Sun Yat-sen: O Pai da República Chinesa

Já ouviu falar de Sun Yat-sen? Considerado um dos grandes líderes da China moderna, Sun Yat-sen foi um Estadista, político e revolucionário e o primeiro presidente da República Popular da China. Por esse motivo, o líder é conhecido por muitos como o “Pai da Nação” ou o “Pai da China Moderna”. Conheça a trajetória de mais uma importante figura chinesa e compreenda um pouco mais sobre a rica história da China!

 

Sun Yat-sen: A história do Pai da República Chinesa

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Retrato de Sun Yat-sen jovem.

Sun Yat-sen, nascido Sun Wen (Sūn Wén, 孫文), veio de uma família pobre de fazendeiros na província de Guangdong, sul da China, a 26km de Macau. Uma das suas primeiras experiências fora da China veio através de seu irmão Mei, que trabalhava no Havaí, e o levou para lá para estudar numa escola missionária britânica. Nesse período, Sun converteu-se ao cristianismo e foi batizado em 1884, o que não agradou muito seu irmão.

Mais tarde, Sun retornou a Hong Kong, onde deu início aos seus estudos de medicina e casou-se com uma moça a qual seus pais haviam escolhido, tendo com ela três filhos. Terminando seus estudos em 1892, começou a exercer a medicina em Cantão, mas logo se desinteressou pelo estilo de vida tradicional que havia estabelecido e trocou a medicina pela política 2 anos depois.

 

 

Sun Yat-sen e “Os Três Princípios do Povo”

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Sun Yat-sen em sua terra natal, Guangdong.

Como muitos ativistas da época, Sun incomodava-se com a resistência da Dinastia Qing a mudanças e sua pouca resistência às potências ocidentais. Em setembro de 1895, ajudou a organizar um levante em Cantão, uma tentativa fracassada de golpe de Estado, que acabou obrigando-o a exilar-se no Japão, o que acabou resultando num exílio de 16 anos nesse país, assim como na Europa, nos Estados Unidos e Canadá. Em 1896, período em que passou em Londres, sofreu um sequestro por membros da embaixada imperial chinesa. Conseguiu libertar-se, ganhando a fama de líder revolucionário chinês no Reino Unido.

No período japonês de seu exílio, em 1905, Sun emergiu como líder de uma coalizão revolucionária: a Sociedade da Aliança Unida, em Tóquio – sociedade que viria a ser o embrião do Kuomintang, o partido nacionalista chinês. O grupo não estava muito bem organizado, nem tinha forças, mas Sun utilizou do “The People’s Journal” para disseminar a sua propaganda, e suas ideias conquistaram muitos estudantes fora da China.

A filosofia de Sun Yat-sen, exaltada por muitas e muitas décadas, tinha como base os “Três Princípios do Povo”: o nacionalismo, a democracia e o meio de subsistência do povo (este traduzido muitas vezes como “socialismo”). Em suma, “nacionalismo” se referia à derrubada do imperador e o fim da hegemonia internacional sobre a China; “democracia”, a um governo republicano e eleito pelo povo; e o “meio de subsistência do povo” era a exigência de uma reforma agrária extensiva.

Após uma busca extensiva por patrocínio na Europa e nos Estados Unidos em 1910, o ativista fez mais uma tentativa de provocar uma rebelião em Cantão, mas esta também resultou num fracasso. Contudo, a Revolução de 1911 deu a Sun a oportunidade que ele desejava: à medida que o levante espontâneo se espalhou rapidamente de Wuhan pelo resto do país, ele retornou à China e foi eleito presidente provisório da república autoproclamada em 1912.

Sun Yat-sen formou uma aliança estratégica com Yuan Shikai, comandante-chefe do exército imperial, que havia tomado o poder do imperador Pu Yi em Beijing. Yuan tornou-se o presidente, enquanto Sun tornou-se um ministro no governo. Porém, a aliança não durou muito tempo: apenas alguns anos depois, Sun acusou Yuan pelo assassinato de um de seus associados, e fundou um governo rival no sul da China. Nos anos seguintes, Sun esteve lutando para unificar o seu Partido, Kuomintang, que havia sido desintegrado devido a rivalidades internas.

Durante esse período, Sun Yat-sen tentava obter apoio do Ocidente e era constantemente frustrado: os oficiais ocidentais ainda reconheciam Yuan e os seus sucessores militares como o governo chinês e Sun era desprezado pelo seu histórico de diversas tentativas fracassadas de revolução.

Desse modo, passou a se voltar para Moscou para assisti-lo na tarefa. Conselheiros soviéticos chegaram em 1983 para auxiliar na reorganização do Kuomintang. Já em 1924, Sun havia reestruturado o seu partido, que agora era uma organização disciplinada baseada no Partido Comunista da União Soviética, com a autoridade descendendo do topo para baixo. Foi parte do seu plano, também, trazer membros do Partido Comunista Chinês, na época muito pequeno, para a estrutura de liderança e criar uma academia militar com o CCP para o treinamento de soldados e propagandistas.

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O belo mausoléu de Sun Yat-sen, em Nanjing.

Nesse período, Sun Yat-sen já sofria de um câncer e, enquanto fortalecia o movimento Nacionalista, a sua saúde enfraquecia. O revolucionário faleceu em 1925 por essa razão, e seu lugar na liderança foi ocupado por um de seus deputados, Chiang Kai-shek. Sun dedicou sua vida à luta pela revolução, mas não viveu para presenciar os frutos do seu trabalho: a vitória de Kuomintang em Beijing e a eventual separação do seu partido com os Comunistas.

Com a sua morte, Sun Yat-sen foi homenageado em todo o país pelo seu papel na revolução chinesa e até hoje seu legado é muito precioso para o país. O seu mausoléu, localizado em Nanjing, rivaliza com os túmulos dos imperadores Ming, a última dinastia da China, um complexo de jardins e palácios de mármore ainda muito popular entre os turistas atualmente.

 

Por Laís Barbosa, diretamente de Santos, SP, Brasil

Fontes: Asia Society; Britannica; CNN.

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