em média 10% ao ano. Este processo teve início com a volta de Deng Xiaoping ao governo e o processo de profundas alterações na economia chinesa, conhecidas como “As quatro modernizações”, focadas nas seguintes áreas; agricultura, indústria, defesa nacional e ciência e tecnologia. Durante o longo período em que Deng permaneceu no governo, diversas reformas foram instituídas com a intenção de alcançar a descentralização da economia e abrir o país ao comércio internacional.

Desaceleração na economia chinesa
Deng Xiaoping

Nos anos 2000 o país tornou-se a segunda maior economia do mundo, o maior exportador mundial e o segundo maior importador. É natural que em algum momento esse crescimento fosse desacelerar e, ao que parece, é exatamente este momento que a economia chinesa está vivendo. Em 2015 o crescimento observado foi de 6,9%, o menor em 25 anos. O próprio Governo já se manifestou e afirmou que estes números mais modestos são a nova realidade, em 2014 o crescimento foi de 7,3%. Pode-se dizer que a desaceleração da economia chinesa ocorre tanto por influência de fatores estruturais como conjunturais. Um dos pilares do crescimento chinês resultou da transferência de trabalhadores de atividades menos produtivas , como a agricultura tradicional, para atividades mais produtivas, como no setor industrial. Além disso, por ser um país pouquíssimo desenvolvido até 1978, o crescimento extremamente elevado se fez possível através da adoção de tecnologias importadas das economias mais desenvolvidas.

Após anos com índices elevados, a economia chinesa passou pelo mesmo problema que países com experiências de crescimento acelerado como Japão e Coréia do Sul, o esgotamento dos fatores iniciais que serviram de base para o programa de reformas. O número de trabalhadores rurais tende a diminuir e, com a melhora na economia, os salários tendem a aumentar, fazendo com que a competitividade de bens intensivos de mão de obra diminua. Quando se atinge um certo nível de avanço a realocação de recursos de um setor para o outro, no caso do campo para a industria,  e a importação de novas tecnologias acabam por não impactar tanto no ganho em produtividade.

Outro fator que influenciou intensamente o crescimento chinês foi o fortalecimento da economia mundial nos anos 2000, aumentando consequentemente as exportações chinesas. No entanto, a crise internacional de 2008 freou o consumo mundial e as margens de crescimento chinês com base nas exportações para os próximos anos  é pequena.

 

A reestruturação demandada pela

desaceleração da economia chinesa  

A desaceleração da economia chinesa pode se tornar um problema ainda maior devido a insatisfação da população que começa a sentir no dia a dia os efeitos da retração.  O setor da construção teve um grande ‘Boom” entre 2004 e 2014, fazendo com que diversas siderúrgicas fossem abertas pelo país. A região de Tangshan, por exemplo, é responsável por uma produção de aço maior que todo os EUA. Enquanto a China manteve o índice de crescimento na casa dos 10% a região viveu um período de grande prosperidade. A China se tornou a maior produtora de aço do planeta, respondendo por mais da metade da produção mundial.

Desaceleração da economia chinesa

Atualmente, com a desaceleração mundial, o preço do aço despencou, diminuindo consideravelmente a demanda e fazendo com que diversas empresas não consigam arcar com seus compromissos. Uma possível solução é reduzir a capacidade de produção, em 2014, o setor siderúrgico fez um corte de 31 milhões de toneladas. Para 2017, está prevista uma redução adicional de 80 milhões de toneladas.

O Governo prometeu tomar medidas que abordem a questão da super produção nos setores energéticos, de cimento e vidro. No entanto o Governo ainda se mostra relutante em tomar medidas taxativas, uma vez que para conter essa super produção algumas fábricas podem ser fechadas, o que aumentaria o risco de instabilidade social. “A perda de emprego em grande escala na indústria do aço pode ameaçar a estabilidade social”, disse Li Xinchuang, diretor do Instituto Chinês de Planejamento e Pesquisa Metalúrgica, à agência Xinhua. O presidente da Câmara de Comércio Europeia na China, Joerg Wüttke afirma que “não é possível realizar tal processo sem perder postos de trabalho; não é realista”. E acrescenta: “Se você faz promessas falsas, corre o risco de aumentar a temperatura da instabilidade social”.

Em 2008 o governo chinês adotou uma série de medidas de estimulo frente a crise internacional, nesse momento as medidas são focadas em atividades específicas e possuem dimensão limitada.  O governo já sinaliza que aceita uma desaceleração do crescimento para algo em torno de 7,5%, conforme a meta estabelecida no 12º Plano Quinquenal, no entanto não parece disposto a aceitar um queda acentuada da expansão da economia chinesa. Pequenas empresas tiveram seus impostos temporariamente suspensos, os processos burocráticos para empresas exportadoras foram simplificados  e foram criados mecanismos de financiamento para expansão da rede ferroviária.

É importante ficar atento à desaceleração da economia chinesa, uma vez que os reflexos do que ocorre por lá serão sentidos a nível global. Por exemplo, a expansão da economia chinesa nos anos 2000 teve grande impacto no preço das commodities e, dessa forma, deu uma contribuição importante para o crescimento brasileiro na década passada, portanto, é correto afirmar que a desaceleração de agora também impactará a economia brasileira, entender de que forma este processo nos afetará é primordial para traçar qualquer cenário econômico brasileiro nos próximos anos.

 

Por Gustavo Massi Soares, diretamente de São Paulo, SP, Brasil

Fontes: FGV, ElPaís, Uol

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