March 17 2017

Entenda o Sistema de Vigilância Civil Chinês

Posted by Camila Sakamoto

Cidadãos comuns vigiando uns aos outros. Essa era a base do sistema de vigilância baojia, criado na reforma do governo chinês em 1069 para o controle civil. A ideia era dividir a sociedade em grupos de famílias encarregadas de praticar a vigilância mútua e fazer com que fosse possível controlar a população empregando poucos oficiais. Uma proposta do século 11 que deixou marcas culturais e foi tendo novas versões ao longo dos mil anos seguintes. A última delas é o método de “gerenciamento de rede”, uma das ferramentas do atual sistema de segurança nas cidades chinesas.

 

Sistema de Vigilância: China intensifica o monitoramento da população civil

 

sistema de vigilância

Câmeras de segurança em frente à Praça de Tianmen, China

 

O monitoramento dos civis pelo Estado tem se intensificado, assim como a repressão aos dissidentes, desde março do ano passado, quando a renúncia do atual líder do governo Xi Jinping foi pedida por meio de uma carta aberta . Pequenas cabines policiais e redes de cidadãos têm se multiplicado com o objetivo de controlar de perto os bairros. O sistema anterior de controle social vinha desaparecendo desde os anos 1990, conforme as moradias privadas avançavam.

O gerenciamento de rede começou a ser implantado em 2012 em Lhasa, a capital do Tibet, na área de Chengguan. A região foi dividida em 175 células que formavam a rede com o objetivo de facilitar a coleta de informações detalhadas em tempo real de cada uma delas.

Wu Qiang, um professor de ciência política da Universidade de Tsinghu, descreve a matriz da rede como uma grade formada por blocos de 100 m², onde a infraestrutura é toda catalogada e codificada e o monitoramento é feito por sete forças: gerentes, assistentes, policiais, supervisores, um secretário do partido, funcionários do setor jurídico e bombeiros.

 

sistema de vigilância

Apesar da intensificação do sistema de monitoramento dos civis, a polícia chinesa é uma das menos militarizadas do mundo

 

Agora, a intenção do governo chinês é expandir esses sistemas para outros locais onde se concentram dissidentes, como Lassa, capital do Tibete. A cidade de Guangzhou, por exemplo, anunciou a contratação de 12 mil administradores de rede que seriam responsáveis por 200 famílias. A capital tibetana, por sua vez, já é repleta de oficiais de segurança e câmeras para reprimir protestos. A importância religiosa do local para os tibetanos faz com que cada pessoa seja considerada um protestante em potencial.

Desde que dois migrantes atearam fogo em seus corpos do lado de fora do Jokhang Temple, centenas de tibetanos que vieram de fora da região autônoma do Tibete têm sido expulsos da cidade, segundo o Human Rights Watch.

 

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Exposição de câmeras de vigilância em uma feira internacional sobre segurança na China.

Outro local politicamente instável, o bairro de Dongcheng, em Pequim, foi um dos primeiros a testar o modelo, em 2004. Hoje há uma célula para cada 1,5 mil residentes permanentes, 589 no total. As centrais de monitoramento recebem informações dos funcionários do sistema de rede equipados de celulares com os quais eles podem fazer o upload de imagens de qualquer potencial problema. Tanto em Lhasa quanto em Dongcheng, cada célula tem uma equipe composta de seis ou sete pessoas que têm como prioridade manter a estabilidade local.

Além dos funcionários, as células também contam com voluntários identificados com braçadeiras vermelhas. Segundo o Human Rights Watch, grupo com base em Nova York, eles têm procurado por fotos de Dalai Lama pelas casas como evidência de dissidência.

Como muito do que diz respeito à China, sabe-se pouco sobre essa nova tentativa de reforçar o controle sobre a população. Apesar do sistema ser aparentemente inofensivo, a mobilização dessa rede para reprimir migrantes e manifestações contra o governo é altamente provável e, ao mesmo tempo, dificilmente comprovável.

 

E você, tem alguma consideração sobre esse curioso sistema de vigilância chinês? Compartilhe conosco nos comentários.

Por Ariel Oliveira, diretamente de Garça, SP, Brasil

Fonte: The Economist

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