Consumidores chineses: qual o perfil deles

Para o bom andamento de um negócio, sempre é necessário conhecer o perfil dos possíveis consumidores. Será, então, que aqueles que já mantêm negócios com a China, ou pretendem começar, conhecem o perfil dos consumidores chineses?

consumidores chineses

Quando ouvimos falar em produtos chineses, a primeira coisa que vêm à cabeça são produtos de má qualidade, bem baratinhos, muitas vezes imitações e descartáveis. Ao se falar de consumidores chineses, isso também ocorre. Logo imaginamos mais de um bilhão de chineses comprando um monte de tranqueiras, produtos falsificados copiando marcas famosas e também quinquilharias inúteis.

Entretanto, com uma análise, nem tão profunda, podemos ver que este estereótipo destorce grandemente a realidade. É claro que um bilhão de pessoas não pensa da mesma forma, nem gostam das mesmas coisas, nem querem os mesmos produtos. Isso varia de idade, sexo, poder aquisitivo, onde moram, onde trabalham, etc. A variedade é grande, o que deveria ser esperado de um país de grandes proporções como é a China. Os mais velhos dão mais importância ao preço, por exemplo, enquanto as gerações mais novas não se importam em pagar cara por produtos de alta qualidade.

 

Diferentes grupos de consumidores chineses

Nas últimas décadas os hábitos dos consumidores chineses mudaram drasticamente ao passo em que os salários aumentaram e novos produtos e conceitos adentraram no mercado chinês. Examinar as diferentes gerações de consumidores pode revelar as diferentes tendências de compras.

Os mais velhos, que passaram por maiores dificuldades financeiras no século passado costumam ser mais tradicionais e abrem mão da qualidade para conseguir um preço bem baixo. Já os jovens, que recebem forte influência do Ocidente, são mais conscientes sobre a qualidade dos produtos. Normalmente, esses consumidores chineses desenvolvem seus hábitos de consumo durante a juventude e os mantém na vida adulta.

consumidores chineses

 

Entre os aposentados, estão aqueles que sofreram difíceis momentos políticos e econômicos, não tiveram acesso à educação e trabalharam nas empresas estatais, recebendo pouco. Nesse caso, aprenderam a ser econômicos e sensíveis às mudanças de preços do mercado.  Por outro lado, há também os aposentados em melhores condições, que ganham uma aposentadoria elevada, mas mesmo assim permanecem econômicos, mudando os padrões de consumo conforme os reajustes da aposentadoria.

Os consumidores chineses na faixa dos 40 anos de idade tendem a variar entre os hábitos de consumo mais tradicionais e as novas tendências. Geralmente economizam grande parte do que recebem para que possam cuidar dos seus filhos, pais e netos. Aqueles mais econômicos, que recebem pouco, acabam guardando a maior parte a fim de garantir o bem estar da família. Já aqueles que recebem melhores salários, também se preocupam em economizar para a família, entretanto, pagam por produtos de melhor qualidade, gastam com entretenimento, viagens e produtos de cuidados pessoais.

Na faixa dos 30 anos, os consumidores, em geral, receberam uma boa educação e cresceram em um ambiente mais aberto. Comparados aos mais velhos, eles economizam menos, gastam mais com entretenimento e compras online. Também valorizam a qualidade dos produtos mais que o preço. Serão, nos próximos anos, o grupo de consumidores chineses mais importantes, comprando para seus pais, filhos e para si mesmos.

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Caracterizados por serem da primeira geração da política do filho único, os jovens acima de 20 anos possuem hábitos de consumo opostos ao dos seus pais.  Gastam a maior parte do que recebem em entretenimento, eletrônicos, e outros produtos da moda. Também consomem bastante online, buscando produtos que ajudem a destacar suas personalidades, podendo até chegar ao ponto de consumo impulsivo. Esta, todavia, é uma tendência que deve mudar para essa faixa etária nos próximos anos, já que em breve iniciarão uma família. Poderão se tornar um pouco mais conservadores que agora, mas continuarão favorecendo a alta qualidade e consumindo mais que as outras gerações.

Os jovens até 20 anos formam a nova geração de consumidores chineses, e são mais ocidentalizados e abertos a novos produtos. Procuram o individualismo e usam a Internet para seguir as tendências mundiais. Apesar de a maioria ainda não trabalhar e ter sua própria renda, eles influenciam nas decisões de seus pais sobre consumo, tanto da alimentação, como roupas, eletrônicos, entre outros. As redes sociais são uma ferramenta efetiva para alcançá-los.

Outro grupo importante de consumidores chineses são os trabalhadores migrantes, que possuem família nas áreas rurais, mas se mudaram para as cidades em busca de trabalho, a partir dos anos 1990. Podem ser mais econômicos que os aposentados, consumindo apenas o necessário para economizar para suas famílias. A tendência é que no futuro levem suas famílias também para as cidades, aumentando assim as compras ao se integrarem à vida na cidade.

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Por fim, os chamados ricos formam o grupo de consumidores chineses que, apesar de serem “apenas” 1 milhão de chineses, recebem mais que 1,5 milhão de dólares. De faixas etárias distintas, estão majoritariamente concentrados em grandes centros urbanos, como Beijing, Shanghai e Guangdong. São empresários, líderes de grandes empresas, e empreendedores de sucesso. Procuram os melhores produtos disponíveis, novas tendências, e o preço não é tão importante assim. O mercado de produtos de luxo na China tem crescido rapidamente com sucesso nos últimos anos, sendo os consumidores chineses os mais importantes para muitas das marcas de alto padrão mundial.

 

Por Ingrid Torquato, diretamente de Marília, SP, Brasil

Fontes: China Daily, China Business Review, McKinsey & Company

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