A transformação do trading da China


Não é preciso ser um expert no assunto para saber que a China tem sido um exemplo no comércio global. A China se tornou uma das principais nações comerciais do mundo e se tornou uma das mais influentes no meio dos anos 2000. Contudo, poucos param para analisar como, com o decorrer dos anos, a China se tornou referência na globalização. Quer saber um pouco mais dessa história e viajar no passado? Continue lendo nosso texto!

 

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Moeda antiga da China

 

Atualmente, é impossível conversar sobre comex, trading, internacionalização e mercado global sem mencionar a China. Para construir seu caminho, a China enfrentou diversas situações das décadas passadas e o Diretor do Centro de estudos de Trade and Policy da Cato Institute, traz três aspectos relacionado ao início do comércio internacional da China.

1. O ressurgimento da China como uma nação comercial

Se viajássemos no tempo para seis ou sete séculos atras, estaríamos presente em um mundo no qual a China era a economia mais avançada do planeta e a maior forca do comércio asiático. A China organizou uma Marinha profissional em 1232. No século XIII, a cidade comercial de Hangzhou já contava com 1 milhão de habitantes. A cidade adotou relativa Liberdade, viagens e até o aprendizado do árabe e hindu. Naquela época, os chineses atravessavam o oceano Índico com frotas de navios mercantes, com 30 metros de comprimento e 7 metros de largura, carregando 120 toneladas de carga e 60 tripulantes. Esses navios visitaram a Indonésia, o Ceilão e a costa oeste da Índia. 

Os navio de tesouros eram encaminhados em missões comerciais, transportando centenas de marinheiros encarregados de fazerem comércio, como trocar porcelanas e sedas por safiras, rubis, topázio, pérolas, la e tapetes.

 

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Desenho armada imperial China

Em 1400 a China se destacava como superior em todos os sentidos em relação ao Ocidente, tecnologia, padrão de vida e influencia global. Contudo, a interioridade cultural e econômica, somado ao sistema político fechado e centralizado, fechou as portas para a economia mundial no século XV. Rejeição de estrangeiros e a frase “não nos falta nada” deixou a China por 500 anos, isolada do mundo. Ainda em 1820, o PIB da China era 30% mais alto que o da Europa Ocidental, mas se tornou apenas um décimo em 1950.

Reformas econômicas ocorreram em 1970 e, ao longo de alguns anos, reverteram 500 anos de história relacionada a economia do país. O comércio da China com o restante do mundo deu um saldo de US$ 20 bilhões no início da reforma para US$ 500 bilhões em 2001.

2. Relações Comerciais EUA-China

Voltando a economia global, desde que a China abriu unilateralmente seu mercado, o povo da China e dos EUA desfrutaram de um relacionamento comercial que mostrava-se promissor, crescente e benéfico para ambos os lados. De “nada”, em 1980, o comércio entre os dois países cresceu para mais de US$ 120 bilhões em 2001.

Desde a década de 80, os EUA permitiram que os produtos chineses entrassem no mercado com as mesmas tarifas aplicadas aos outros parceiros comerciais. Nos anos 2000, o caminho para a China participar na OMC começa a se tornar real.

Três quartos do que os americanos importavam da China, eram brinquedos, sapatos, moveis, luminárias, eletrônicos, roupas e máquinas de escritório. O Famoso Wal-Mart importou US$ 12 bilhões em produtos da China em 2002, pois os bens tinham preços baixos e variedade para as famílias americanas.

 

Quadro de investimentos / variação do dólar

Em contrapartida, em escala muito menos, a China comprava aeronaves fabricadas nos EUA, equipamentos de telecomunicação, instrumentos científicos, frutas, sementes e fertilizantes.

Os EUA se tornaram os melhores clientes da China. Os bens de consumo dos americanos eram praticamente, todos da China. Os americanos estavam mais dispostos e capazes de comprar o que a China fabrica do que comprar o que os próprios americanos produziam.

Reflexos foram sentidos nas fabricas dos EUA e as criticas preocupados começaram a bombardear quando se pensava na ameaça que a China estava se tornando para os EUA, afinal, eles importavam aeronaves e equipamentos tecnológicos e ameaçavam a economia dos fabricantes americanos.

3. Críticos das relações comerciais

No que se referia a segurança nacional na época, em 2002, a preocupação mais legítima sobre o comércio e segurança, era o que estava sendo exportado para a China.

O governo dos EUA detém amplos poderes para bloquear as exportações para a China de tecnologia militar sensível e chamada tecnologia de dupla utilização – na qual o governo deveria usar esse poder quando necessário. Os EUA não deveriam estar vendendo tecnologia militar de ponta para a China, afinal, a partir deste momento, essa tecnologia poderia então ser vendida aos nossos inimigos ou virada contra os americanos de qualquer forma. Mas isso não é o que realmente incomodava os críticos do comércio com a China. O que eles se opõem são as importações da China. Eles acreditam em uma fórmula simples, que o autor e diretor Daniel Griswold chamou de simplista, que diz: quando os EUA compra mercadorias da China, a China fica mais rica e a China mais rica se melhora, cresce, desenvolve, podendo financiar seus militares para ameaçar a segurança americana.

 

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Guerra ou parceria comercial?

Contudo, para rebater esta previsão que gerou medo em muitos, Griswold exalta que os EUA não foi o único e nem mais importante fator para o desenvolvimento da China. A liberalização interna da China, como o setor agrícola, controle de preços e abertura unilateral de sua economia, como um todo, favoreceram o desenvolvimento economico do país. Mesmo que os EUA tivesse fechado o mercado, a China teria crescido rapidamente nos últimos 20 anos.

Paralelamente a isso, frear a China era, de fato, o que os EUA precisava? A vasta gama de produtos trazia felicidade e até alívio para os americanos. Os produtos importados da China, se não fossem de lá, talvez seriam de outros países, pois a indústria americana estava focada em outro ramo. As importações da China não enfraqueceram a economia dos EUA, não causaram desemprego, inclusive, o oposto. Com o tanto de produto mais barato que a China fornecia, o salário das famílias eram mais valorizados e o poder aquisitivo das pessoas aumentou.

Claro, desde então, muita coisa mudou. Atualmente, a relação entre EUA e China não é mais a mesma e, por muitas vezes, ha tensões no ar ao prever o futuro de ambos os países como potencias econômicas e politicas, contudo, este é um tema para outro texto que traga uma visão atual da relação entre os dois países.

Para finalizar a análise de Griswold, muitas vezes, a história da China é mal contada, ou, a China não ganha o crédito que deveria ter. O comércio com a China gerou empregos, rendimento, estimulou um clima mais hospitaleiro para liberdade civil e política. 

A abertura econômica trouxe maior acesso a tecnologia para as pessoas ao utilizarem os aparelhos de fax, antenas parabólicas, telefones celulares e internet para se conectar com pessoas do outro lado do mundo, o que foi um fenômeno.

A globalização e o desenvolvimento econômicos trouxeram, mesmo que timidamente, um histórico de um engajamento econômico promissor, deixando para trás o pensamento de que o isolamento do mundo era melhor. Os direitos humanos e democracia acompanharam a globalização e avançaram no mundo, incentivando um comercio mais liberal e elevando padrões de vida de muitas pessoas.

 

Por Carolina Ranzoni, diretamente da Nova Zelândia.

Fonte: Cato Institute

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