Chegando no Brasil e o Brasil chegando… – China Link blog de importação

Chinalink-blog-portugues-post301Morando na China desde 2009, sempre vou ao Brasil uma vez por ano, normalmente durante o verão brasileiro, quando é inverno na China e o feriado prolongado do ano novo interrompe temporariamente as atividades de empresas, universidades e repartições públicas. Como é comum, 2 meses antes de embarcar para o Brasil já estava ansioso, com muitos planos e expectativas de rever os amigos e familiares, ir à praia (sou de Salvador), fugir do frio quase glacial desta “quase Manchúria” onde vivo e aproveitar o calor tropical de nossas terras tupiniquins. Porém, como nem tudo são flores e a despeito da felicidade de estar de volta e re-encontrar amigos, a chegada ao Brasil é sempre acompanhada de um certo sentimento de desencanto e até vergonha para com este que parece ser o eterno “país do futuro”.

Em São Paulo, o aeroporto internacional de Guarulhos, com o seu orgulhoso status de maior aeroporto da América Latina (em número de passageiros), é um fiasco. Recentemente concedido à iniciativa privada, algumas melhoras já podem ser observadas se comparado ao estado de caos em que se encontrava nos últimos anos. Mas desembarcar no Brasil não deixa de ser uma experiência marcante e que revela para o viajante vindo de outras partes do mundo, em primeira mão, qual será o nível de serviço e organização que este encontrará durante a sua estadia no Brasil.

Os corredores estreitos e mal sinalizados, ar condicionados que não funcionam (ou pior, são voluntariamente desligados), esteiras de bagagem mal projetadas que “encalham”, uma demora absurda e um pessoal mal preparado são reveladores de um país mal projetado, mal gerido e de um povo que é conivente com isso tudo, que na melhor das hipóteses está acostumado ao mal trato e ao descaso de seus governantes. Gosto especialmente de observar a postura dos agentes da Polícia Federal que “orientam” o tráfego de passageiros recém chegados de vôos internacionais. No Rio de Janeiro (maior pólo turístico do país e dito “Cartão Postal” do Brasil), não é de agora que conheço um sujeito brutamontes que traz uma arma à mostra pendurada em sua cintura e que vomita  ordens em inglês de péssima qualidade para que as pessoas sigam por este ou aquele corredor: “Brazilian!”, “Foreigner!”, grita ele. A título de comparação, na China nem mesmo os policiais de rua carregam armas de fogo. Aqui (na China) eles são policiais mirrados, armados com cassetetes e vestindo um uniforme verde que os faz parecerem mais entregadores de carta do que “guardiões da ordem pública”. Assim, somos um povo violento e acostumados com as várias formas de receber e operar a violência.

O meu vôo chegou em São Paulo às 5:30 da manhã, vindo de Munique. Num desembarque relativamente rápido, em alguns minutos muitas pessoas já estavam no saguão onde estão os guichés para a checagem de passaportes. O pequeno salão não seria suficiente para acomodar,  não com um mínimo de conforto e eficiência, as centenas de pessoas que estavam no meu vôo, e em poucos minutos a situação já era de caos, com gringos passando de um lado pro outro sem saber que direção tomar e uma fila imensa que se agigantava em forma de caracol. Como se já não bastasse, outros 2 vôos chegaram de Paris e Buenos Aires fazendo com que o caos se instaurasse por absoluto. Como de praxe, lá estava o nosso velho conhecido agente da Polícia Federal, desta vez surpreendentemente desarmado, mas dando ordens para brasileiros e gringos. Um comentário desse figurão, provavelmente dirigido a algum “foreigner” que não se conformava em assistir tanta desorganização, confirma o absurdo: “mal chega no país dos outros e já reclamando”. Se fosse eu, também reclamaria.

Sei que o nosso país é uma economia em desenvolvimento e que atualmente existem milhões de problemas hierarquicamente mais importantes que o terminal 1 do aeroporto internacional de Guarulhos: educação, saúde, violência e tantos outros. Todavia, ao meu ver existem 2 fatores muito importantes que são diretamente relacionados à organização de nosso maior aeroporto. Primeiramente, o Brasil está em vias de organização dos 2 maiores eventos esportivos do mundo. Milhões de pessoas virão de todos os países e farão uso de nossos sistemas de transporte, que hoje mal respondem à demanda doméstica em baixa estação. E não estou falando só de aeroportos, mas também de trens, metrôs, ônibus e portos. Segundo, o aeroporto é o primeiro lugar onde qualquer estrangeiro pisa quando vai a um outro país. Ali ficarão as suas primeiras impressões, seu primeiro contato com o povo e cultura local. Lembro dos comentários positivos de  brasileiros que recebo no aeroporto internacional de Beijing, impressionados com o tamanho e a eficiência deste, que já é o aeroporto mais movimentado do mundo, nesta que é a economia que mais cresce no mundo. Tanto no caso do Brasil quanto da China, as primeiras impressões que se têm quando da chegada no aeroporto são sim retrato do que se irá encontrar país adentro.

chinalink-blog-portugues-gabriel-quadrosPor Gabriel de Quadros Santos – Diretamente da China www.chinalinktrading.com
Psicólogo, 4 anos de China, mestrando em Economia Internacional na cidade de Tianjin – Colaborador do Blog China Link Trading

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