Outubro 17 2017

Xi Jinping: o homem mais poderoso do mundo?

Posted by Victor Fumoto

A última edição da revista The Economist publicou um editorial importante sobre o presidente Xi Jinping, declarando-o o homem mais poderoso do mundo, até mais que o presidente dos EUA, Donald Trump. Mas o que mais chama a atenção é o fato da revista considerar que o mundo deveria ter cautela com esse homem. Este artigo buscará apresentar os principais pontos do que foi escrito para que o leitor possa tirar as suas próprias conclusões.

 

Capa da revista The Economist

 

Xi Jinping e o novo cenário internacional

O editorial começa relatando como os presidentes estadunidenses sempre expressaram sua admiração pelos governantes chineses. Richard Nixon disse que as coisas que Mao Zedong escreveu mudaram o mundo; Jimmy Carter elogiou Deng Xiaoping com inúmeros adjetivos, como “inteligente” e “corajoso”. Clinton descreveu Jiang Zemin como “visionário”; e até mesmo Donald Trump disse, segundo o jornal The Washington Post, que Xi Jinping era o “homem mais poderoso” que a China teve em cem anos.

 

xi jinping

 

A China é a segunda maior economia do mundo e o país mais populoso. A força militar chinesa, embora esteja em crescimento, não se compara com o poderio militar estadunidense. Mas o que chama a atenção, segundo a reportagem, é que o governo Trump, o qual não completou ainda um ano, tem sido marcado por retrocessos e por uma política externa conduzida de modo temerário, gerando criticismos internacionais, inclusive de seus aliados, e acaba por criar um vácuo de poder que tem sido preenchido por Xi Jinping.

Enquanto na política doméstica Trump não consegue fazer avançar as suas pautas no Congresso, Xi Jinping tem ganho cada vez mais controle sobre o Estado e a sociedade chinesa. No dia 18 de outubro, será iniciado o Congresso do Partido Comunista Chinês, evento no qual, provavelmente, o presidente chinês receberá muitos elogios e terá sua imagem de líder ainda mais fortalecida.

 

A política externa de Xi Jinping

Xi Jinping tem desenvolvido uma política externa positiva para o país asiático. Durante suas visitas e viagens internacionais, ele tem passado a impressão ao mundo de que é um líder pacífico e amigável, que traz a racionalidade num ambiente internacional intoxicado pela retórica e por posicionamentos unilaterais que têm tirado o sossego da comunidade internacional. O editorial da revista compara as ações de Trump na política internacional, marcada pelo isolacionismo, com as atitudes do presidente chinês, que abraçou a agenda internacional, como por exemplo, quando o líder chinês enfatizou o compromisso do seu país com os Acordos de Paris, uma grande conquista para a preservação ambiental, e que os EUA se retiraram.

 

xi jinping

 

Além disso, a sua iniciativa de construir uma nova Rota da Seda, chamada de Belt and Road Iniative, chama a atenção do mundo pela sua ousadia. Para quem não sabe, a China possui um projeto ambicioso que busca construir redes de infraestrutura com a função de facilitar o comércio entre o Leste e o Sudeste Asiático com a Europa, como se estivesse recriando a famosa Rota da Seda do livro de Marco Polo. Os investimentos estrondosos do governo chinês superam em muito o Plano Marshall, desenvolvido pelos EUA para reconstruir os países europeus após a Segunda Guerra Mundial e conter o avanço do socialismo. Em suma, o crescimento dos investimentos internacionais chineses coincide com a retirada dos EUA do cenário internacional. Recentemente, a saída dos EUA da UNESCO e as desconfianças de Trump em relação à ONU podem abrir ainda mais espaço para a atuação chinesa dentro desse importante organismo internacional.

Segundo a revista, o presidente chinês tem buscado também fortalecer a força militar do país, com a recente abertura da sua primeira base militar internacional no Djibouti e também com a participação em exercícios militares no Mar Báltico, junto à frota naval russa.

 

xi jinping

 

Depois disso, o editorial faz uma crítica à crescente concentração de poder nas mãos do presidente. As tentativas de tentar controlar e cercear a liberdade de informação e de imprensa na sociedade chinesa e as violações aos direitos humanos são vistas como medidas antiliberais, embora o presidente chinês seja visto com olhos mais simpáticos do que Vladimir Putin, o presidente russo. O editorial também critica as ações tomadas para conter as ameaças da Coreia do Norte, visto que estes são muito dependentes economicamente dos seus vizinhos chineses, e que poderiam tomar medidas mais drásticas para assegurar a paz naquela região.

Mas por que o editorial pede para que o mundo seja cauteloso com Xi Jinping? A razão é dada no último parágrafo, no qual a principal razão para se temer o líder chinês seria a alta concentração de poder, que pode levar o país a viver uma ditadura, nos moldes do tempo em que Mao Zedong esteve no poder e gerar ainda mais instabilidade no cenário internacional. No fim, o artigo do The Economist termina dizendo que o mundo não quer nem uma ditadura na China nem o isolacionismo dos EUA, mas pode acabar tendo as duas coisas ao mesmo tempo.

 

Por Victor Fumoto, diretamente de Indaiatuba, SP, Brasil

Fontes: The Economist

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