Os desafios da Apple na China

Foi anunciado dia 16 de agosto, que a Apple na China vai aumentar o nível de seus investimentos no país, um dos seus maiores e cada vez mais desafiadores mercados. O CEO, Tim Cook, revelou também que os planos da Apple para o país são ainda mais ambiciosos, anunciando a construção de um centro de pesquisa e desenvolvimento da Apple na China, o primeiro dentro do continente asiático.

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O anúncio foi feito nesta que é a segunda viagem do CEO ao país em menos de 4 meses. A notícia surge em um momento delicado para a companhia estrangeira, com diversos relatórios indicando que a demanda pelos iPhones na China diminuiu, e que os consumidores chineses estão migrando para aparelhos alternativos de baixo custo. A Apple viu sua receita na China diminuir 33% no último ano, fazendo com que o país perdesse o posto de melhor mercado fora das EUA para a Europa. Cook disse que a queda nas vendas não muda sua visão de que, a longo prazo, a China vai superar os EUA  como o maior mercado da empresa.

O governo também se mostra bastante cauteloso com relação à tecnologia estrangeira. A preocupação com o futuro da Apple na China se deve em grande parte ao fato do governo chinês estar se mostrando bastante combativo com empresas consideradas “invasoras”. As lojas on-line da empresa, iTunes e iBooks, foram fechadas no país em março, quando o governo chinês impôs restrições rigorosas sobre a publicação online, especialmente para as empresas estrangeiras. Além disso, a Apple perdeu algumas batalhas de propriedade intelectual na China, e enfrenta um sentimento antiamericano dos consumidores chineses.

A Apple anunciou no mês passado, um investimento de US $ 1 bilhão na startup chinesa do ramo de caronas compartilhadas, Didi Chuxing Technology Co., um investimento incomum para a empresa. Analistas disseram que o investimento foi provavelmente feito, em parte, para agradar Pequim.

Apple na China – Briga pela patente

A China vem sendo palco de grandes polêmicas envolvendo a gigante norte-americana. Em junho deste ano, uma decisão do Departamento de Propriedade Intelectual de Pequim, travou temporariamente as vendas de iPhones 6 e 6 Plus da Apple na China. No dia 17 de junho, uma notícia publicada pela rede Bloomberg informava que o tribunal teria ordenado a interrupção das vendas dos aparelhos da Apple na cidade de Pequim, ao aceitar a acusação de plágio e violação de patente movida pela empresa Shenzhen Baili Marketing Service Co contra a Apple. Segundo o órgão, os iPhones 6 e 6 Plus infringem direitos de patente da Shenzhen Baili pelas similaridades com o telefone 100C. Ainda que a medida afete apenas o mercado em Pequim, o caso pode abrir precedente para futuras ações contra a Apple, possivelmente influenciando os resultados de litígios em outras partes na China.

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Tim Long, analista do BMO Capital Markets em Nova York, não acha o impacto da ordem chinesa relevante. Tim afirmou: “Acreditamos que há vários casos anteriores contra companhias americanas definidos em favor de empresas locais por tribunais menores que, mais tarde, foram revertidos em cortes superiores. Nós já vimos dezenas de decisões judiciais proibindo diferentes produtos de smartphone nos últimos anos em vários países. Não estamos a par de algum que tenha resultado em embargos reais”.
A empresa que desafia a Apple dentro do mercado chinês é a Shenzhen Baili. Praticamente desconhecida fora da China, a Shenzhen Baili parece ser um outro nome para a Digione , uma startup de smartphones mais conhecida, semelhante à Xiaomi Corp, a empresa chinesa conhecida por seus telefones baratos. A relação jurídica entre a Digione e a Shenzhen Baili não pôde ser determinada, embora o mesmo homem, Xu Guoxiang, esteja listado como primordial na administração das duas companhias, e os nomes de ambas as empresas aparecem em documentos legais sobre o caso que envolve as patentes do iphone 6 na China

Esta não é a primeira vez que a Apple tem sido envolvido em uma disputa de propriedade intelectual na China. Em 2012 , a Apple pagou US $ 60 milhões para comprar a marca iPad na China de uma empresa local. Em 2013, a mídia estatal chinesa acusou a Apple de oferecer serviço de baixa qualidade ao consumidor e garantias impróprias, fato que colocou a Apple em uma posição delicada e obrigou o CEO Tim Cook a se desculpar publicamente. Poucos meses atrás, a empresa perdeu a disputa para manter o rótulo “iPhone” exclusivo aos seus produtos, após um tribunal de Pequim determinar que uma pequena fabricante de acessórios pudesse usar o nome em uma série de bolsas e carteiras.

Fontes: Bloomber, The Guardian e Folha de SP
Por Gustavo Massi, diretamente de São Paulo, SP, Brasil

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