Como o acordo entre EUA e China afeta o comércio brasileiro?

O acordo começou a ser formulado em fevereiro na ocasião da visita do líder chinês à Washington e está previsto para ser assinado no dia 27 de março. Ele colocará fim à maior guerra comercial travada entre os EUA e China. Supressão de tarifas, eliminação de limites de investimento de capital estrangeiro e proteção da propriedade intelectual são temas presentes no documento.

 

Acordo entre EUA e China

O conflito entre as maiores economias do mundo já dura mais de um ano e têm trazido consequências para a exportação e importação de produtos de países de todo o mundo. As taxações e outras mudanças drásticas no mercado têm prejudicado seus compradores e fornecedores, principalmente para países que realizavam negócios com um desses países ou com os dois, como o Brasil. A única solução possível até o momento foi um acordo entre os dois países que desse fim ao aumento sucessivo de taxas e tarifas de exportação e importação. O acordo aumenta o consumo chinês de produtos agropecuários americanos, somando mais 30 bilhões de dólares anuais aos 14 bilhões adquiridos em 2018. Tal consumo só pode ser alcançado dando acesso privilegiado aos americanos para os produtos chineses. É previsto que os Estados Unidos aumentem sua exportação de milho para a China, inclusive introduzindo o milho transgênico em seu mercado.

 

Como o acordo entre EUA e China afeta o comércio brasileiro?
EUA e China estão prestes a assinar um acordo dando fim à guerra comercial

 

Consequências no Brasil

O Brasil vem sido  afetado por essa guerra comercial  desde o seu início, juntamente a economias emergentes como a Índia e a Rússia, que segundo a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), enfrentarão as maiores dificuldades. A China é o maior parceiro comercial do Brasil e principal destino de nossas exportações, com índices chegando a 64,2 bilhões de dólares em 2018 e também absorve hoje cerca de 35% da exportação brasileira de produtos agrícolas. A ministra da agricultura, Tereza Cristina, defendendo os interesses dos ruralistas, realizará uma missão brasileira na China na primeira semana de maio, e terá o objetivo de encontrar mais compradores chineses para a produção de carne brasileira e também aumentar o leque de produtos exportados.

Com a habilitação sanitária de mais frigoríficos para a exportação à China é possível aumentar a pauta exportadora brasileira. A decisão da visita se deu devido às queixas de produtores agrícolas brasileiros acerca do posicionamento distante do Itamaraty com a China após Ernesto Araújo questionar a exportação de minério de ferro e soja para a China e a parceria entre os dois países. O próprio Bolsonaro, em uma transmissão ao vivo através de rede social, afirmou que a China é uma grande parceira brasileira e que pretende ir ao país no fim deste seu primeiro ano de mandato. Steve Bannon, ex-estrategista de Donald Trump, chamou atenção ao governo brasileiro acerca da vulnerabilidade no seu relacionamento com Pequim.

A produção de soja brasileira, após ter se beneficiado com 8 bilhões de dólares adicionais, tende a voltar ao padrão normal antes da guerra comercial, em 2017, com a China alternando entre as safras americanas e sul-americanas.  O Brasil poderá, devido ao acordo entre China e EUA, perder parte da demanda asiática. Os produtos brasileiros que mais sofrerão impacto serão os de milho e algodão, que terão mais dificuldade de acesso ao mercado chinês e a mercados emergentes em geral. Isso ocorre devido à mudança de paradigma do funcionamento do comércio internacional, que agora assume um comportamento mais particularizado, sendo analisados caso a caso, e também regido fortemente por posições geopolíticas.

 

Como o acordo entre EUA e China afeta o comércio brasileiro?

Bolsonaro durante jantar com a cúpula do Itamaraty, nos EUA.

 

Posição do governo brasileiro

Durante o jantar entre o presidente, ministros e outros líderes brasileiros, realizado na residência do embaixador do Brasil nos Estados Unidos na última segunda (18), o principal tema de discussão foi a dependência da China. O objetivo seria diminuir a co-dependência brasileira em relação aos produtos e exportações chinesas em geral. Segundo reportagem da Folha, os maiores defensores dessa diminuição seriam o escritor Olavo de Carvalho e o chanceler Brasileiro Ernesto Araújo, presentes no jantar. Alguns dos presentes defendem um aumento da cooperação entre Brasil e EUA através da produção agrícola, aumentando sua importância no mercado global e também seu poder de negociação. Para a cúpula do Itamaraty reunida neste jantar, o objetivo principal da política externa brasileira ao se tratar da China seria diminuir a sua co-dependência econômica, possivelmente considerando aproximação com outros países líderes da economia asiática, como Coreia do Sul e Japão.

Paulo Guedes, ministro da economia, afirma, se alinhando a ala mais pragmática do governo, que as exportações para a China não serão reduzidas e que o Brasil quer fazer comércio com todos países. Sobre a questão da barragem da gigante chinesa Huawei, afirmou que esta não procede no Brasil uma vez que precisamos comercializar com todo mundo. Apesar de seguir a linha das democracias liberais capitalistas, o Brasil está aberto ao comércio mundial. O ministro pontuou também que outros países realizaram acordos com os EUA e que o Brasil não, afirmou seu objetivo de aumentar a exportação de aço e autopeças para os EUA, produtos com risco de serem tarifados pelos americanos, como já ocorreu com a venda de aço. Esse risco de taxação deve ser considerado uma vez que o Brasil exporta cerca de 1 bilhão de dólares em autopeças. Paulo Guedes afirmou a Bolsonaro “amamos os Estados Unidos, mas vamos fazer comércio com quem for mais lucrativo”.


 

Como o acordo entre EUA e China afeta o comércio brasileiro?

Paulo Guedes, ministro da economia brasileira.

 

Encontro entre Trump e Bolsonaro

A visita da comitiva de Bolsonaro aos Estados Unidos foi marcada pela liberação da necessidade de visto para americanos que visitam o Brasil sem exigir reciprocidade aos brasileiros que visitam os EUA, marcando uma grande diferença na política da reciprocidade seguida tradicionalmente pela política externa brasileira. Além da questão do visto para americanos, o presidente também passou a permitir aos EUA o uso da Base de Alcantara, no Maranhão. Ambas ofertas não exigiram nenhuma reciprocidade do governo americano. O presidente brasileiro se encontrou com Donald Trump nesta terça (19) no salão Oval da Casa Branca, local tradicional de reuniões entre grandes líderes mundiais ao longo da história americana. No encontro, Trump afirmou que á a favor da entrada do Brasil na OCDE, um dos temas de política externa considerados principais pela cúpula do Itamaraty.  

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Fontes: Folha de S. Paulo, G1, Canal Rural, UOL, IstoÉ Dinheiro

Mariana Madrigali Fidalgo, Estância Turística de Brotas, SP – Brasil

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