Janeiro 17 2018

O que considerar para as relações comerciais Brasil-China em 2018?

Posted by Victor Fumoto

Desde 2009, a China tem sido o principal parceiro comercial do Brasil, superando a relação deste com os Estados Unidos. Esses nove anos de relações comerciais Brasil-China tem consolidado a relevância da cooperação entre os países através não só do comércio, mas também pelos investimentos realizados. Em 2017, a China se mantém como maior importador de produtos para o Brasil, como também principal destino das exportações brasileiras.

 

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Visita do Presidente Michel Temer ao Presidente Xi Jinping em 2017

 

 Ainda que a economia chinesa tenha freado seus motores acelerados de crescimento e mantido um nível mais estável e contínuo, o país tem buscado continuar a sustentar seu crescimento através de novas tecnologias e inovação, bem como pela atração de capital estrangeiro. O Brasil é considerado uma grande oportunidade para a China ampliar seus negócios, sendo um importante parceiro comercial.

Mas, apesar de tudo isso, existem alguns pontos relevantes a serem considerados para este ano que tangem, não apenas as relações internacionais Brasil-China, como também as próprias políticas domésticas de ambos e toda a conjuntura internacional.

 

As relações comerciais Brasil-China nos últimos anos

Sumariamente, a primeira fase de fluxo comercial bilateral nos anos 2007-2009 não representavam investimentos muito relevantes, de uma forma geral, recaindo prioritariamente sobre atividades ligadas às commodities (matérias-primas), que são a maior parte da pauta de exportação brasileira para a China. A compra de 40% das operações brasileiras da Repsol, companhia energética e petroleira espanhola, pela estatal chinesa Sinopec ilustra esse momento.

No panorama das relações comerciais Brasil-China entre 2011 e 2013, as empresas chinesas passaram a buscar novas oportunidades no setor industrial, principalmente máquina e equipamentos, automotivos e aparelhos eletrônicos. Neste momento, o foco era o próprio mercado interno brasileiro, que estava em plena expansão. Pode-se destacar nesse período a chegada de montadoras de máquinas e automotivos como a Sany e a Chery.

Em 2013, um terceiro momento se inicia quando bancos chineses se instalaram no país e adquiriram participação acionária em bancos brasileiros ou internacionais que já estão em operação no país; como exemplo está a entrada do Industrial and Commercial Bank of China (ICBC) no Brasil.

Entre 2014-2015, ocorreu um ponto de inflexão nas relações comerciais Brasil-China, não apenas pelo aumento do volume de investimentos e comércio, mas também pela inserção chinesa em novos setores de aspectos administrativos e estratégicos.

O ano de 2015 foi o período em que as empresas chinesas realizaram o maior número de operações de compra no mundo. Em consonância a isso, o Brasil recebeu também investimentos consideráveis no setor energético, em produção e transmissão de energia elétrica, com a aquisição de ativos de empresas brasileiras do setor e com o ganho da licitação, por meio das empresas State Grid e China Three Gorges, para construção de usinas hidrelétricas e linhas de transmissão, e também no setor agropecuário, com a aquisição de tradings no setor do agronegócio.

Desde 2015, uma nova onda de investimentos chineses no Brasil se iniciou, caracterizada por um notável crescimento no valor de investimentos de empresas chinesas no Brasil. Em relação àquele ano, 2016 representou um progressivo aumento de investimentos, sobretudo no setor de energia (quase 80%) e manufaturados.

 

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O Brasil, por sua vez, teve investimentos pouco relevantes na China entre 2000 e 2010. Existe uma inibição das empresas brasileiras em atender as demandas do mercado doméstico chinês, em relação a atratividade do mercado brasileiro e da América Latina, mesmo que os negócios com a China sejam muito vantajosos. O fluxo China-Brasil de investimentos tem sido extremamente superior ao inverso. Do ponto de vista do governo, ainda é necessário traçar uma estratégia de política bem definida.

Mas, já em 2017, a balança comercial Brasil-China apresentou superávit de 50,2 bilhões de dólares em exportação do Brasil para a China e 27,9 bilhões de dólares em importação.  Os principais produtos exportados foram: soja triturada (43% de participação), minérios de Ferro e seus concentrados (22%), óleos brutos de petróleo (15%), além de outras commodities, produtos semimanufaturados e manufaturados. A maior parcela dos produtos importados são de produtos manufaturados, ligados à tecnologia, como circuitos impressos e peças de telefonia, assim como partes de aparelhos receptores e transmissores, seguindo por uma parte muito menor de matéria-prima.

 

O que esperar para as relações comerciais Brasil-China em 2018?

Sem dúvida, as relações comerciais Brasil-China têm se mostrado muito consistentes nos últimos anos, com um considerável aumento de investimentos e aquecimento do mercado bilateral; entretanto, não cabe aqui tentar prever ou criar cenários para os caminhos a serem tomados em 2018. A questão é ressaltar alguns pontos que podem influenciar as relações comerciais entre ambos os países.

 

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A política externa da China e do Brasil está intrinsecamente relacionada às suas respectivas políticas domésticas. Quanto ao país asiático, que estabeleceu recentemente as novas diretrizes para os próximos cinco anos, as relações comercias não se pautam, por sua parte, no posicionamento político interno do país parceiro. Desse modo, mesmo considerando a instabilidade política brasileira e as novas eleições presidenciais de 2018, a China deve permanecer buscando atender aos seus interesses econômicos e suas demandas, mantendo boas relações comerciais com o Brasil.

Em 2017, a agenda brasileira para com a China, sobretudo com a visita de Michel Temer ao país, demonstrou cooperação em atos internacionais, sendo parte de acordos entre os países e parte de acordos do setor privado. Destaca-se para a economia: licenciamento da Fase 2 da Usina de Belo Monte, acordo-quadro entre o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e a Sinosure para prestação de garantias a investidores chineses no Brasil, e também, contrato de Financiamento da China Communication and Construction Company (CCCC) para Construção do Terminal de uso privado no Porto de São Luís.

Esses acordos fazem parte do programa de privatizações do atual presidente e podem dar indícios de que assim continuará por mais este ano. Entretanto, os próximos passos da política brasileira para com a China trazem mais incertezas frente aos novos rumos das eleições.

Também é importante observar que outros atores podem, de alguma forma, influenciar as relações comerciais sino-brasileiras. As estratégias políticas protecionistas que o governo Trump vem adotando têm sido mais uma forma de intensificar as relações Brasil-China, considerando, mais uma vez, que o país asiático desbancou os EUA como principal parceiro comercial brasileiro há quase 10 anos. A importância comercial com a China também supera o fluxo de comércio com a União Europeia que, na atual conjuntura, é mais uma forma de incentivo ao estreitar as relações comerciais com o gigante vermelho.

Tudo isso figura a importância da China para o mercado brasileiro, sendo este país o principal comprador e importador dos produtos nacionais e com grande espaço ainda para crescimento nas relações comerciais. Aparentemente, todo esse histórico indica que os laços com o país asiático deves se manter fortes nos próximos anos, mas, algumas circunstâncias podem acarretar em fortificação ou afrouxamento dessa relação.

E aí, qual a sua opinião sobre isso? Existem outros aspectos que você considera importantes para a relação entre ambos os países? Compartilhe sua opinião conosco!

 

Por Anna Carolina Monéia Farias, diretamente de Marília, SP, Brasil

Fontes: Conselho Empresarial Brasil-China; RF1; Uol Economia; G; MDIC

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