Outubro 10 2018

Tibete e seus encantos à primeira vista

Posted by Gabriel Condi

Ao escrever este artigo, logo pensei no filme “Sete Anos no Tibet” dirigido de forma habilidosa por Jean-Jacques Annaud com a participação de Brad Pitt como protagonista de um filme que nos trouxe maravilhosas fotografias. Teremos verdadeiros wallpapers se pausarmos cada cena gravada em Lhasa, capital do Tibete.

Antes de mostrar um pouco sobre Lhasa, é importante entender um pouco sobre a incrível Região Autônoma do Tibete  – que não é necessariamente autônoma – e suas burocracias de visita.

 

Conheça o Tibete

 

tibete

                Para visitar o Tibete, você precisará de uma permissão especial e muito fôlego!

 

O território ocupa uma boa parte do centro oeste chinês e é chamado de “Topo do Mundo” por causa de sua altitude média de 4.200 metros. O principal roteiro turístico está em Lhasa, principal cidade tibetana que está localizada no coração do Tibete. A entrada de estrangeiros no território tibetano é bastante regulada pelo governo chinês, e por esta razão é necessária uma permissão especial para estrangeiros, além do visto chinês. Esta permissão é importantíssima, porque sem ela você simplesmente não entrará no Tibete! Há relatos de pessoas que tentaram 4 vezes e tiveram sua entrada negada por estar sem a tal permissão especial, mesmo com tudo reservado.

Uma das condições para adquirir a permissão é a contratação de guias durante toda a estadia na região. A dica é procurar uma agência local em Lhasa para resolver as burocracias de permanência e também para organizar melhor a viagem.

Certamente muitos irão sentir os efeitos da altitude, que poderão ter seus efeitos minimizados tomando comprimidos ou usando um tubo de oxigênio que é vendido nas lojinhas de Lhasa.

 

Lhasa, o coração do Tibete

 

tibete

                                  O fabuloso Palácio de Potala, ponto turístico de Lhasa.

 

Lhasa significa “lugar dos deuses” e tem sido sede política e religiosa desde 1645. Está situada a mais de 3.000 metros acima do nível do mar e sua temperatura pode passar dos 10°C durante o dia para cerca de -8ºC, ou seja, leve um casaco! A viagem até Lhasa poderá ser feita de trem – cerca de 2 a 3 dias – , carro, ônibus a partir de Kathmandu, ou de avião em um voo que dura cerca de 6 horas a partir de Pequim. No desembarque, é necessário mostrar o passaporte mais a permissão especial ao exército chinês.

O turismo independente não é permitido no país, obrigando cada turista a comprar pacotes prontos de agências de turismo. A melhor escolha é a de um guia tibetano que te espera do lado de fora do aeroporto com seu nome escrito em um cartaz.

De acordo com a crença budista, há uma espécie de energia muito forte que eles nomeiam de shugs ou ktsal. Esta energia se propaga em ondas a serem transmitidas também por objetos. Os monges são capacitados a realizar ritos que transmitem esta energia aos objetos, tornando-os amuletos. Um destes objetos são as famosas kha-tags que podem ser de cinco cores: branca, vermelha, azul, verde e amarela – as cinco cores místicas. Em Lhasa as kha-tags são brancas e bastante usadas como presentes de boas vindas para dar sorte aos visitantes – aliás, Lhasa era a antiga residência do Dalai Lama.

Ao lado das antigas tradições há também construções que remetem às organizações urbanas atuais que mais parecem o caos urbano e estético. As construções realizadas por operários oriundos das áreas rurais estão por todo lado da cidade. É uma mistura do Tibete antigo e mágico com um novo que não agrada aos apreciadores das cidades mais históricas. O lado bom de ser uma cidade grande é que facilita para o turista, já que em Lhasa se encontra vários serviços como alimentação e hospedagem que são essenciais para o turista. Mais abaixo, falaremos sobre a alimentação tibetana, que é um show à parte.

Antes de ir ao Tibete, lembre-se de descansar bastante para evitar a doença da altitude que pode se manifestar a partir de 2.700 metros. Uma boa dica é fazer tudo devagar por ao menos 1 dia. Muitos comprimidos para suportar a altitude (vendem por lá), latinha de oxigênio já falada por aqui e 3 a 5 litros de água por dia! Parece exagero, mas lembre-se, você não estará em um lugar qualquer.

 

Cultura, pontos turísticos e alimentação

Não podemos falar do Tibete sem abordar o budismo, que representa um importantíssimo pilar na sociedade tibetana. É tão importante que consegue ultrapassar a questão religiosa na região: as pessoas não tem fé, elas são fé.

Lhasa apresenta alguns circuitos sagrados como o Potang Shakor, ao redor do palácio Potala e o Barkhor, ao redor do Jokhang.

O Palácio de Potala é considerado patrimônio universal da UNESCO e hoje é também um museu. Dentro do palácio, você pode visitar parte da residência do Dalai Lama, mas são permitidos apenas 1.600 visitantes por dia.

Outro local que vale a pena visitar é o Jokhang, templo supremo do budismo tibetano. Outra atração de destaque é o mercado a céu aberto na praça de Barkhor que, assim como em vários mercados, você pode pechinchar à vontade. A praça de Barkhor serviu como foco de protestos políticos no passado até os dias atuais, mas há uma vigilância do exército chinês atenta para censurar alguns atos.

 

Um dos melhores momentos de toda viagem: comida!

Se você pensou que falaríamos sobre insetos, esqueça! A comida do Tibete é maravilhosa. Suas influências indianas, nepalesas e chinesas permitem um cardápio cheio de opções durante todos os dias. Desde o tradicional momo de batata, queijo de yak, aos cogumelos tibetanos. Não podemos falar de comida tibetana sem lembrar dos vegetais frescos sempre presentes nas refeições, além dos noodles e arroz frito.

 

tibete

                          A carne de yak é um dos pratos mais típicos da culinária tibetana.

 

Um restaurante bastante indicado é o Namastê, que serve comida tibetana, nepalesa, indiana e chinesa. Quer mais?

O famoso pão indiano nan com chow mein de yak e marsala de cogumelos é uma boa pedida acompanhada de refrigerantes e cerveja tibetana gelada.

 

Monte Everest

Não poderíamos deixar de mencionar o pico mais alto do planeta, de cerca de 8.848 metros acima do nível do mar, localizado nas montanhas dos Himalaias.

 

tibete

                               Um dos Acampamentos Base do Everest – Everest Base Camp.

 

Será uma longa jornada até chegar ao E.B.C (Everest Base Camp). É quase um dia inteiro chacoalhando dentro de uma van e, para piorar, o limite de velocidade não pode ultrapassar os 50 km/h. Os últimos 150 km serão percorridos em uma das estradas mais sinuosas de sua vida, mas o destino valerá a pena.

No roteiro de ida até o E.B.C, haverão algumas paradas em outras cidades que estão pelo caminho, como Shigatse. Em Shigatse há alguns pontos belíssimos, que a imagem mostrará por si:

 

tibet

                                        Lago Yamdrok. Os lagos são sagrados no Tibete.

 

As águas do Yamdrok originam-se do degelo da neve, não ocorrendo alteração no nível da água. Seguindo viagem, atravessarão por outras paisagens deslumbrantes como mais vistas de montanhas e até de uma geleira.

Ao chegar no longínquo Acampamento Base do Everest no alto de seus 5.200 metros, você encontrará tendas que servirão para um sono aquecido e banheiros comunitários – além da opção de fazer ao ar livre, ou seja, do lado de fora mesmo!

Há duas opções para chegar mais próximo das montanhas: trekking de 4 km até a base da montanha ou um ônibus do governo que percorre o mesmo trajeto cobrando um valor acessível para ida e volta. Você escolhe!

 

Por Romero Castro, diretamente de Pelotas, RS, Brasil

Fontes: Revista Época, guiageo-china, topensandoemviajar, Eeed.edu, Shanghaiist, BBC

Gostou desse artigo? Então confira mais conteúdos e acompanhe as novidades em nossas redes sociais:

Facebook  |  Canal do Youtube  |  LinkedIn   |  Instagram   | Twitter |  Google +