Corrida espacial entre China e EUA

Os mais velhos, que nasceram até a década de 1960, certamente tem na memória lembranças da corrida espacial entre Estados Unidos e União Soviética durante a Guerra Fria, período iniciado após a Segunda Guerra Mundial em que o mundo em sua maior parte se dividiu entre os blocos capitalista e socialista, capitaneados, respectivamente, pelos EUA e pela URSS. Como uma forma de demonstrar a superioridade tecnológica em relação ao seu rival, os dois países investiram pesadamente em seu programa aeroespacial. Com o fim da Guerra Fria, expressada com a queda do Muro de Berlim e pela dissolução da URSS, parecia que os Estados Unidos teriam a primazia sobre o espaço. Todavia, o advento dos chineses como a segunda maior economia do mundo e o seu interesse pelo espaço inauguram uma nova era da corrida espacial, desta vez entre China e Estados Unidos.

 

Quais as razões dessa corrida espacial?

As razões para os chineses investirem numa nova corrida espacial são várias. Um desses motivos é militar. Assim como na Guerra Fria, conquistar o espaço tornou-se um assunto de segurança nacional, portanto, uma prioridade dos governos. Desenvolver novos satélites de monitoramento e sistemas espaciais de defesa contra mísseis tem se tornado essencial. Outra razão é tecnológica. Todos sabemos o quão difícil é lançar uma nova missão espacial, devido ao montante de investimento e pesquisa requeridos. Assim sendo, um país conseguir lançar um novo satélite ou uma aeronave capaz de desbravar a lua ou outros planetas demonstra que este possui uma refinada e desenvolvida tecnologia, colocando mais pressão sobre os seus concorrentes.

 

corrida espacial
Foguete chinês. Fonte: vermelho.org.br

O programa espacial chinês é gerido pela China National Space Administration (CNSA), e pela China Aerospace Science and Technology Corporation (CASC), ambas agências estatais. Suas origens poderiam ser traçadas a partir do final da década de 1950, quando os chineses desenvolveram uma tecnologia de mísseis balísticos para contrabalancear as ameaças dos Estados Unidos. Contudo, a primeira grande operação espacial realizada pelos chineses, inaugurando uma nova era da corrida espacial, deu-se em 2003, quando Yang Liwei conseguiu realizar a primeira viagem espacial tripulada da China a bordo do Shenzhou 5.

 

A origem do programa espacial chinês

As origens do CNSA estão na Guerra da Coreia, o primeiro grande conflito armado da Guerra Fria. Para lembrar as aulas de história, após o fim da Segunda Guerra Mundial, a península coreana, então sob domínio japonês, foi dividida em duas zonas de influência, uma americana, outra soviética. Em 25 de junho de 1950, as forças norte-coreanas, com suporte da União Soviética e da China, invadiram o território da Coreia do Sul, que se defendeu com a ajuda de tropas americanas, iniciando um conflito de 3 anos, com um saldo de 2,5 milhões de mortos. Diante das ameaças dos EUA de utilizarem bombas nucleares contra a China, a exemplo do que houve no Japão, Mao Zedong iniciou um programa de mísseis balísticos para prevenir quaisquer ataques ao território chinês. Com a assistência da URSS, estudantes chineses foram treinados e um programa de cooperação em tecnologia balística foi estabelecido.

As relações sino-soviéticas, todavia, esfriaram-se com o governo Krushev e a parceria entre os dois países não continuou. Na década de 1960, quando a corrida espacial entre americanos e soviéticos estava mais acirrada, os chineses resolveram dar continuidade com o seu programa e tentar desenvolver foguetes e satélites, com o intuito de não ficar para trás na disputa e ganhar reconhecimento no cenário internacional como uma potência militar global.

Em 1992, o governo chinês engajou-se em colocar a China como um potencial participante da corrida espacial. Nesse ano, foi lançado o programa Shenzhou (神舟), a primeira fase do “projeto 921”, que visa desenvolver um ousado programa espacial chinês. Foi durante essa fase que em 2003, através da nave Shenzhou 5, a China foi capaz de enviar o seu primeiro astronauta para o espaço. A segunda fase do “projeto 921” começou logo após o sucesso da primeira fase, e pretende construir os alicerces de uma futura estação espacial chinesa, o qual é o objetivo da terceira fase do programa. Segundo o governo, a expectativa é de que a estação esteja completa em 2020.

Os chineses também têm projetos para explorar a lua, o planeta Marte e outros lugares do universo. No que se refere à lua, há a intenção de se enviar uma missão tripulada ao satélite, o projeto ainda está em desenvolvimento. Já a exploração do planeta vermelho, que apresenta muitas dificuldades devido à distância, o governo chinês possui um projeto para enviar uma missão tripulada ao planeta em 2040.
Corrida espacial

                          Chegada de uma missão espacial à Marte. Fonte: seuhistory.com

Em suma, os chineses estão investindo muito em pesquisas e estão motivados a enfrentarem os EUA e a Rússia e se tornar uma nova potência aeroespacial, demonstrando o seu poderio econômico, tecnológico e militar. Visto que praticamente todo o planeta Terra já foi explorado, o que resta à humanidade descobrir está no universo. Ao infinito e além!

Por Victor Fumoto, diretamente de Indaiatuba, SP, Brasil
Fontes: Space.com; phys.org; The New York Times.

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