Soft-power da mídia chinesa e sua influência na economia

A visão que o mundo tem acerca de um país influi diretamente na sua capacidade de atração de investimentos e no sucesso de suas estratégias econômicas de escala global. A China, por muito tempo, tem criticado a maneira com que a mídia retratava o seu país e, hoje, com uma economia desenvolvida a ponto de ultrapassar o gigante estadunidense, busca, através desse poder adquirido, mudar esse comportamento ocidental em relação à sua imagem. O soft-power é um conceito que tem ganhado popularidade após a globalização e sinaliza um comportamento global de influência de poder. 

 

Soft-power

Quando tratamos de países em desenvolvimento ou colonizados, cujos traços culturais foram definidos, em grande parte, pelos países desenvolvidos e pelo sistema econômico, estamos falando sobre a influência que os países ricos têm sobre os mais pobres. Essa ideia, denominada por Joseph Nye como Soft-power (poder brando, em tradução livre), busca identificar quais questões afetam diretamente a sociedade e levá-las em consideração ao se medir o quão influente um país, e seu modo de vida, são no contexto mundial, considerando poder militar, relações diplomáticas, política exterior, entre outros fatores subjetivos. A influência de países com maior poderio econômico sob outros é fator histórico e data de muito antes da Guerra Fria, apesar de o conceito dessa influência ter se popularizado após a globalização.

Essa influência age em diversas esferas da vida cotidiana e, mais diretamente, na política e economia do país, que se beneficia ou não da imagem que seu país passa a seus possíveis investidores. Atualmente, a denominada guerra comercial entre China e EUA faz com que seja ainda mais evidente a necessidade de uma cautela quanto à imagem que a China passa a seus investidores estrangeiros, uma vez que esta influencia diretamente na sua estratégia econômica.  

 

De emergente a influente

 

soft-power
(Imagem retirada do Financial Express).

 

O crescimento econômico chinês aumentou claramente a sua influência no cenário mundial e fez com o que o uso do chamado Soft-power fosse possível numa escala realista. A inserção de países em desenvolvimento, como a China e o Brasil, na economia global, de maneira igualitária a países que nela sempre estiveram, pode se dar de diversas maneiras e a criação de uma “marca nacional”, uma identidade frente às massas, para a China pode ter resultados mais significativos do que apenas uma substituição de importações no mercado nacional.

 

The South China Morning Post

O chamado “soft-power” atinge as massas, principalmente através de veículos de informação, como o jornal. A posse das mídias de massas por um determinado grupo de interesse faz com que as informações chegem à população e moldem a opinião pública sob influência de um determinado ponto de vista. A Compra do The South China Morning Post, em 2015, pelo Grupo Alibaba foi um exemplo claro de como a mídia, a economia e a dinâmica política estão relacionadas. O jornal tem muita influência na região, estando entre os dois sistemas políticos existentes no território chinês, por publicar assuntos que os jornais vinculados ao Estado não são autorizados a publicar.

 

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(Imagem retirada do Deutsche Welle).

 

A empresa afirmou que o governo chinês não tinha relação com a compra do jornal realizada pela empresa, mas, segundo o New York Times, as opiniões de ambos se alinham nas críticas à maneira com que a mídia internacional retrata a China, o que é confirmado por Joseph Tsai, co-fundador do Grupo Alibaba, ao afirmar que o que é bom para a China é bom para a companhia, tendo em vista o grande impacto que a empresa representa na economia chinesa atualmente.

A compra visa melhorar a imagem da China no cenário ocidental, que tem sido retratada de maneira tal que não agrada aos investidores chineses, tampouco ao seu governo. Segundo o New York Times, o jornal “ressuscitou” após a compra pelo Grupo Alibaba em 2015, e, hoje, em 2018, comemora o sucesso na missão de fomentar o soft-power chinês através da mídia, combatendo os comportamentos “anti-chineses” recorrentes.

 

Reação regional

A China vê hoje no soft-power mais uma estratégia de crescimento e inserção na economia mundial, e, com seu poder econômico crescente e sua influência regional, chama atenção mundial, principalmente dos EUA, que tem tido uma política exterior volátil e pode, com a ascensão chinesa, perder antigos aliados. Aliados esses que hoje enxergam na China uma oportunidade de cooperação para o crescimento, não só nacional, como regional, como Filipinas, Sri Lanka e Indonésia.

Esse comportamento de querer mudar a visão que o mundo tem sobre a China, e também entre os chineses, assumido pelo jornal, é criticado por alguns como uma nova forma de propaganda do governo chinês, apesar de o Grupo Alibaba afirmar que a compra do jornal não está relacionada ao governo chinês.

 

Por Mariana M. Fidalgo, diretamente de Marília, SP – Brasil

Fontes: New York Times, Gazeta do Povo, South China Morning Post

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