Uber na China será regulamentado

Os serviços de caronas compartilhadas e transportes online atraíram bilhões de dólares em investimento por todo o planeta. Somente a start-up líder no segmento, a Uber, já levantou mais de US$ 10 bilhões em investimentos, alcançando valor estimado de US$ 62,5 bilhões. É natural que todo serviço que faça sucesso a nível global, pense na China como um grande mercado potencial. No entanto, a Uber na China encontra um rival à altura. No fim do ano passado, o Uber divulgou ter alcançado a marca de 1 bilhão de corridas feitas em todo o mundo desde 2009, ano de criação do aplicativo, mas no território chinês a líder de mercado de transportes online é a Didi Chuxing, empresa que, somente em 2015, realizou 1,43 bilhão de corridas.

Uber na china

Embora fosse bastante popular, a Uber na China encontrava uma grande dificuldade em captar recursos, curiosamente a mesma dificuldade encontrada no Brasil, a falta de uma regulamentação por parte do governo, fator que tornava o futuro da empresa no país um tanto quanto nebuloso, e acabava afastando investidores. Felizmente para os fãs dos serviços oferecidos pela Uber e pela Didi Chuxing, o governo chinês anunciou na tarde desta quinta feira (28) a criação de uma série de regras para utilização dos serviços no país. A regulamentação remove possíveis incertezas sobre o negócio, tornando o investimento nas empresas de transporte algo mais sólido. Apesar de já existirem investimentos em tecnologias, marketing e subsídios, (em junho, o Didi Chuxing levantou US$ 7,3 bilhões, enquanto o Uber levantou US$ 2 bilhões de investidores em janeiro, para investir unicamente no país asiático) as duas empresas estavam operando em uma zona legal cinzenta, com motoristas, ocasionalmente, sendo detidos pela polícia, embora não houvesse nenhuma proibição legal.

 

As novas regras para a Didi e a Uber na China

 O vice-ministro dos Transportes da China, Liu Xiaoming, afirmou: “Queremos promover o desenvolvimento de alternativas online ao transporte, ao mesmo tempo que precisamos regular seu comportamento”. O governo chinês definiu algumas regras para o serviço e recebeu elogios das duas maiores empresas. “Para nós, a regulação é muito bem-vinda, enviando uma clara mensagem sobre os benefícios dos nossos serviços para motoristas, passageiros e cidades”, disse Zhen Liu, vice-presidente de estratégia corporativa do Uber na China. Enquanto a manifestação da Didi veio através de uma carta, expressando o contentamento da empresa com a regulamentação, e garantindo o esforço na adaptação das novas regras e padrões.

Ficou estabelecido que os motoristas que queiram disponibilizar seus serviços nos aplicativos tenham pelo menos três anos de experiência e passem por um teste de antecedentes criminais, enquanto que o carro utilizado no serviço não poderá ter mais de 600.000 KM rodados e 8 anos de uso.

Já os motoristas estavam divididos sobre a regulamentação e a criação de novas regras para os serviços, como a Uber na China. Por um lado, eles disseram que foi um alívio ver o seu trabalho permitido e regulamentado pelo governo, mas por outro, os pontos mais delicados da lei não eram claros, deixando perguntas em aberto, como a questão das tarifas dentro e fora de Pequim. Cada cidade onde os serviços operam poderão estabelecer taxas mínimas e máximas para controlar as tarifas dos aplicativos, enquanto que o Estado poderá exigir que apenas alguns modelos de carros possam ser utilizados.

Uber na China

Wu Shenkuo, professor de Direito na Universidade de Pequim, afirmou que a regulamentação é um marco para o setor de transportes e que as empresas precisam ajustar-se à nova lei, especialmente em termos de pedido de licença, de rastreio de motoristas e frota os carros. Wu também acrescentou que a lei cria um modelo de como a China pretende regular novas indústrias baseadas na Internet e que hoje estão em conflito com as empresas existentes. Assim como no Brasil, os motoristas de táxi na China têm realizado protestos em massa em relação aos aplicativos, por entenderem que os serviços oferecidos pela Uber e Pela Didi são concorrência desleal. 

 Atualmente, de acordo com o China Internet Network Information Center, a Didi é responsável por 87,2% do mercado de corridas em carros privados. O aplicativo possui mais de 250 milhões de usuários ativos. A regulamentação promete acirrar ainda mais essa disputa, e a Uber promete investir agressivamente no mercado chinês, agora que as regras foram estabelecidas.

Fontes: New York Times; Estadão; Globo

Por Gustavo Massi, diretamente de São Paulo, SP, Brasil

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