Outubro 05 2018

Aumento de tensão entre EUA e China e reação do mercado

Posted by Victor Fumoto

A guerra comercial tomou novos rumos neste meio de ano. Resumidamente, o que ocorreu em menos de uma semana neste final de julho foi capaz de concretizar uma tensão que já vinha se desenvolvendo entre a China e os EUA desde as acusações na OMC que Pequim continua a negar. No dia 15 de junho os EUA anunciaram uma taxação de 25% sobre as importações chinesas. No dia 18 de junho Trump anunciou que taxaria outros 10% sobre produtos comerciais que chegavam a somar 200 bilhões de dólares. No dia 19 de junho a China afirma que irá retaliar os EUA com a mesma força com que foi taxado. Esse conflito foi composto por ameaças verbais até o governo americano anunciar uma imposição de taxas mais altas sob importações de produtos chineses que chegavam a somar 50 bilhões de dólares antes dessa escalada de tensão ter ocorrido.

guerra comercial

Imagem por China Link Trading.

EUA e China: o que está acontecendo?

Neste primeiro semestre de 2018, o presidente dos EUA Donald Trump tem adotado, cada vez mais, medidas protecionistas para com os produtores estadunidenses que vêm se prejudicando com os manufaturados importados, principalmente da China, que tem um preço muito baixo quando comparado ao produto nacional. Este comportamento está fazendo com que a relação econômica e estratégica entre os EUA e seus principais parceiros econômicos esteja abalada, chegando ao ponto em que estes Estados parceiros cheguem a declarar uma “guerra comercial” com os EUA. Trump tem adotado medidas protecionistas em setores estratégicos como é visto na sobretaxação sobre o aço e alumínio impostas que atingiram, principalmente, as economias japonesas, europeias e dos países membros do NAFTA. Parte disso está os obstáculos estratégicos contra a invasão em solo estadunidense dos produtos “Made in China”, sendo esta uma das bandeiras da campanha política de Trump que obteve adeptos ao redor do mundo. Os EUA têm executado este plano através de três pontos de ataque: as recentes tarifas de importação sobre os produtos chineses, a disputa que ocorre na OMC acerca da propriedade intelectual e também e se manifesta em restrições de investimentos.

Como se pode ver, este conflito abrange mais elementos do que apenas a China e os EUA, sendo um conflito complexo na economia global. Entre esses dois gigantes está tramada uma disputa em relação a propriedade intelectual que Trump afirma estar sendo roubada por Pequim, que por sua vez, nega o roubo de propriedade intelectual estadunidense, atingindo a maioria dos produtos comercializados entre os dois países.

 

EUA

Imagem por: g1.globo.com

 

Guerra Tecnológica

Uma empresa de Taiwan, maior fabricante terceirizada de eletrônicos do mundo e prestadora de serviços para grandes corporações transnacionais, como a Apple, Foxconn, afirmou em 22 de junho que acredita que seu país e seu cliente estejam passando por uma guerra de teor mais tecnológico do que comercial. Disse também que este é o maior desafio que a companhia está enfrentando atualmente e que esta guerra pode ser considerada de manufatura também, uma vez que atinge principalmente os manufaturados chineses que entram no mercado dos EUA.

 

Reação chinesa

A proteção à propriedade intelectual, que é o motivo inicial do conflito, atinge produtos médicos, tecnologias industriais e tecnologias relacionadas a transporte. A promessa da retaliação chinesa feita nessa semana incidirá sobre estes produtos “com a mesma força”. Analistas do assunto afirmam que essa guerra comercial tem potencial de quebrar importantes cadeias de fornecimento de componentes tecnológicos para indústrias de tecnologias e indústrias automotivas.

 

 

Impactos no Brasil e no Mundo

Os impactos dessa guerra comercial entre dois países tão influentes na economia global foram sentidos na bolsa de Nova Iorque que caiu 1,15%. Ocorreram também quedas significativas em mercados de valor chineses, estadunidenses e até na Alemanha (que possui grandes empresas exportadoras para esses países).

A BOVESPA (Bolsa de Valores de São Paulo) fechou em alta devido a um comportamento excepcional dos acionistas que compraram ações que haviam desvalorizado e por isso possuíam preços atrativos. Esta guerra comercial pode refletir no Brasil devido ao grande impacto das decisões do governo dos EUA como já vimos ocorrer com a taxação do aço e, mais recentemente, na taxação das exportações de frango brasileiro à China. A queda do preço da soja em Chicago devido a ameaça da retaliação chinesa pode fazer com que aumente o preço da soja brasileira e consequentemente a ração do gado, ocasionando um possível aumento no preço da carne bovina brasileira.

 

Por Mariana Madrigali Fidalgo,  diretamente de São Paulo – SP

Fontes: G1, Isto É

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