Programa Nuclear Norte-Coreano e o Papel da China nas Negociações

O investimento da Coreia do Norte no seu programa nuclear vem aumentando a apreensão na comunidade internacional. Nas últimas semanas, a tensão entre Washington e Pyongyang chegou ao seu ápice e ambos os países contam com a intervenção chinesa para resolver a situação. Mas qual seria, afinal, o papel diplomático da China nas negociações sobre a programa nuclear norte-coreano? Venha entender um pouco mais desse cenário delicado neste post:

 

O programa nuclear norte-coreano

 

programa nuclear norte-coreano
Novos testes de mísseis foram realizados neste mês pela Coreia do Norte.

 

Recentemente, a Coreia do Norte vem provocando tensões ainda maiores na comunidade internacional por investir e defender o desenvolvimento de seus programas armamentistas. No ano passado, após o exército ter realizado dois testes nucleares em apenas sete meses, foram aprovadas diversas sanções ao país no âmbito da ONU, mas que não impediram-no de dar continuidade ao seus projetos para o programa nuclear norte-coreano.

A tensão na região atingiu níveis máximos após o país ter realizado novos testes de mísseis nas últimas semanas e diante dos indícios de que poderia realizar um novo teste nuclear em um futuro próximo. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, manteve sua postura ofensiva e anunciou o envio de um porta-aviões nuclear aos mares próximos da península da Coreia e afirmou estar disposto a atacar militarmente a Coreia do Norte em resposta aos seus testes armamentistas. A previsão é de que o porta-aviões USS Carl Vinson se aproxime da Coreia juntamente com sua frota de ataque no final desta semana para realizar manobras com o auxílio de forças do Japão e da Coreia do Sul.

O governo sul-coreano já confirmou que o USS Michigan, um submarino norte-americano armado com mísseis balísticos, chegou ao mar da Coreia do Sul nessa terça-feira (25). Enquanto isso, Kim Jong-Un ordenou o maior exercício de artilharia da história do país, disparando entre 300 a 400 unidades de artilharia perto da cidade portuária de Wonsan, na costa leste da península, exercício que serviu para marcar o 85º aniversário da criação do exército norte-coreano.

 

Tensão na Comunidade Internacional

 

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Coreia do Sul, Japão e EUA discutiram a questão nesta terça-feira.

 

Longe de recuar em seus projetos, a Coreia do Norte segue desafiando as sanções das Nações Unidas e causando preocupação na Coreia do Sul, no Japão e principalmente nos Estados Unidos.

Enviados dos três países se reuniram em Tóquio nesta terça-feira para discutir a questão e procurar soluções. O sul-coreano Kim Hong-kyun, o japonês Kenji Kanasugi e o americano Joseph Yun concordaram em “coordenar todas as ações diplomáticas, militares e econômicas” frente à Coreia do Norte, pediram “contenção” para evitar uma escalada militar e apostaram em “incrementar o poder de dissuasão” frente ao regime de Kim Jong-Un. Os três países discutiram, também, a possibilidade de “empreender ações punitivas” contra a Coreia do Norte, caso este país “faça novas provocações”, informou o representante sul-coreano.

Mas, acima de tudo, Coreia do Sul, Japão e Estados Unidos apelaram ao governo chinês que utilizasse sua influência para tentar conter os planos de expansão do programa nuclear norte-coreano sem que Estados Unidos e Coreia do Sul precisassem atacar o país militarmente.

 

O papel da China nas negociações

 

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Xi Jinping garantiu a Trump ser contra os planos norte-coreanos.

 

A China é o principal parceiro diplomático e comercial da Coreia do Norte e o país com maior influência sobre este. Desse modo, as cobranças de um posicionamento mais assertivo sobre a questão neste momento delicado estão cada vez mais frequentes.

Washington já havia cobrado diversas vezes de Pequim uma maior pressão diplomática sobre a Coreia do Norte e uma aplicação mais severa das sanções da ONU.  A Xinhua News Agency informou que, durante a recente conversa do presidente da China com Trump, Xi Jinping confirmou que a China se opõe a ações que vão contra a linha do Conselho de Segurança da ONU. O interesse do governo chinês é de mitigar o conflito, afim de manter a estabilidade e paz na Península Coreana e  deverá apoiar a decisão da maioria dos países no Conselho de Segurança, caso decidam por reforçar as sanções à Coreia do Norte.

Até o momento, a China tem tentado aliviar a tensão entre Washington e Pyongyang. Nessa semana, enviou a Tóquio o diplomata Wu Dawei para participar de discussões com representantes do governo japonês, da Coreia do Sul e dos EUA, com o objetivo principal de evitar o confronto armado.

Apesar disso, especialistas tem apontado que a influência da China sobre toda a situação é muito limitada. “Os EUA esperam que a China possa ser um mágico a gerir a atividade nuclear de Pyongyang, enquanto Pyongyang espera que Pequim faça pressão contra a ameaça de guerra dos EUA e da Coreia do Sul. No final, a China não poderá contentar totalmente nenhum dos lados”, disse o jornal Global Times.

Resta agora saber se Xi Jinping terá, de fato, influência suficiente para que um dos lados recue, ou se o governo de Kim Jong-Un e Trump manterão suas ameaças independentemente da pressão chinesa.

 

Por Laís Barbosa, diretamente de Marília, SP, Brasil 

 

Fontes: BBC, CNN, Estadão, Exame, G1, The Guardian, The New York Times

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