Janeiro 08 2014

Soft Power da China no Brasil – China Link Blog de Importação

Posted by Lincoln Fracari

A República Popular da China tem tido um grande crescimento econômico desde sua abertura em 1978. Ela é atualmente a segunda maior economia do mundo, além de ocupar um papel importante no cenário político mundial: é membro permanente do Conselho de Segurança da ONU, membro do G20 e entrou para Organização Mundial do Comércio em 2001.

 

soft power da china no brasil

Todas estas características têm possibilitado à China uma boa conjuntura para realização de seu “soft power”. O termo é utilizado para descrever a capacidade de um corpo político de influenciar o comportamento e interesses de outros corpos políticos. O conceito de “soft power” foi formulado por Joseph Nye, fazendo referência à habilidade de influência de uma nação através da inspiração e atração, por meio da propagação de uma dada identidade cultural, política e ideológica, em contraposição à coerção ou poder militar, o chamado “hard power”.  Assim, para o sucesso do “soft power” de um país, que é apontado pelo autor como sendo de característica mais duradoura e efetiva,  seria de extrema importância a relação de admiração e curiosidade em plano internacional por seus valores, seu idioma, suas instituições e cultura.

Assim, a China também exerce o chamado “soft power” em âmbito global, sendo um de seus enfoques a América do Sul, onde constitui uma alternativa aos interesses norte-americanos; não deixando, inclusive, de marcar presença em território brasileiro. No que diz respeito à propagação do idioma, a segunda maior economia do mundo atua com grande relevância através do chamado Instituto do Confúcio inaugurado no ano de 2004. Com sede em Pequim e sendo uma instituição criada pelo governo, a função principal do Instituto não lucrativo está na promoção e ensino da língua chinesa, ao mesmo tempo em que divulga a história e cultura da nação em outros países. Com mais de mil unidades espalhadas ao redor do globo, os Institutos são implementados a partir de parcerias entre universidades chinesas e estrangeiras, com professores chineses aprovados pela matriz do Instituto, atendendo às normas do Ministério da Educação da China. No caso do Brasil, o 5º instituto Confúcio foi aprovado para ser instalado na UNICAMP em 2013.

Aplicação do soft power da China no Brasil

Outro método de aplicação do “soft power” chinês é através da cultura. No caso do Brasil, Marta Suplicy, ministra da Cultura, teve um encontro de trabalho com o ministro da Cultura da China, Cai Wu em setembro de 2013, onde foi sugerido que se fizesse um Ano Novo Chinês no Brasil em Copacabana – a celebração do Ano Novo Chinês em São Paulo já se tornou um evento cultural importante, onde centenas de milhares de pessoas participam do evento que inclui atrações musicais, exposições de arte, apresentações de artes marciais e dança, além de festivais gastronômicos – mostrando o interesse do Brasil por esta cultura. Além disso, a ministra também sugeriu que os chineses investissem na tradução de seus autores para o português.

Outra forma que pode ser visualizada como uma consequência do “soft power”chinês no Brasil é a crescente presença da culinária chinesa, com estabelecimentos espalhados por todas as regiões do país. O uso de ingredientes atípicos às tradições brasileiras não constituiu um fator de limitação do consumo dos pratos chineses, que se mostram cada vez mais aceitos pela população. Há grande dificuldade em encontrar um cidadão brasileiro que nunca provou ou conhece o Yakissoba, o Frango Xadrez e os Rolinhos Primaveras. Restaurantes com essas especialidades não se concentraram apenas em grandes capitais, como no famoso Bairro da Liberdade em São Paulo, local que emana cultura oriental, e no qual a culinária chinesa convive com outras asiáticas, como a japonesa e a coreana. Atualmente, os pratos típicos da China são facilmente encontrados também em pequenas e médias cidades, sendo bastante apreciados no maior país da América Latina.

A milenar medicina tradicional chinesa (MTC), que trabalha com variadas técnicas como a acupuntura, tuiná e exercícios provenientes do tai chi chuan, por exemplo, visando à busca pelo equilíbrio do organismo do paciente, vem ganhando cada vez mais espaço no Brasil. Já existe no país uma revista especializada em medicina chinesa, além também da chamada Associação de Medicina Chinesa e Acupuntura Tradicional do Brasil (AMCT), entidade sem fins lucrativos cujo principal objetivo é a divulgação da MTC no país e na América Latina.

Outra forma de “soft power” chinês é a realização de empréstimos a outras nações. Um caso brasileiro de relevância foi o financiamento em US$ 10 bilhões, proveniente de acordo firmado em 2009, à brasileira Petrobras para os investimentos à exploração de petróleo do pré-sal. No quesito financeiro, também marca presença no Brasil o chamado Banco da China, inaugurado no ano de 2009, com profissionais de ambos os países, com enfoque nas relações bilaterais entre os dois países, facilitando o comércio e atividades das empresas clientes.

Outro importante enfoque econômico são os investimentos chineses realizados no Brasil, que são fruto, principalmente, da modernização da China, com desenvolvimento tecnológico e da aproximação comercial dos dois países. A China é um dos principais parceiros comerciais do Brasil, sendo o principal destino das exportações brasileiras, além de um dos principais países do qual o Brasil importa. De acordo com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), a corrente de comércio entre Brasil e China, no período de janeiro a setembro de 2013, totalizou US$ 63,715 bilhões, o que refletiu em um aumento de 11%, em relação ao mesmo período do ano anterior.

Soft power da China no Brasil: alguns anos atrás…

Na virada do século XX para o XXI, as corporações chinesas se fortaleceram e inauguraram um ciclo de internacionalização por meio de uma combinação de reforma com capacidade e suporte estatais. No caso do Brasil, os investimentos chineses tiveram um grande crescimento. As grandes empresas chinesas já têm instalações no Brasil, sendo que podemos citar como exemplo a SVA, a Huawei, a GREE, a Midea, entre outras; além do importante setor automobilístico em que temos como exemplo a Chery e a Jac Motors demonstrando mais uma das formas com que a China exerce seu “soft power” no país, no caso, através da expansão de suas multinacionais.

Concluímos que são várias as maneiras como a China exerce sua influência no Brasil, seja no âmbito econômico com investimentos diretos e indiretos, e venda e compra de mercadorias; seja no âmbito cultural, expandindo seus costumes para o país, além da própria língua, que muitas pessoas já se interessam em aprender.  Com a ascensão econômica cada vez mais significativa da China nos últimos anos, são mais comuns as consequências do “soft power” chinês em outros países do globo. No caso brasileiro, que detêm parcerias de relevância com o país asiático, esse “poder brando” torna-se cada vez mais visível, gerando maior aproximação entre as duas nações e suas culturas.

 

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Esse artigo foi escrito pelos consultores Camila Sakamoto Juvêncio e Karen Priscila Anselmo, da Empresa Junior de Relações Internacionais de Marília – SAGE.