Relações China e Estados Unidos: Trump e Coréia do Norte

O presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, utilizou sua conta pessoal no site Twitter para criticar mais uma vez o governo chinês. O republicano, que assumirá a Casa Branca no dia 20 de janeiro, acusou o gigante asiático de passividade perante o programa nuclear norte-coreano. Trump publicou dois comentários referentes à Coreia do Norte, nos quais assegurou que Pyongyang (capital norte-coreana) não poderá desenvolver o míssil intercontinental com o qual Kim Jong-un ameaçou em seu discurso de ano novo, além de criticar Pequim por sua postura em relação a seu tradicional aliado e vizinho. Trata-se de mais um episódio de tensão entre as relações China e Estados Unidos.

 

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Donald Trump publicou no Twitter comentários relativos à China e Coreia do Norte

 

Em contrapartida, o governo da China afirmou que seus esforços pela paz e estabilidade na península coreana são “óbvios e reconhecidos”:

“Todo o mundo viu nossos esforços, foram reconhecidos pela comunidade internacional e, como membro permanente do Conselho de Segurança da ONU, tomamos parte ativa na questão coreana” assegurou em entrevista coletiva o porta-voz de Relações Exteriores da China, Geng Shuang. “Todas as partes devem evitar palavras e ações que levem a uma escalada de tensões” complementou o porta-voz. Na última década, a China acolheu fracassadas negociações para a desnuclearização da península da Coreia.

 

A diplomacia por tweets e as relações China e Estados Unidos

 

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Donald Trump aproveitou a ameaça norte coreana para atacar a China

 

Não é a primeira vez, entretanto, que Trump dá a entender que tão logo assuma o posto de homem mais poderoso do mundo, as relações China e Estados Unidos poderão se tornar tensas. Em dezembro, também pelo Twitter, o magnata acusou a China de manipular moeda e de militarizar o Mar do Sul da China.

O primeiro sinal de que nada seria como antes, todavia, já tinha sido dado logo após as eleições estadunidenses, quando Trump aceitou o telefonema da Presidente de Taiwan, Tsai Ing-wen, que ligou para lhe desejar parabéns. A China, cabe lembrar, não reconhece a independência da ilha.

 

Ameaça norte-coreana

 

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Coreia do Sul reagiu ao tweet de Trump com otimismo

 

Não se sabe quanto tempo irá durar a paciência chinesa com essas declarações ou mesmo se irá aguentar eventuais dificuldades que a administração Trump poderá impor ao comércio de produtos chineses nos Estados Unidos.

É significativo também que pareça estar se desenvolvendo um entendimento entre a Rússia e os EUA. Pelo menos do ponto de vista dos arsenais nucleares, Vladimir Putin e Donald Trump parecem pensar da mesma maneira. Já Pequim opõe-se ao reforço de tais armas.

A Coréia do Norte parece estar se posicionando como palco privilegiado dos duelos políticos e diplomáticos entre os dois gigantes mundiais, embora esteja tentando se tornar um jogador pleno. Em sua mensagem de fim de ano transmitida pela televisão estatal para toda a nação, o presidente Kim Jong-un anunciou que o país está pronto para testar um míssil balístico intercontinental, capaz, em teoria, de atingir território americano com impacto nuclear. O Pentágono reagiu, avisando Pyongyang sobre “ações provocatórias”. Trump foi mais categórico, afirmando apenas que “não vai acontecer”.

 

Otimismo na Coreia do Sul

A Coreia do Sul reagiu ao tweet de Donald Trump com um certo otimismo. O ministério sul coreano dos Negócios Estrangeiros interpretou as palavras do presidente eleito como um “claro aviso” aos seus vizinhos do Norte. De acordo com o porta-voz do Ministério, Cho June-hyuck, o aviso dado pelo presidente recém-eleito mostra que ele está “ciente da gravidade da ameaça colocada pelo programa nuclear norte-coreano” e que irá “adotar uma posição inabalável sobre a necessidade de manter a política de sanções contra a Coreia do Norte e uma política e a cooperação próxima entre a Coreia do Sul e os Estados Unidos.”

Por Ariel Oliveira, diretamente de Garça, SP, Brasil
Fontes: Exame, El País Brasil  e The Guardian
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