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INFORME DA CHINA LINK TRADING

Isto é Dinheiro - A escalada dos pandas

13/01/2014

Por João VARELLA


Sempre que a analista de mídias sociais paranaense Daniela Drummond ia ao trabalho, se deparava com uma colega muito bem vestida. Cortês, Daniela elogiava a indumentária bem combinada. Como resposta, ouvia invariavelmente a mesma coisa: comprei tudo na China. Ela não aguentou. “Fiz um teste e comprei umas coisas baratinhas em junho do ano passado”, diz Daniela. “Deu certo.” Desde então, a jovem gasta mensalmente cerca de R$ 50 em sites de comércio eletrônico sediados do outro lado do mundo, a milhares de quilômetros de sua Curitiba. Daniela não é a única. Cada vez mais os consumidores brasileiros estão se transformando em “sacoleiros” digitais. 

No Facebook, há dezenas de comunidades povoadas de brasileiros que trocam dicas de ofertas e produtos. Não se trata exatamente de uma boa notícia para o e-commerce nacional, que movimentou R$ 28 bilhões em 2013, de acordo com dados preliminares da consultoria e-bit. Atualmente, quase três milhões de brasileiros fazem compras em sites no Exterior. Metade deles escolhe uma operação virtual da China, de acordo com pesquisa da empresa de pagamentos eletrônicos PayPal. É pouco, comparado com os 50 milhões de internautas que compram online no Brasil, mas tem crescido – sem trocadilhos – em ritmo chinês. 
 
Os Correios dão uma pista dessa expansão. De 2011 para 2012, houve um crescimento de 47% no volume de encomendas vindas da China. No ano passado, o salto foi de 87% na comparação com o período anterior. A invasão dos sites de comércio eletrônico da terra dos pandas é capitaneada pelo site AliExpress, do grupo Alibaba, que já tem página em português do Brasil. Descrito comumente como “a Amazon da China”, a companhia fundada pelo empresário Jack Ma, em 1999, é um pouco diferente da americana fundada por Jeff Bezos. O AliExpress é um shopping virtual usado por diversas empresas que se propõem a vender para consumidores toda sorte de produtos por preço de atacado, de tablets a clipes de papel. 

Na verdade, os desbravadores do e-commerce chinês foram os jogadores de videogame. Por volta de 2006, já circulava o nome da DealExtreme (conhecida como DX) pelos fóruns de games. A diferença gritante de preço fez os gamemaníacos perderem a cabeça. “A película de Nintendo DS custava só US$ 0,90 em 2006. Hoje custa US$ 1,30”, afirma o vendedor Marcelo Alves Faria, fã dos jogos da fabricante japonesa. Detalhe importante: o frete é grátis, mesmo para valores baixíssimos como esse. No Brasil, esse item não sai por menos de R$ 15. “No atual cenário, para uma empresa brasileira se manter competitiva, teria de mudar sua sede de país”, diz o economista Celso Grisi, professor titular da Faculdade de Economia e Administração da USP.
 
Além dos grandes sites, empresas chinesas passam a oferecer o chamado dropshipping ao Brasil. Em resumo: elas montam uma loja em português e cuidam do estoque e da entrega para os consumidores brasileiros. “Quem entender que deve colocar a China do seu lado vai ter um ano próspero”, afirma Lincoln Fracari, brasileiro que fundou, em Shenzen, a China Link Trading, empresa que oferece dropshipping ao Brasil. O plano de Fracari é lançar uma plataforma fácil de montar para que os lojistas brasileiros possam vender produtos chineses a partir de fevereiro deste ano – basta “ticar um produto para ele constar na loja”, nas palavras de Fracari. 
 
“Convenhamos que pagar R$ 4 mil em um Playstation 4 é muita sacanagem”, diz ele, se referindo ao videogame da japonesa Sony, que custa menos de US$ 700 na China. Mas não há só vantagens em comprar produtos diretamente da China. É preciso ter também muita paciência. As encomendas demoram até dois meses para serem entregues. Além disso, o código de defesa do consumidor brasileiro não pode ser aplicado para compras realizadas em empresas fora do País. Se o produto que chegar estiver quebrado ou não for o comprado, a única alternativa é sentar e chorar.

 

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