América Latina no Ano do Cão

No calendário lunar, utilizado pelos chineses, inicia-se um novo ano e, assim como nos países ocidentais, o misticismo do início deste novo ciclo gera previsões relacionadas ao significado do “Ano do Cão de Terra”, que traz consigo a perspicácia, confiança e justiça do Cão, ao mesmo tempo que a solidez conservadora do elemento Terra se apresenta. As expectativas são de que o país continue com seu forte investimento na América Latina e, principalmente, no Brasil, que, após intenso movimento político interno dos últimos anos, caminha para uma estabilidade neste ano de eleição presidencial.

 

China no Fórum Econômico Mundial

Abordando temas dos mais variados nos seus 400 painéis, o Fórum Econômico Mundial 2018, que teve início no dia 23 de janeiro, em Davos, na Suíça, reuniu chefes de governo, lideranças de ONG’s, pioneiros tecnológicos e empreendedores para discutir temas atuais da economia, como a tecnologia de transações blockchain e questões de gênero. Em debate com diretores das principais instituições financeiras do mundo, concluiu-se que a dívida chinesa é hoje a principal ameaça à conjuntura estável da economia mundial numa situação pós-crise. Porém, este endividamento, como apontado pelo vice-presidente do órgão responsável pela bolsa de valores chinesas, Fang Xinghai, tem se estabilizado e tende a continuar neste caminho, descartando a possibilidade de uma bolha financeira que atingiria toda a economia mundial.

 

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Xi Jinping no Fórum Econômico Internacional 2018

 

Após 18 anos, os EUA voltaram a enviar um chefe de Estado ao Fórum Econômico Mundial e a presença de Donald Trump surtiu impacto nos painéis de discussão. Em discurso, a preocupação estadunidense em manter seus territórios de influência na América Latina ficou clara quando apontados os interesses da China na relação entre esses polos econômicos e ainda afirmou uma dependência perigosa dos países latino-americanos e seu mais novo (e forte) parceiro econômico.

 

China no Mundo

A China tem consolidado uma boa posição nos rankings econômicos mundiais desde meados de 2014 e, agora, em 2018, já representa valores de transações de “proporções chinesas”. Com o governo Xi Jinping, o país vem apresentando crescimentos anuais próximos a 10%. Esse índice, somado a uma poupança alta e estabilidade política, resultou em um novo caminho para os investimentos chineses: as grandes empresas multinacionais. Em meia década, a presença chinesa neste tipo de corporação aumentou de 1 para 11% e a tendência é de que, com o crescimento interno chinês, logo o cenário acionário mundial verá uma mudança ocasionada por massivas empresas de economias emergentes que competirão lado a lado com as gigantes do mercado internacional atual.

 

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Urso-panda e arara segurando Renminbis e Reais

 

Em novembro deste ano, a China dá um passo histórico em sua 1ª Exposição Internacional de Importação da China, a China International Import Expo, onde seu mercado interno se mostrará aberto a importações de outros países, inserindo mais de 1,2 bilhão de novos consumidores no mercado de importações para a China. A intenção é demonstrar o incentivo chinês à globalização e ao multilateralismo do mercado internacional, atraindo mais de 90 países a Shanghai.

 

China e América Latina

Com uma parceria de longa data, a China, em 2017, direcionou cerca de US$ 207 bilhões em  investimentos para a América Latina e Caribe. O aumento dessa influência chinesa na região preocupa, como já citado acima, os Estados Unidos, que tinham a região como seu domínio e agora se confrontam com este novo oponente forte e inovador que é a China e seus métodos de negócios internacionais visando a cooperação de países emergentes. A China se aproveita hoje do protecionismo de Trump para ocupar territórios antes dominados amplamente pelo imperialismo americano, investindo na América Latina mais do que qualquer outra região do planeta, exceto a Ásia.

 

De olho no Brasil

A China é hoje o maior parceiro comercial do Brasil, aplicando cerca de U$50 bilhões de dólares só em investimentos no último ano. O Brasil vem recebendo uma onda migratória diferente daquelas anteriores, tendo emitido mais de 30.000 vistos permanentes para chineses qualificados para buscar estratégias de investimento no Brasil nos últimos 10 anos. Já no início de 2018, a empresa chinesa DiDi Chuxing comprou o aplicativo brasileiro rival da Uber, 99 Taxis, a fim de aumentar sua competitividade. Outra parceria firmada entre empresas em 2018 será na produção de ônibus elétricos pela Marcopolo no Brasil que serão vendidos na China.

Segundo o encarregado interino de negócios da embaixada chinesa no Brasil, Yang Song, a relação entre Brasil e China tem apresentado historicamente um déficit a favor do Brasil e que a China “não busca comprar o Brasil, e sim do Brasil”. Com a abertura do seu mercado interno, a China busca, a partir de agora, importar produtos de valor agregado, mas, ainda segundo Yang Song, a China continuará a importar grãos do Brasil, “assim como aviões da Embraer”. A China busca, cada vez mais, conquistar seu espaço como economia de mercado e o Brasil (e a América Latina em geral) têm um papel importante neste processo que, com a justiça e solidez do Ano do Cão de Terra, tende a elevar a China a outro patamar na conjuntura econômica global.

 

Por Mariana M. Fidalgo, diretamente de Marília, SP – Brasil

Fontes: G1, Estadão, Veja, UOL, Carta Capital

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