O esporte mais popular na China: o tênis de mesa

Apesar de ter sido inventado na Inglaterra em meados do século XIX, o tênis de mesa é o esporte mais popular na República Popular da China. O ping pong (乒乓球; ping pang qiu), como a modalidade é conhecida na China, tem cerca de 10 milhões de praticantes no país. Isso se deve pelo fato do ping pong ser um esporte de baixo custo, e que não requer um espaço tão grande para ser praticado, e por esses motivos, na virada da década de 1940 para 1950, o líder Mao Tsé-Tung estimulou a prática do tênis de mesa no país, pelo fato de ser um esporte jogado em uma área reduzida, ele achava ideal para um país de população tão grande. O resultado foi a ascensão de uma potência, que das 32 medalhas de ouros disputadas desde quando o esporte foi incluso no programa olímpico em 1988, ganhou 28, entre homens, mulheres e equipes.

 

A história do ping pong

O tênis de mesa foi inventando na Inglaterra, em meados do século XIX. Ele surgiu de uma tentativa de reproduzir o jogo de tênis em um ambiente fechado, e com objetos que podem facilmente serem encontrados durante o dia a dia para serem usados como equipamento, por exemplo: uma fileira de livros ou de pedras poderia ser usada como rede, uma rolha de garrafa como bola e uma caixa de charutos ou cigarros como raquete.

No início, as raquetes eram, na maioria das vezes feitas de madeira, gerando um barulho muito característico, e que veio a originar o nome “ping pong”. Tendo o nome “tênis de mesa” sido adotado, só depois da empresa inglesa J. Jacques registar a marca em 1901. Um dos fatores que contribuiu para a popularidade do esporte, foi que muitas empresas de brinquedos iniciassem a venda de equipamentos comercialmente.

Também a partir de 1901, quando torneios passaram a ser organizados, a popularidade do tênis de mesa cresceu ainda mais, além disso, foram lançados livros e até um mundial em 1902, apesar de ser não oficial. Em 1921, foi criada uma Associação de Tênis de Mesa e, logo em seguida, a Federação Internacional de Tênis de Mesa (ITTF) em 1926. Londres sediou o primeiro mundial oficial, em 1927. Contudo, foi apenas em 1988, nas Olimpíadas de Seul que o esporte se tornou olímpico.

 

Uma raquete e a bolinha sob a mesa de ping pong. Um esporte que facilmente pode ser praticado.

 

O esporte na China e as Olimpíadas

Um dos maiores responsáveis por levar o ping pong para a China foi o banqueiro, Ivor Montagu, que inclusive ajudou a criar as regras que criaram a Federação Internacional de Tênis de Mesa, em 1920. Montagu seguia uma linha de pensamento que misturava esporte com política, ou seja, ele justificava que a modalidade iria se tornar popular entre os chineses porque o jogo, poderiam ser praticado com mais facilidade em salas sem janela, o que permitiria aos trabalhadores jogar nos intervalos, sem sair da fábrica. Assim com a ascensão de Mao Tsé-Tung ao poder, a prática foi massificada, até que em 1950, o líder decretou o tênis de mesa como esporte nacional. Providenciando, assim, o envio de técnicos por todo o país, buscando crianças com reflexos agudos e excelente coordenação e visão. Era uma espécie de controle social, sob a justificativa de Mao de elevar a autoestima do povo. E ele estava certo, o esporte se tornou um orgulho nacional, e parte integrante e muito importante da cultura chinesa. Sem contar que a China se tornou uma potência dominante, principalmente nas olimpíadas, onde das 32 medalhas de ouro disputadas desde 1988, a China conquistou 28, entre homens, mulheres, e competições em equipes.

E o que faz com que os chineses sejam tão bons? Primeiro, a quantidade de pessoas. Com 1,7 bilhões de pessoas fica menos difícil encontrar talentos. A estimativa de praticantes do tênis de mesa é de 10 milhões de pessoas, o esporte mais popular no país. Além disso, os chineses sempre estiveram na vanguarda dos treinos, não apenas pelo tempo praticado, mas também pela qualidade do trabalho desenvolvido. As crianças vão a centros públicos de treinos a partir dos cinco anos de idade. Os treinos começam com o controle da raquete, para depois aprender os movimentos. Tratam-se de ações laterais, para frente, para trás e mais, sem bolinha. A regra é acostumar o corpo a fazer a ação correta. Um milímetro errado significa bola fora. Só depois, então, se desenvolve o jogo propriamente dito. São seis horas diárias de trabalho, em média.

Sem contar que na China, cada cidade tem a sua seleção e para integrar o selecionado nacional, há diversos testes e competições. Uma vez dentro, se passa a ter contato com a melhor estrutura e um treinador individual. Os técnicos específicos para rebater bola, são, em sua maioria, atletas com nível mundial. Na delegação que veio ao Rio, em 2016, por exemplo, havia quatro treinadores, dois para o masculino e dois para o feminino, um coordenador técnico e dois preparadores físicos. Quem não é aprovado tem outro caminho, além da naturalização (uma opção muito comum entre mesatenistas chineses, devido à grande competitividade para integrar a seleção nacional): virar professor. A Universidade de Pequim até oferece um curso de especialização em tênis de mesa para formar os técnicos dos futuros campeões. Há ainda quem diga que é mais difícil ver campeão chinês do que campeão olímpico.

 

O mesatenista chinês Ma Long, durante o mundial em 2015.

 

A diplomacia do Ping Pong

Em 1971, a seleção dos Estados Unidos de ping pong estava no Japão para o campeonato mundial de tênis de mesa quando receberam um inesperado convite para encontros amistosos na China. Dias depois, os estadunidenses cruzaram a ponte de Hong Kong, se tornando os primeiros do país a visitar a China após a Revolução de 1949. Os encontros aconteceram em paralelo com treinos conjuntos, e visitas a sítios turísticos chineses

Tal situação potencializou a aproximação entre Estados Unidos e China, tanto que ainda em 1971, os Estados Unidos levantaram o embargo a produtos chineses, que durava mais de 20 anos. O acontecimento proporcionou ainda a visita de Henry Kissinger, então Conselheiro de Segurança Nacional do presidente Nixon à China, e por uma visita do próprio presidente Richard Nixon ao país de Mao Tsé-Tung, em fevereiro de 1972. Além disso, no contexto da Guerra Fria e o distanciamento que tinha se dando entre China e União Soviética, os Estados Unidos passaram a ver uma aproximação com a China como um elemento chave em sua política externa.

Por fim, alguns meses após a visita de Nixon, Zhuang Zedong tricampeão mundial (1961, 1963 e 1965) e considerado um dos principais atletas do ping pong chinês, liderou uma equipe que visitou os Estados Unidos, Canadá, Mexico e Peru. O governo Chinês tentava assim ampliar ainda mais o alcance de sua “Diplomacia do Ping Pong”.

 

Raquetes de ping pong com os rostos de Nixon, à direita e Mao Tse-Tong, à esquerda.

 

Por fim, o tênis de mesa também é conhecido como o esporte com o tipo de bola mais rápida do mundo, além de ser o esporte de raquete que mais produz rotação na bola. E aí, você bateria uma bolinha com um mesatenista chinês?

 

Fonte: Globo Esporte, Wikipedia, História do Esporte

Por João Victor Scomparim Soares, diretamente de Cerquilho, SP, Brasil

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