Ventosaterapia: técnica chinesa nas Olimpíadas

Na última semana, o nadador Michael Phelps, o maior medalhista das Olímpiadas de todos os tempos, estreou nas competições dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro. Além do já esperado alto rendimento nas piscinas, o estadunidense chamou a atenção do mundo por outro motivo: marcas avermelhadas bastante visíveis na região dos ombros e costas. Na internet, eram várias as teorias dos internautas para se tentar explicá-las, gerando inclusive piadas de que tais marcas eram resultado do atleta estar dormindo sobre as tantas medalhas que possui. Entretanto, as marcas de Phelps eram, na verdade, resultado de uma milenar técnica chinesa: a ventosaterapia. Mas qual a utilidade desse método? Será esse um dos segredos do sucesso nas piscinas do nadador?

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Ilustração de livro antigo demonstra a técnica milenar da ventosaterapia


Uma técnica milenar chinesa

A ventosaterapia é uma técnica criada na China há aproximadamente três mil anos, mas que se tornou muito conhecida no Egito e no Oriente Médio, para depois, ser utilizada no resto do mundo. Denominada em mandarim como huo guan, que significa “escavação de fogo”, a ventosaterapia é praticada através do conceito de que auxilia o fluxo de energia vital do corpo humano, o chamado “qi” pela medicina tradicional chinesa, reestabelecendo o seu equilíbrio – a ideia de ying e yang.

Mesmo sendo considerada um pouco diferente e até mesmo estranha aos olhares de alguns países ocidentais, a ventosaterapia é vista como uma técnica de desintoxicação do corpo, sendo bastante popular principalmente entre as gerações mais antigas da população chinesa.

 

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A ventosaterapia utiliza copos redondos para criar um força de sucção na pele


Como funciona a ventosaterapia?

A ventosaterapia é uma forma de acupuntura, que funciona através do aquecimento de um líquido inflamável no interior de copos de vidro – ou até mesmo de plástico ou silicone- de formato redondo. Quando a chama se apaga, dentro dos copos cria-se um vácuo parcial, funcionando como uma ventosa. Assim, com a diferença entre as pressões externa e interna do objeto, uma força de sucção é criada, o que serve para estimular o fluxo sanguíneo nas regiões do corpo em que são aplicados. As ventosas são retiradas da pele após cerca de 10 minutos, deixando uma sensação de calor durante certo tempo. A sucção acaba então causando marcas vermelhas na pele, como as tão notadas em Michael Phelps durante as Olímpiadas, e que devem desaparecer no período de três a quatro dias. Quanto mais escuras são as marcas deixadas pela técnica, mais pobre seria a circulação naquela área específica do corpo.

A técnica milenar, que inicialmente era realizada utilizando copinhos feitos de bambu, ganhou até uma segunda versão, também comum na China e em países muçulmanos, sendo nesses últimos chamada de Hijama. A diferença é que a Hijama, ou ventosaterapia molhada, é realizada a partir de um pequeno corte na pele antes de se aplicar as ventosas no local. Dessa forma, a sucção retira também uma pequena quantidade de sangue do paciente.

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As regiões em que é aplicada a ventosaterapia ficam com manchas que desaparecem em até quatro dias

Benefícios da ventosaterapia

Os usuários da técnica chinesa da ventosaterapia afirmam que ela alivia dores musculares, ajuda em casos de artrite, insônia, problemas de infertilidade e celulite. O objetivo com a técnica é de assim melhorar a vascularização, atraindo um maior número de células, maximizando a nutrição muscular e óssea dos locais aplicados. Dessa forma, além de tratar dores, a ventosaterapia pode ser utilizada também como método de tratar lesões, preveni-las e até mesmo melhorar performances.
Além desses benefícios, a medicina tradicional chinesa considera que essa terapia ainda auxilie na desobstrução de pontos energéticos que estejam obstruídos, causando um efeito semelhante a sessões de massagem. Os chineses acreditam que dores são sintomas de que a energia está parada em uma determinada região do corpo e, por isso, transportam essa ideia para suas técnicas medicinais e terapêuticas, como a ventosaterapia.
Especialistas dizem que a ventosaterapia é uma técnica segura, mas que ainda não tem comprovações clínicas que garantam realmente sua eficácia.

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Marcas da ventosaterapia em Michael Phelps, que chamaram a atenção durante as Olímpiadas do Rio


A opção contra lesões dos atletas

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Foto veiculada em rede social do nadador demonstra aplicação de ventosaterapia em Michael Phelps

A ventosaterapia ganhou destaque nos olhares de todo o mundo quando o maior medalhista olímpico da História, o nadador Michael Phelps, apareceu recentemente com estranhas marcas roxas e avermelhadas nas costas e nos ombros, durante as competições de natação nas Olimpíadas do Rio de Janeiro.

Alvo de atenção com Phelps, a descoberta do segredo dessas marcas revelou que a técnica é mais comum do que se imaginava entre atletas. Seus adeptos do esporte afirmam que a ventosaterapia é uma opção para ajudar na minimização de dores e na recuperação da fadiga decorrente de treinos e competições frequentes.  No caso do nadador, por exemplo, as marcas arredondadas nos ombros e costas constatam os objetivos da técnica chinesa: a ventosaterapia foi utilizada justamente nos membros mais requisitados nos atletas da natação, que, portanto, ficam mais sujeitos a lesões e dores.

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A nadadora Natalie Coughlin também é adepta da ventosaterapia

Mesmo com diversas outras técnicas à disposição dos atletas para a redução de dores e tratamentos de lesões (como massagens, sauna, banhos de gelo e compressas), a ventosaterapia não só foi a escolhida por Phelps, mas também é cada vez mais comum entre outros atletas, principalmente dos Estados Unidos. Os também nadadores como a estadunidense Natalie Coughlin, o bielorusso Pavel Sankovich, além do ginasta Alex Naddour são outros nomes que comprovadamente são usuários da terapia chinesa.

 

Quem mais pode utilizar a ventosaterapia?

Mesmo sendo destaque de utilização para o tratamento de atletas, a ventosaterapia não é exclusividade deles. Além deles, muitos famosos adotaram a técnica, como as atrizes Gwyneth Paltrow e Jennifer Anniston, e os cantores Justin Bieber e Victoria Beckham. Ou seja, não é preciso ser um atleta para aderir à ventosaterapia.

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A atriz Jennifer Anniston com marcas decorrentes da técnica chinesa

Mesmo com a aparência das marcas tão visíveis da aplicação da ventosaterapia, há divergências entre os usuários sobre a intensidade da dor provocada pela técnica chinesa. A sensação que a terapia causa na pessoa tratada seria de tensão, seguida de uma pressão e calor nas áreas em que é aplicada. Mesmo causando uma impressão visual não muito boa, através da sucção da pele dentro dos copos transparentes, o método seria mais desconfortável do que realmente doloroso. Entretanto, na internet foram veiculados vídeos e declarações de atletas tratados pela ventosaterapia reclamando da sensação de dor durante a técnica.

Mesmo com as controvérsias sobre a sensação de dor da ventosaterapia, é unânime a opinião de que é imprescindível a procura dos interessados por um profissional capacitado para que seja realizada a aplicação da técnica.
Huo guan: mais um legado chinês que atravessou as fronteiras do gigante asiático para se expandir ao redor do globo.

 

Por Camila Sakamoto, diretamente de São Paulo, SP, Brasil

FONTES: BBC, Folha de São Paulo

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