Junho 06 2018

Taiwan: país independente ou parte da China?

Posted by Victor Fumoto

Você é uma das muitas pessoas que ainda não sabe se Taiwan é um país ou parte da China? Se você fizer esta pergunta a alguém que reside na China e a algum taiwanês, provavelmente as respostas serão diferentes. Isso porque esta é uma questão bastante controversa. Continue lendo e vamos tirar essa dúvida de uma vez por todas!

 

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Bandeira de Taiwan (Imagem by Medium.com).

 

O início das tensões

Taiwan, também conhecida como Ilha de Formosa, aparece pela primeira vez nos registros chineses em 23 d.C., quando a China enviou uma força expedicionária para explorar a ilha. Este marco é utilizado pela administração chinesa para respaldar sua reivindicação territorial sob a ilha. Após figurar como colônia holandesa, entre 1624 e 1661, a Ilha de Formosa foi administrada pela Dinastia Qing da China, entre 1683 e 1895.

 

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“A ilha de Formosa e a dos Pescadores”, obra de Johannes Vingboons (1640). Formosa foi o nome dado a Taiwan pelos exploradores portugueses ao avistarem a ilha no século XVI (Imagem by Wikipedia, retirada de Global Voices).

 

Usando como base os períodos em que administrou a ilha, a China sempre alegou posse sobre Taiwan. No entanto, existem inúmeras controvérsias a esse respeito. Há quem acredite que, durante a Dinastia Qing, a China não administrou o território, e sim impôs pesados impostos aos taiwaneses, utilizando suas forças militares para reprimir os “insurgentes”.

Foi apenas no ano de 1887 que Taiwan foi elevada à província. Em grande parte, essa mudança no status de Taiwan aos olhos chineses ocorreu devido a uma invasão da França, entre 1883 e 1885, no conflito que ficou conhecido como Guerra Sino-Francesa. Foi durante esse período que a China reconheceu a posição estratégica de Taiwan como baluarte na região do Pacífico Ocidental. Oito anos depois, em 1895, após a primeira Guerra Sino-Japonesa, o governo Qing foi forçado a ceder Taiwan ao Japão.

 

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Localização de Taiwan (Imagem retirada de BBC).

 

Taiwan ficou sob domínio do Japão até o fim da Segunda Guerra Mundial, quando a China – uma das nações vencedoras – voltou a tomar posse da ilha, com o consentimento dos Estados Unidos e do Reino Unido. Porém, devido ao período em que ficaram sob administração japonesa, os habitantes da ilha eram culturalmente muito diferentes dos chineses, nem sequer falavam o mandarim; o que dificultou o governo da República da China a considerar os taiwaneses seus patriotas.

A questão, no entanto, continuou conflituosa, quando, em 1949, as tropas de Chiang foram derrotadas pelos exércitos comunistas sob a liderança de Mao Zedong, durante a Guerra Civil Chinesa (1946-1950), e se exilaram na ilha. Este grupo exilado, também conhecido como Kuomintang (KMT), representava 1,5 milhão de pessoas e dominou a ilha por muitos anos.

 

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Chiang Kai-shek, que fugiu para Taiwan com suas tropas ao ser derrotado na Guerra Civil Chinesa (Imagem by Central Press, retirada de BBC).

 

Desse exílio nasceu, então, uma ditadura, que enfrentou forte resistência da população local durante muitos anos. Este período de resistência é conhecido como período do Terror Branco (1949-1987) e marcou décadas de movimentos pró-democracia – os taiwaneses buscavam a construção de uma sociedade livre e democrática, além de almejarem forjar uma nova identidade nacional taiwanesa, diferente daquela presente na China. Aos poucos, o processo de democratização foi sendo construído e Chiang Ching-kuo, filho de Chiang, permitiu que eleições fossem realizadas, pela primeira vez, em 2000 – na ocasião, foi eleito o primeiro presidente taiwanês não-KMT, Chen Shui-bian.

 

Taiwan e a China na atualidade

Por este histórico conflituoso, existem visões diferentes sobre a independência da ilha: uma de viés chinês e outra de viés taiwanês. De acordo com a visão chinesa, a China sempre exerceu controle sobre a ilha e apenas fez a gentileza de trazer a ilha de volta ao seio da família após o fim da Segunda Guerra Mundial. Já do ponto de vista taiwanês, tanto o Império Chinês quanto o Japonês foram colonizadores.

 

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O status de Taiwan possui diferentes interpretações para taiwaneses e chineses (Imagem by Associated Press, retirada de BBC).

 

Antes de tudo, deve-se ter em mente que a história é sempre construída sob a égide dos vencedores. Tradicionalmente, o discurso oficial, reconhecido pela História e pela comunidade internacional, é aquele contado pelos vencedores – os derrotados acabam sempre perdendo a voz. Assim, a versão mais aceita é a chinesa, que defende Taiwan como território chinês.

Por isso, apesar de Taiwan ter quase todos os atributos de uma nação, são poucos os seus parceiros diplomáticos. A ilha é reconhecida como Estado soberano por apenas 22 países, e os parceiros diplomáticos da China são induzidos a não reconhecerem a independência taiwanesa. Por isso, Taiwan não é membro das Nações Unidas e nem mesmo da Organização Mundial da Saúde (OMS).

No entanto, para os taiwaneses, a verdade é que a ilha já foi uma província chinesa, mas, atualmente, não ocupa mais este posto. Muitos comparam a situação de Taiwan à história da Mongólia: a Mongólia já fez parte da China também durante a Dinastia Ming, porém lutou e conquistou sua independência em 1911. Hoje a Mongólia é uma nação independente e ninguém a considera província da China, apenas porque já foi, um dia, parte do país.

Mesmo diante de um histórico hostil entre China e Taiwan, as relações entre ambos começaram a melhorar a partir dos anos 1980. A China apresentou propôs uma “fórmula” conhecida como “Um país, dois sistemas” – a mesmo aplicada à Hong Kong – sob a qual Taiwan teria significativa autonomia se aceitasse a reunificação chinesa. No entanto, a oferta foi recusada pelo governo taiwanês, que continuou rejeitando qualquer aproximação com a China.

 

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A atual presidente de Taiwan, Tsai Ing-wen (Imagem by Reuters, retirada de South China Morning Post).

 

Em 2000, quando Taiwan realizou eleições e elegeu seu primeiro presidente, a China aprovou a Lei Anti-Secessão (de 2005), afirmando o direito da China de usar “meios não pacíficos” contra a ilha, caso tentasse a independência. Mais recentemente, em 2016, Tsai Ing-wen, do Partido Democrático Progressista (DPP), que se inclina para a independência, foi eleita, e, em dezembro de 2016, falou ao telefone com o então recém-eleito presidente dos EUA, Donald Trump. Fato que possui grande importância política, pois marcou a ruptura dos Estados Unidos com a política norte-americana estabelecida em 1979, quando as relações formais com Taiwan foram cortadas.

Na ocasião, Trump até chegou a declarar que poderia reconsiderar tal política, o que causou preocupação da China – o governo chinês declarou que o princípio de “Uma só China” é inegociável.

 

Mas, afinal, o que Taiwan é?

 

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Taipei, capital de Taiwan (Imagem retirada de Unsplash).

 

A questão, como já dissemos acima, é extremamente complicada e há diferentes pontos de vista a respeito. O governo de Taiwan chegou a ser reconhecido como legítimo por diversas nações ocidentais e até chegou a ocupar o assento no Conselho de Segurança da ONU. Porém, em 1971, a ONU mudou sua interpretação sobre a questão e não mais reconheceu o governo de Taiwan. Desde então, o seu reconhecimento como nação diminuiu bastante no cenário internacional. Mesmo assim, os países parecem aceitar com naturalidade o status ambíguo de Taiwan.

A independência de Taiwan continua, mesmo depois de muitos anos, controversa e possui extrema importância política nas relações internacionais, além do grande potencial conflituoso, principalmente se considerarmos também o protagonismo dos Estados Unidos na questão.

E aí, qual a sua opinião sobre o status de Taiwan? Com quem você concorda? Você já conhecia mais a fundo a situação da Ilha de Formosa no cenário internacional e suas relações com a China? Divida sua opinião conosco nos comentários!

 

Por Ana Yamashita, diretamente de São Paulo, SP, Brasil

Fontes: China Link Trading; BBC; Global Voices

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