June 04 2018

Soja: entenda a guerra tarifária entre EUA e China e as consequências para o Brasil

Posted by Ana Yamashita

A China é o maior comprador e consumidor global de soja, sendo um dos seus principais parceiros na comercialização deste produto os Estados Unidos e o Brasil. Porém, ultimamente, Pequim tem ameaçado impor uma pesada tarifa sobre as importações de soja dos EUA, como forma de retaliação às medidas comerciais tomadas por Washington. Quer saber mais sobre o ocorrido e como isso influencia a economia brasileira? Continue lendo o artigo!

 

A guerra tarifária entre EUA e China

 

 

A China é o maior comprador mundial de soja. Somente em 2017, o país importou 95,5 milhões de toneladas – cerca de US$ 40 bilhões. Os Estados Unidos aqui desempenham um papel fundamental como parceiro comercial, já que aproximadamente 30% da soja cultivada em seu território é exportada para a China, onde o grão é transformado em óleo e farelo de soja, que é utilizado como alimento para frangos, gado, suínos e peixes.

Porém, nas últimas semanas, Pequim passou a adotar esforços para aumentar sua produção de soja, principalmente por conta da atual tensão comercial com Washington. Há alguns dias, o gigante asiático alertou que adotaria tarifas de 25% à soja americana, caso o presidente Trump cumprisse as suas promessas de impor tarifas sobre diversos produtos chineses.

A decisão chinesa foi, na verdade, uma resposta à iniciativa dos Estados Unidos de impor barreiras à China. Trump prometeu impor taxas a 1,3 mil produtos avaliados em US$ 50 bilhões. Como retaliação, o governo Chinês anunciou que adotará novas tarifas para cerca de 2.016 produtos americanos, entre eles: soja, algodão, carros, aviões, carnes bovina e suína.

 

 

Até que se chegue a um consenso, a experiência que os Estados Unidos têm vivenciado até agora tem sido marcada por uma clara diminuição da demanda por parte dos compradores chineses. Os traders, por exemplo, têm tido que precificar cancelamentos por parte de compradores chineses. Apenas na última semana foram praticamente 200 mil toneladas.

No final do mês de abril, os Estados Unidos embarcaram 533,667 mil toneladas de soja, enquanto o esperado pelo mercado girava em torno de 350 mil  e 630 mil toneladas. Com esse volume, o total já embarcado na temporada atual chega a 44.050,030 milhões de toneladas, sendo que no ano passado, nesta mesma época, o número chegou a 49,8 milhões.

Tudo isso vem pesando profundamente nas cotações em Chicago. As exportações mais lentas de soja dos Estados Unidos para a China, aliadas às más condições climáticas dos últimos meses no território americano, são fatores que prejudicaram a bolsa de Chicago, fazendo com que as baixas ficassem entre 1% e 2,5%, como afirma o analista de mercado da Farm Futures, Ben Potter.

A China, por sua vez, também prejudicada pela tensão comercial, vem impulsionando negociações internas para o aumento da produção de soja em seu território. Segundo notícias dos governos locais, autoridades nas províncias de Heilongjiang e Jilin se reuniram há algumas semanas para discutir ações afim de impulsionar o plantio da oleaginosa.

Contudo, até o momento, o novo plano não parece ser suficiente para gerar alívio aos comparadores de soja. A China deve importar 96 milhões de toneladas de soja em 2017/18, segundo dados oficiais, frente a uma produção doméstica de 14,6 milhões de toneladas.

 

Exportação de soja do Brasil alcança recordes em 2018

A China é um dos mais importantes parceiros comerciais do Brasil e o principal comprador da soja brasileira. Segundo dados do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, o gigante asiático foi responsável por comprar quase 80% de toda a soja brasileira produzida no primeiro trimestre deste ano.

A oleaginosa é o segundo produto mais exportado pelo Brasil, equivalendo a 9,4% das exportações brasileiras. Em 2017, foram embarcadas 50,9 milhões de toneladas de soja para a China.

 

 

Graças à guerra comercial entre Estados Unidos e China, e com as recentes ameaças sobre as tarifas, que levaram a um corte nas importações de soja dos Estados Unidos, possibilitou-se um aumento significativos dos preços de outros fornecedores, como é o caso do Brasil.

No mês de abril deste ano pôde-se observar um recorde brasileiro nas exportações de soja, com 11 milhões e 600 mil toneladas embarcadas.  Cerca de 70% a 75% da safra do estado do Mato Grosso já foi vendida antecipadamente.

Apesar disso, segundo o presidente da Aliança Agro Brasil-Ásia, Marcos Jank, o Brasil se beneficia com a tensão comercial apenas no curto prazo, podendo sair prejudicado num prazo mais longo: “No curtíssimo prazo claramente há oportunidade para aumentar os embarques de alguns produtos brasileiros, mas o que a China está fazendo é retaliar para negociar e, em uma negociação com os EUA, ela pode adotar medidas que beneficiem os americanos e prejudiquem o Brasil”, disse ao Broadcast Agro.

Desse modo, ainda que exista uma possibilidade de ganho no momento atual, a continuidade da batalha comercial entre China e EUA é vista como algo potencialmente prejudicial a todos os envolvidos.

Quer ficar por dentro de todas as notícias sobre a China? Continue ligado no blog!

 

Por Lys Brittes, diretamente de Marília, SP, Brasil

Fontes: Estadão, Folha de S. Paulo, Notícias Agrícolas

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