Janeiro 08 2016

Religiões chinesas e suas histórias

Posted by Gabriel Condi

Apresentação das religiões chinesas

Embora o Ocidente tenha sido “invadido” no Século XXI por diversos movimentos e tendências culturais do Oriente, isto tem sido feito de modo meio caótico, e, com freqüência, equivocado. E de que parte do Oriente chegam estas novidades, que se tornam rapidamente populares? Principalmente da China, Japão, Índia e Coréia do Sul. Vamos tentar fazer uma análise da contribuição chinesa, do ponto de vista das religiões chinesas e, ao mesmo tempo, tentar compreender como estes movimentos funcionam na China, assim como as contribuições e influências ocidentais.

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Símbolo Taoísta, representando o Yin e o Yang, na visão de Lao Zi

A época dos grandes impérios

Alguns países europeus, mesmo com pequeno território, conseguiram montar grandes impérios através de conquistas e tratados quase sempre injustos. Portugal, Espanha, França, Holanda…mas principalmente a Inglaterra. Esta ilha, que é a Inglaterra, montou o Império da Grã-Bretanha, e se gabava em dizer que o sol jamais deixava de brilhar sobre alguma parte dele.

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Na China, por exemplo, tinham o domínio de Hong Kong…por cem anos. Mas França, Alemanha, Estados Unidos e até o Japão, mesmo não governando diretamente território chinês, forçavam o Imperador a tratados imensamente favoráveis a eles.

Havia então uma noção (que hoje achamos ridícula), que a cultura européia (incluindo a americana, de origem européia) era muito superior a qualquer outra do mundo. Sendo assim, os europeus queriam não só ter vantagens comerciais no Oriente, mas também difundir seus valores, crenças e modo de vida.

Procuravam ignorar que as culturas indiana e chinesa eram milenares, e já produziam sábios e invenções enquanto a Europa era ainda, na maior parte, território de quase selvagens.

Acabaram, claro, falhando; pelo menos neste propósito.

O século XX foi a época do desmonte final desses impérios; com muitos destes países controlados recuperando sua auto-determinação.

 

As religiões chinesas após as duas

Guerras Mundiais

Esgotada, drenada financeiramente pelas guerras e ocupações, a China tentava encontrar seu próprio destino. O líder Mao Zedong implantou um regime autoritário e nacionalista, com o Estado dirigindo a sociedade, e deixou pouco espaço a manifestações religiosas e culturais. A China se fechava a quaisquer influencias estrangeiras. Claro, as atividades culturais e as religiosas continuavam a existir, mas sob controle estatal.

Sabemos que em 1972, tanto o grande líder chinês como o presidente da nação mais desenvolvida e mais forte do mundo, tanto militar como economicamente, se encontraram; numa visita histórica do presidente a Beijing.

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Nixon levou com ele vários empresários, e especialistas em várias áreas, como, por exemplo, médicos. Os médicos americanos acompanharam uma cirurgia difícil e delicada, feita por médicos chineses em um paciente em estado grave. Surpresos, os americanos verificaram que não foi usada qualquer anestésico; ao invés disso, os chineses colocaram algumas agulhas compridas e finíssimas, de ouro, em alguns pontos pré-determinados do corpo do paciente. E operaram. A operação foi um enorme sucesso; os americanos, boquiabertos, viram o paciente se levantar da cama e pedir…laranjas!

Perceberam, então, que havia ali um conhecimento, uma técnica que eles desconheciam por completo. Foi talvez o primeiro contato do ocidente com a Acupuntura, técnica que iria em breve se espalhar como fogo em capim seco nos países ocidentais.

Aliás, esta foi uma época em que o Ocidente “descobria” a cultura e as religiões chinesas e do Oriente em geral. Os movimentos de vida alternativa e de contracultura estavam rapidamente se espalhando. Seitas e religiões chinesas e orientais se multiplicavam. O termo “holismo” (abordagem integrada) entrava na moda; medicina holística, terapias holísticas, educação holística…em quase tudo entravam fortes contribuições orientais. A acupuntura mesmo passou a ser tratada como uma espécie de panacéia, capaz de curar tudo. As várias formas de Yoga atraíram muitos adeptos (em especial, a Hatha Yoga).

E no sentido inverso? O que o Ocidente contribuiu à cultura oriental?

Os chineses perceberam logo que estavam muito atrasados em relação à tecnologia, aos conhecimentos científicos modernos, e que seu sistema educacional, que eles tanto prezavam, tinha necessariamente que acompanhar os novos tempos.

Claro que os ocidentais continuaram tentando divulgar a religião cristã na China. Não que isto nunca tivesse sido feito; missionários católicos visitaram a China diversas vezes em épocas medievais. Mas eram visitas pontuais; os Imperadores não viam com bons olhos a nova religião: “Se já temos três excelentes religiões (confucionismo, taoismo e budismo) à disposição da população…para que outra?”, perguntavam.

 

Considerações sobre as religiões chinesas antigas

O modo como os chineses encaram a religião e a filosofia é muito diferente dos ocidentais:

1 – enquanto no ocidente a filosofia segue um caminho paralelo mas distinto da religião, isso não acontece na China

2 – as religiões ocidentais estão bastante focadas no destino do ser humano em uma outra vida; as religiões chinesas estão mais voltadas para os problemas desta vida.

3 – as denominações religiosas ocidentais (e as escolas filosóficas) gostam de destacar suas diferenças umas das outras; na China a tendência é de haver muitas crenças comuns, e muito pouca divergência.

4 – diferentemente das religiões chinesas, as religiões ocidentais estão muito baseadas em livros sagrados, revelados ou escritos por influência divina. Na China, os textos religiosos não reivindicam este caráter sagrado. Seus autores são conhecidos, e suas obras nada têm de sobrenatural.

5 – as denominações ocidentais buscam converter pessoas; fazer prosélitos (elas chamam isso de “salvar pessoas”); na China, jamais parece ter existido esta tendência de procurar ampliar o número de fiéis.

 

Religiões chinesas atualmente

As religiões chinesas gozam de uma liberdade relativamente grande na China moderna.

Quase todas as grandes religiões chinesas estão lá representadas, como mostra este gráfico de 2012:

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É fácil verificar que a Religião Tradicional Chinesa domina com ampla vantagem a quantidade de adeptos das outras

 

Esta religião tradicional é antiqüíssima; não tem um único texto sagrado, nem um sistema rígido de crenças. È um sistema que venera muitos deuses, ancestrais, homens considerados sábios (como Confucio e Lao zi). Considera vários locais como sagrados; templos, montanhas, florestas. É uma religião muito parecida com o Xintoísmo japonês. Uma religião popular, com muitas cerimônias e festas, que as pessoas praticam sem qualquer fanatismo.

Formalmente, esta religião absorveu vários elementos do confucionismo, que é talvez a tendência filosófica chinesa mais conhecida no Ocidente.

 

Confucionismo

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Confúcio (também conhecido como Kong Zi) era originário da classe média. Segundo consta, teria vivido por volta de 500 a.C.

Ainda muito jovem, decidiu dedicar sua vida à aquisição de conhecimento. Viajou por vários reinos, teve uma vida agitada. Envolveu-se em política, e deixou vários textos para seus seguidores.

Comparando com as religiões chinesas, a filosofia-religião proposta por Confúcio praticamente nada tem de secreto ou sobrenatural.  São na verdade regras éticas e morais, onde ele prega o valor da meritocracia (do conhecimento e capacidade). Família, honestidade, compaixão, bom senso, busca do conhecimento, estudo contínuo, estão entre as qualidades que ele afirma serem essenciais, tanto ao homem comum quanto (e principalmente) aos dirigentes e homens públicos.

Por Antonio Carlos de Oliveira, diretamente de Presidente Prudente, SP, Brasil

Fontes: Chinese Family Panel Studies, Intellectus, Horda

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