Comércio eletrônico chinês: o ressurgimento da Alibaba

Uma tendência observada mundialmente é o êxodo dos consumidores do varejo físico para o mercado online. No entanto o varejo chinês observa uma tendência ainda mais acentuada, fato que acabou surpreendendo algumas empresas. De acordo com Jean-Marc Huët, diretor financeiro da Unilever em entrevista concedida ao WSJ em abril de 2015, as empresas de bens de consumo na China, em geral, foram “muito lentas para reagir às mudanças no mercado” e não perceberam o acentuado crescimento do comércio eletrônico chinês.
Em 2015, o ano foi fechado com números excelentes no comércio eletrônico na China, chegando a quase 40% do consumo mundial, a agência Xinhua divulgou que os números do ano passado ultrapassaram os US$600 bilhões, cifras que, segundo a empresa de consultoria eMarketer, superam e muito os números de EUA e do Reino Unido, respectivamente segundo e terceiro colocados no ranking mundial com US$349 bilhões e US$99,9 bilhões.

Um fato curioso é que uma parte considerável dos números do varejo chinês acontece em um único dia, o chamado dia do solteiro (11 de novembro), neste dia somente o site Alibaba vendeu US$14 bilhões.

comércio eletrônico chinês
Dia dos solteiros

Em 2014 o maior site de varejo chinês estreava na bolsa de valor de Nova York com a maior abertura de capital já registrada na história, com ações que tiveram vendas iniciais fixadas em US$68, a Alibaba viu suas ações chegarem perto dos US$100 em poucas horas.  Em apenas 2 meses as ações subiram 76% e a Alibaba possuía total controle sobre o comércio eletrônico chinês. O cenário não poderia ser mais favorável, no entanto os meses que vieram a seguir foram extremamente complicados. A Alibaba entrou na linha de fogo de um órgão do governo, fechou acordos que desconcertaram os investidores e trocou de CEO quando o crescimento desacelerou, mas algo pior aconteceu, a economia chinesa como um todo desacelerou e freou o consumo chinês, basicamente a fonte das receitas da Alibaba.

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Jack Ma, dono da empresa Alibaba, uma das maiores no ramo do comércio eletrônico na China

O planejamento estratégico da Alibaba

para o comércio eletrônico Chinês

Quando o preço das ações ficou abaixo do vendido inicialmente na abertura do mercado de capital, Daniel Zhang, o presidente executivo da empresa, escreveu uma nota tranquilizando seus funcionários e dizendo “Vamos esquecer o preço das ações, não devemos deixar-nos distrair por obstáculos de curto prazo, mas planejar o futuro e manter o plano”. A Alibaba adotou então um plano estratégico que envolvia algumas medidas não tão ortodoxas e visando além do comércio eletrônico na China, US$15 bilhões em transações foram investidos nos mais diversos segmentos, como as cotas de participações em um time de futebol de Guangzhou, acompra de um player menor de smartphones chineses, um estúdio de entretenimento não lucrativo e, talvez o mais diferenciado deles, a compra do jornal em língua inglesa mais influente de Hong Kong, o South China Morning Post. O jornal fundado em 1903 era famoso por cobrir de forma mais agressiva os temas que a mídia estatal chinesa é proibida de abordar, como escândalos políticos e casos de desrespeito aos direitos humanos. A compra por parte do Alibaba foi definida pelo New York Times como parte de um ambicioso plano para remodelar a cobertura da mídia chinesa.

O plano diversificado da Alibaba parece ter surtido efeitos diretos no comércio eletrônico chinês, no dia 6 de abril, a empresa comunicou ao regulador de Wall Street que ultrapassou a rede norte-americana Walmart no valor bruto de vendas, tornando-se a maior empresa do mundo de vendas no varejo.

Porém é necessário ressaltar que as duas empresas operam de formas distintas, uma vez que o Walmart comercializa produtos que compra de fornecedores e vende em seus próprios centro logísticos, enquanto a Alibaba funciona como um grande armazém virtual, intermediando o contato entre o cliente e uma empresa X que pagará uma comissão, ou seja, o valor bruto alcançado pela Alibaba não é sua receita final.  Estes número serão obtidos em algumas semanas após a auditoria da PriceWaterhouseCoopers que fechará o ano fiscal, no entanto o conglomerado já adiantou que acumula uma receita bruta de US$476 bilhões no ano.

Como foi dito inicialmente, a China segue uma mudança de forma ainda mais acentuada do que se vê nas economias ocidentais, na qual as vendas que antes eram feitas pessoalmente hoje ocorrem online. Somente a Alibaba,  líder do comércio eletrônico chinês, representa 10% do mercado varejista na China, portanto, fica aqui aqui nossa mensagem para que você fique atento ao que acontece neste segmento, uma vez que ele tem se mostrado bastante representativo na China e, consequentemente, pode afetar a economia como um todo.

 

Por Gustavo Massi Soares, diretamente de São Paulo, SP, Brasil

Fontes: Exame, Folha de São Paulo ElPaís, Uol

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