February 09 2018

Relações Brasil e China: perspectivas econômicas para 2018

Posted by Ana Yamashita

Depois da aproximação causada pelos BRICS, as relações Brasil e China continuam como antes da mudança do perfil econômico chinês?

 

relações Brasil e China

Presidentes Michel Temer e Xi Jinping, na cúpula dos Brics em Xiamen.

 

A China, desde os anos 2000, surpreende nos rankings econômicos com suas elevadas porcentagens de crescimento, atingindo o posto de segunda maior economia do mundo. Com uma economia mais aberta ao comércio mundial, a China se prejudicou com a crise econômica de 2008 a ponto de seu crescimento sofrer uma estagnação e aparentar ter diminuído seu ritmo. Após a concretização de sua indústria, em 2016, o governo passou a investir em pequenos e médios empreendedores, em sua maioria jovens graduados que não mais almejavam empregar-se em alguma empresa e sim começar seu próprio negócio. Esses novos negócios geraram na bolsa de valores chinesas ações de maior liquidez, mas de muito potencial lucrativo, as “small-caps” ou pequenas capitalizações, que têm movimentado a economia e chamado atenção neste mês devido à sua maior baixa em um ano.

 

“Dragão Chinês”

Após a superação da crise de 2008, já sendo a principal sócia econômica dos EUA, a China mostra o crescimento acima do esperado com seu desempenho comercial, tanto no mercado externo quanto no mercado interno, cada vez mais importante no cenário econômico chinês. O país cresceu 6,9% no ano passado, sendo esta uma recuperação marcante comparada aos índices a partir de 2010, que demonstravam uma queda no PIB chinês. Segundo a economista-chefe para a China do Bank of America, Merry Linch, a China passa hoje por uma transição do perfil econômico, deixando com que outros países emergentes fabriquem os produtos de baixo valor que ela fazia e buscando o próximo degrau na cadeia de valor global.

 

Empreendedorismo, small-caps e nova fase econômica

Com o investimento em empreendedorismo realizado pelo governo chinês, a China mostra seu próximo foco na economia, que deixa de ser definida pelas grandes empresas estatais e passa a focar em produzir novos produtos. Um símbolo do crescimento desse tipo de empresa é Jack Ma, fundador do Grupo Alibaba, hoje uma das principais empresas de comércio online do mundo. Com políticas públicas que visam incentivar o empreendedorismo na china, como isenção de tributos e investimento em infraestrutura, as ações desses novos negócios passaram a surgir em massa na bolsa.

 

relações Brasil e China

Jack Ma, fundador do Grupo Alibaba.

 

Chamando atenção pelo seu alto potencial lucrativo e liquidez, as denominadas ações small-caps estavam registrando valorizações sucessivas no mercado acionário. Small-caps são as ações dessas pequenas e médias empresas e têm tido muita influência na dinâmica da economia. Nesta semana, os mercados acionários fecharam com os piores indicativos no período de um ano. Com os recentes eventos, como o suicídio do presidente da Zhejiang Jindus Fans Co, as small-caps sofreram uma fragilização, ocasionando vendas em massa. Para 2018, as previsões são de que essas ações vão se reestruturar e voltar a crescer em grande proporção, alavancando novamente a economia chinesa. Um outro aspecto interessante é como esses novos negócios estão ligados ao aumento do mercado interno chinês, que influi diretamente nas exportações brasileiras, e, consequentemente, nas relações Brasil e China.

 

 

Relações Brasil e China

A nova fase econômica chinesa se relaciona ao atual empreendedor brasileiro, que busca novas ideias de investimento para poder desviar da inflação e da crise política do país. As relações Brasil e China são dinâmicas e têm potencial de redesenhar a geografia e a diplomacia, dada tamanha influência no cenário internacional. A China é hoje o principal parceiro econômico do Brasil e a tendência é que essa relação continue se fortalecendo através dos BRICS e beneficiando o desenvolvimento de ambos países – fatos que explicitam ainda mais a importância das relações Brasil e China. Apesar de constantemente se direcionar a um crescimento verde, investindo em fontes de energias renováveis e campanhas antipoluição, o comércio do petróleo entre os dois países tem gerado bons rendimentos devido à grande demanda. Destaca-se também o suprimento de grãos e outros produtos agrícolas exportados do Brasil que “abastecem” a China com água e solo fértil.

Em 2017, os investimentos da China no Brasil atingiram um total de 20,9 bilhões de dólares, demonstrando que a China tem planos a longo prazo para a parceria com o Brasil. Mesmo em ano eleitoral, os investimentos chineses não devem diminuir neste momento em que investimentos estrangeiros são tão necessários.

 

Papel dos BRICS na atualidade

Chamado também de “mundo co-hegemônico”, esse grupo ganha destaque entre os países de economia emergente, demonstrando uma boa relação econômica e também o mesmo objetivo de se tornarem potências econômicas mundiais. Segundo uma pesquisa realizada pelo Instituto Ipsos (Pesquisas de Mercado), com entrevistados em 28 países, os países do BRICS estão entre os 10 mais otimistas para 2018 em diversos âmbitos, incluindo o econômico. Após um ano considerado ruim pela maioria dos entrevistados, a tendência é que em 2018 a economia melhore. A China se prepara para negociações de petróleo em sua própria moeda, em vez dos tradicionais contratos em dólares (petrodólar), o que causará mudanças na geopolítica global. O grande crescimento esperado para a África do Sul e outros países africanos, como o Congo, é consequência da estabilidade política e investimentos estrangeiros previstos para esses países em 2018. Enquanto isso, o Brasil passa por um período de forte componente político com as eleições presidenciais e as crescentes tensões, mas com potencial de mudança.

Quer saber mais sobre a China e importações? Então fique ligado no blog!

 

 

Mariana M. Fidalgo, diretamente de Marília, SP, Brasil

Fontes: G1, Exame, Folha de S. Paulo, Ipea, Instituto Ipsos

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