Janeiro 18 2017

Uma só China: um Combate por Taiwan?

Posted by Camila Sakamoto

A China está ficando sem paciência com o Presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, na questão de Taiwan e da política de uma só China. De acordo com a imprensa estatal, Pequim estaria pronta para entrar em combate pelo território insular.

 

uma só china

Na mesma semana em que Trump revelou que pode rever a política de uma só China, a Presidente de Taiwan, Tsai Ing-wen, fez duas paradas em território norte-americano durante visita oficial à América Central.

 

Trump promete rever a política de uma só China

Na semana passada, Trump declarou que poderá reconsiderar o princípio de “ uma só China ”, visto por Pequim como uma garantia de que Taiwan é parte do seu território, e reconhecido por Washington desde 1979. O Presidente eleito dos Estados Unidos quebrou já no mês passado com a tradição diplomática norte-americana, ao aceitar uma chamada telefônica da Presidente de Taiwan, Tsai Ing-wen.

No sábado, após os comentários de Trump feitos em uma entrevista para o Wall Street Jounal, o Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês avisou que o princípio “ uma só China ” é inegociável. Na segunda-feira o jornal estatal China Daily disse que a questão de Taiwan é uma caixa de Pandora de potência letal.

A China tem dado o benefício da dúvida a Trump, mas se ele “está determinado a fazer esse jogo ao assumir funções, será inevitável um período de interação hostil e nociva, e Pequim não terá outra escolha a não ser se preparar para combate”, afirmou a publicação.

Donald Trump prometeu uma postura dura face ao que considera ser concorrência desleal por parte da China e sugeriu que a política “ uma só China ” poderá servir como moeda de troca nas negociações com Pequim. “Tudo está sob negociação, incluindo o princípio da China única”, afirmou Trump.

Pequim considera Taiwan uma província chinesa e defende a reunificação pacífica, mas ameaça usar a força caso a ilha declare independência. Já a ilha, onde se refugiou o antigo governo chinês depois de o Partido Comunista (PCC) tomar o poder na China continental em 1919, assume-se como República da China. Os Estados Unidos, por sua vez, reconhecem Pequim como o único governo legítimo de todo o território chinês desde 1979.

O jornal Global Times, visto como próximo do Partido Comunista, avisou ainda que Trump tem menos espaço para negociar do que julga. A China vai “combater impiedosamente quem defender a independência de Taiwan”, afirmou em editorial na segunda-feira. Se Trump optar por usar a ilha como moeda de troca, talvez “acabe por ser sacrificado devido a essa estratégia desprezível”.

A Presidente de Taiwan fez este mês duas paradas nos Estados Unidos, em uma viagem com destino à América Central, apesar dos protestos de Pequim. No regresso, Tsai afirmou que sua nova direção para a política externa é clara. “Devemos continuar trabalhando para que Taiwan seja visto, para que Taiwan dê a sua contribuição para o mundo”, disse.

 

Escalada de tensão no Mar do Sul da China

 

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O porta-aviões chinês ‘Liaoning’ no mar do sul da China, no final de dezembro.

 

Em uma dura advertência, a mídia estatal do país também se dirigiu a Rex Tillerson, indicado para o cargo de Secretário de Estado, alertando-o para que tome cuidado com o que diz: suas ameaças a Pequim no sentido de bloquear o acesso às ilhas artificiais construídas pelos chineses no Mar do Sul da China correm o risco de desencadear um “confronto devastador”. As declarações do jornal China Daily são uma resposta as declarações feitas pelo ex-presidente na Exxon Mobil em sua sabatina para confirmação no cargo feita no Senado dos EUA na última quarta-feira.

O jornal acusa o candidato a chefe da diplomacia norte-americana de pouco profissionalismo e de ignorância dos princípios elementares da relação bilateral entre as duas maiores potências do planeta. Se os norte-americanos realmente se propuserem a impedir o acesso às ilhas artificiais, diz o jornal, “abririam o caminho para um confronto devastador entre a China e os EUA”.

Mais beligerante ainda foi o posicionamento do Global Times, que normalmente adota posições nacionalistas em termos de política externa. O jornal fala diretamente na possibilidade de uma guerra. O jornal afirma que se a equipe diplomática de Trump definir as futuras relações entre China e EUA como está fazendo agora, é melhor que as duas partes “se preparem para um enfrentamento militar”.

 

Entenda o caso

 

uma só China

Disputa pelo Mar do Sul da China, também conhecido como Mar da China Meridional, envolve outros cinco países da região

 

Em uma disputa que envolve outros cinco países próximos, Pequim reivindica para si a soberania sobre cerca de 90% do Mar do Sul da China, pelo qual circula hoje em dia um tráfego marítimo equivalente a 5 bilhões de euros (algo equivalente a 17 bilhões de reais). Em sua declaração inicial aos senadores, Tillerson havia comparado a construção de sete ilhotas artificiais chinesas em água sob disputa com a ocupação da Crimeia pela Rússia. Nos últimos dois anos, a China acelerou a construção e a instalação de equipamentos nas ilhotas artificiais, já dotadas de pistas de aterrisagem e de sistemas de defesa que incluem lançadores antimísseis.

A declaração de Tillerson vai muito além daquilo que vinha colocando até o momento Washington, que não levanta questões relativas à questão territorial daquela área, limitando-se a expor sua posição favorável a que haja um fluxo livre para as rotas comerciais na região.

 

E você, tem alguma consideração sobre a escalada de tensão entre China e Estados Unidos em relação a política de uma só China e das disputas no Mar do Sul? Compartilhe conosco nos comentários!

Por Ariel Oliveira, diretamente de Garça, SP, Brasil

Fontes: China Daily, El País Brasil, Global News e Infomoney