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As deficiências do setor portuário brasileiro – China Link Blog de Importação

Vista dos conteiners e navios cargeiros do Porto de Santos/SP

A prática do comércio internacional não é uma invenção moderna. Se olharmos para o passado, podemos identificar a interação econômica de diferentes países como forma de desencadear o desenvolvimento de suas economias. O fluxo de bens e de capital possui significativa importância na história da formação econômica mundial.

No entanto, essa prática nunca foi tão importante para a dinâmica economia interna dos países como é hoje. Segundo dados da OMC (Organização Mundial do Comércio), o volume do comércio mundial cresceu cerca de 20 vezes desde a década de 1950 até os dias atuais. Esse crescimento está diretamente relacionado ao fenômeno da globalização, que traz consigo a revolução dos transportes e comunicações. Atualmente, pessoas de vários lugares do mundo tem acesso a bens e serviços produzidos ou oferecidos em lugares distantes. A maior prova disso está nas etiquetas dos produtos que você consome.

A relação econômica entre o Brasil e a China, países em franco desenvolvimento, é um claro exemplo de que a troca de bens e serviços é um fator essencial para o crescimento econômico. A China fechou o ano passado como principal origem das importações e destino das exportações brasileiras e as previsões para este ano afirmam que o país asiático continuará ocupando o topo da lista dos principais parceiros comerciais do Brasil. Incentivos por parte de ambos os governos colaboram para o fortalecimento dos negócios entre eles. Entretanto, o Brasil ainda precisa aplicar melhorias na sua logística.

Devido a sua posição geográfica, o Brasil possui uma extensa área litorânea, o que contribui para a construção de portos, que por serem responsáveis por grande parcela das exportações e importações, são considerados como mecanismos de extrema importância para o desenvolvimento econômico do país.  Segundo a Secretária Especial de Portos (SEP), ‘‘Com uma costa de 8,5 mil quilômetros navegáveis, o país possui um setor portuário que movimenta anualmente cerca de 700 milhões de toneladas das mais diversas mercadorias e responde sozinho, por mais de 90% das exportações.”

O grande problema reside, entretanto, na deficiência da estrutura portuária. O Brasil ainda carece de um sistema portuário eficaz, o que contribui para o encarecimento das exportações e prejuízos para o governo e empresários.

Os problemas começam ainda no mar. Muitos navios tem que esperar dias para atracar aos portos formando uma grande fila marítima. Isso ocorre principalmente em função da falta de cais e da burocracia. Para entrar no país, cada navio precisa oferecer cerca de 190 informações, o que gera um atraso no descarregamento. Para as exportações, os tramites burocráticos podem exigir até seis dias para que a carga seja liberada.

Medidas do governo para conter a burocracia e aumentar a eficácia dos portos não tiveram os resultados esperados. O programa federal ‘‘Porto 24 horas’’ previa o funcionamento noturno de oito dos principais portos brasileiros, porém, a falta de funcionários para atender a demanda compromete o êxito do programa.

Outro problema reside na dificuldade de acesso aos portos. O congestionamento de caminhões de carga a serem exportadas também geram prejuízos para o governo e para as empresas envolvidas na operação. No porto de Santos, o maior do país, as filas dos caminhões podem chegar a 15 quilômetros de extensão. Com o objetivo de solucionar esse e outros problemas, o Congresso Nacional aprovou no mês passado uma nova ‘‘Leis dos Portos’’. A maior intenção do governo é ampliar os investimentos privados para a modernização dos portos de todo o país, a fim de baixar os custos de logística. Agora é esperar para ver se surtirá resultados positivos.

O comércio exterior brasileiro, que tem a China como um dos principais responsáveis pela sua dinâmica, ainda necessita se adequar a sua realidade. O crescimento do fluxo de importação e exportação deve ser acompanhado do desenvolvimento da nossa estrutura portuária. Medidas governamentais e privadas estão sendo implantadas para que isso ocorra, porém, são necessárias políticas de desenvolvimento mais incisivas para garantir que o país consiga suprir toda a demanda do seu fluxo comercial.

Fonte: Folha de S. Paulo/ Portal Terra/ Ministério dos Transportes

Mario-Cesar-China-LinkPor Mário Frassom – Direto de Marília, Brasil
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