Réveillon ou Ano Novo Chinês?

Muitos países, principalmente orientais, adotam um calendário diferente do gregoriano (aquele usado pelo ocidente) e a China está entre esses países com um calendário próprio. Embora os chineses tenham adotado oficialmente o calendário gregoriano em 1912, a virada do ano novo solar, de forma alguma é  tão popular quanto o  ano novo lunar, ou como é mais conhecido, o Ano Novo Chinês, isso porque o calendário chinês é lunissolar, ou seja, leva em consideração as fases da lua e a posição do sol, fazendo com que o Ano Novo possa chegar variavelmente entre os dias 20 de janeiro e 20 de fevereiro. Contudo, a tradicional festa de Réveillon como as que conhecemos, com a contagem regressiva para a meia noite, os shows, e a tão famosa queima de fogos de artifício, também acontece na China, muito pelo fato da data ser de extrema importância para os praticantes do budismo, uma das religiões mais populares no país, ou pela questão de algumas regiões do país terem estado sob dominação colonial de países ocidentais, como é o caso de Hong Kong. Sendo assim, queremos mostrar como a passagem de Ano Novo também é comemorada na China, e melhor, de duas perspectivas diferentes.

O Ano Novo para o budismo

Apesar de sua origem oriental, seus diversos rituais e costumes que se diferem da cultura ocidental, os praticantes do budismo comemoram as festas do Ano Novo (a passagem do dia 31 de dezembro para o dia 1º de janeiro) normalmente. A data é muito importante para a religião, representando a renovação dos juramentos e quando são decididas quais serão os objetivos do novo período, além disso, os budistas avaliam o que foi feito no ano que passou para também se renovar.

Assim, no dia 1º de janeiro, os budistas realizam o Gongyo de Ano Novo (capítulo da sutra de lótus que os praticantes rezam todos os dias de manhã e à noite), que é um encontro onde os praticantes se reúnem para rezar e celebrar o novo ano, além de começar o ano estabelecendo novos objetivos e metas. Alguns praticantes chegam a escrever seus objetivos em um papel, e exatamente à noite, oram seu mantar principal – Nam Myoho Renge Kyo – enquanto metalizam os objetivos e saúde para àqueles que os rodeiam.

 

Budismo
Uma imagem de Buda

 

 

A virada do ano na China

Dessa forma, muitos dos budistas chineses se reúnem em templos para passar e festejar o novo ano que se inicia, como por exemplo o templo Longhua, cuja história se estende por mais de 17 séculos, um dos muitos templos budistas que existem em Shanghai. Neste templo, acontece uma grande celebração, onde se apresentam músicos de guqin – instrumento de cordas tradicional chinês – acontecem apresentações de números da Dança do Dragão, óperas, além de muitas outras atividades ao ar livre. Sem contar, que o restaurante do templo vende o macarrão da longevidade,  um tipo de espaguete grosso e muito longo – cerca de um metro – que não deve ser cortado até a ponta final esteja dentro da boca.

Mas o momento mais esperado ainda está por vir, e ele começa as 23h30, quando é dada a primeira badalada das 108, do o ritual budista Joya no Kane. Assim, no dia 31 de dezembro, a contagem regressiva tão esperada são as 107 badaladas do sino (a 108 badalada ocorre exatamente à meia noite, momento exato da virada do ano). Pois, de acordo com as crenças budistas, as 108 badaladas representam os 108 pecados ou desejos mundanos do homem, e o tocar do sino serve para afastar esses desejos, a fim de que o homem possa entrar purificado no novo ano. A conta é feita assim: são os seis sentidos (visão, audição, olfato, paladar, tato e consciência), multiplicado por três reações (positivas, negativas ou indiferentes), que dá um total de 18 “desejos”. Cada um desses desejos pode estar “ligado ou separado do prazer”, portanto multiplica-se por 2, dando um total de 36 “desejos”. Cada um desses desejos pode se manifestar no passado, presente ou futuro, portanto multiplica-se 36 por 3, dando como resultado 108.

 

Ano novo
Um sino para o ritual budista do Joya no Kane

 

Um réveillon um pouco mais tradicional

A festa Réveillon mais “tradicional”, ou nos moldes ocidentes, na China acontece em Hong Kong, uma das duas regiões administrativas chinesas (a outra é Macau), e que ficou durante 156 anos sob administração colonial do Reino Unido, e talvez seja exatamente por isso que a cidade carregue consigo uma tradição ocidental mais latente.

Dessa forma, Hong Kong é palco da festa de virada de ano mais badalada do país, com direito a contagem regressiva e um show pirotécnico magnífico com uma incrível queima de fogos que chega a durar cerca de 10 minutos, não tão longo quanto o Ano novo Chinês, porém ainda sim, deslumbrante. A festa acontece no Victoria Harbour, entre a Ilha de Hong Kong e Kowloon. À meia-noite, o relógio oficial utilizado na contagem regressiva é projetado no centro do espetáculo. A contagem é exibida no Centro de Exposições e Convenções de Hong Kong, em Wanchai, no lado da ilha. Os fogos são lançados do alto de alguns arranha-céus em ambos os lados da baía, além de 3 balsas atracadas no Victoria Harbour, criando uma atmosfera inconfundível.

 

Ano novo
Queima de fogos de artifícios durante a passagem de ano, em Victoria Harbour

 E aí, você sabia que os chineses também soltavam rojões para comemorar o ano novo que se inicia, ou que eles também respeitam o ano novo lunar a partir do budismo? Pois é, a China é um país multicultural que consegue englobar diversos tipos de tradições globais.

Fontes: Vida de Turista, CRI, Yahoo e Bloguito.

Por João Victor Scomparim Soares, diretamente de Cerquilho- SP

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