Agiotas chineses pedem “nudes”

O jornal Nandu Daily denunciou um polêmico caso na cidade de Guangzhou. De acordo com o jornal, agiotas chineses estariam pedindo fotos nuas, popularmente conhecidos como “nudes”, das mulheres que recebem dinheiro emprestado. A foto ficaria guardada até que o empréstimo fosse pago, mas em caso de atraso nos pagamentos os agiotas chineses ameaçavam divulgar as imagens.

 O caso ficou conhecido após a denúncia de uma estudante da cidade. A estudante foi orientada pelo agiota chinês a tirar uma fotografia em que estivesse nua e com a carteira de identidade. Após ver sua dívida duplicar em poucos meses, a jovem recebeu ameaças de ter sua foto divulgada. A jovem recorreu aos pais para poder quitar seus débitos com os agiotas chineses, e foi então que a prática veio à tona.

agiotas chineses pedem "nudes"

 Os empréstimos de pessoa a pessoa são prática comum em território chinês e são intermediados pelo site Jiedaibao. No entanto, o site negou conhecimento e envolvimento direto com a prática. A plataforma respondeu que as negociações são finalizadas por meio de outro canal. Quando questionado pelo jornal Financial Times, um representante do site, respondeu: “Trata-se de uma transação offline ilegal entre vítimas e emprestadores, iniciada por meio de nossa plataforma”.

 

Outras violências dos agiotas chineses

Infelizmente, casos de ameaças e de violência envolvendo a população chinesa e agiotas não é nenhuma novidade. A chantagem envolvendo nudez e fotografias é apenas mais um item da longa lista de ameaças, entre as quais estão lesões corporais, destruição de propriedades e ameaças a familiares.

“Quando as pessoas tomam empréstimos em um banco, não existe ameaça à sua segurança pessoal. Mas se o fazem junto a emprestadores privados, especialmente os que cobram juros altos, coisas assim podem acontecer”, disse Han Chuanhua, advogado especializado em falências, do escritório Zhongzi Law, em Pequim. Han também explica que, muitas vezes, as agressões ficam apenas nas ameaças, mas que os agiotas chineses devem agir ocasionalmente para manter medo na população. O advogado explica que os meios utilizados pelos agiotas é sempre às margens da lei. Han já defendeu um cliente que teve as pernas quebradas e um outro que teve o escritório invadido pelos agiotas chineses.

 De acordo com o advogado Wen Daoquan, a prática de empréstimos interpessoais é totalmente dentro da lei. No entanto, quando as taxas de juros são quatro vezes ou mais superiores às taxas oficiais, a prática se torna agiotagem, fazendo com que os cobradores percam seus direitos legais de cobrança perante o Estado. Neste momento, os agiotas chineses passam a recorrer aos meios “alternativos” de cobrança. Obviamente estes meio são ilegais.

 Mesmo com taxas exorbitantes, os empréstimos realizados no mercado paralelo tornam-se extremamente atraentes para a uma determinada camada da população. Os trabalhadores migrantes, devido à sua instabilidade no emprego e relutância em recorrer à polícia, são especialmente vulneráveis, mas juntam-se a eles pessoas que não têm acesso ao sistema bancário convencional. A prática de empréstimos de pessoa a pessoa permite que um público muito mais amplo participe de um mercado que não os aceita pelo meios convencionais.Agiotas chineses

Se o governo chinês tivesse a intenção de erradicar completamente o sistema bancário paralelo em qualquer ponto de sua história recente, isto poderia facilmente ter sido feito através da regulação e novas diretrizes, mas esse não parece ser o caso. A existência do sistema paralelo, foi e tem sido permitida pelo governo, assumindo diferentes formas, que refletem as condições econômicas e políticas locais existentes. Os bancos tradicionais continuam a refletir, em certa medida, os objetivos do governo e do clima econômico global, com foco em empréstimos para setores ou entidades particulares.

Embora algumas regulamentações tenham sido introduzidas, incluindo uma notificação emitida no final de 2013, que esclareceu o alcance do sistema bancário paralelo, e um projeto de lei que encorajou os bancos a investir diretamente recursos de produtos de gestão de riqueza, restringindo o crédito a empresas disfarçados de empréstimos interbancários, não foram criadas regras que realmente anulassem o espírito do sistema bancário paralelo. Na verdade, entidades bancárias paralelas financiadas por agiotas chineses se expandiram, mesmo em meio a um cenário de desaceleração da economia chinesa como um todo. Estudos recentes divulgados pela rede notícias econômicas Bloomberg, mostram que, embora não seja possível calcular exatamente as cifras envolvidas, os valores envolvidos no mercado paralelo ultrapassam a casa dos trilhões de dólares. Resta saber como o governo pretende lidar com os métodos “alternativos” de cobrança.

 

Por Gustavo Massi, diretamente de São Paulo, SP, Brasil

Fontes: Finacial Times, Folha de SP e Bloomberg

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