Outubro 30 2018

Ponte marítima na China é a maior do mundo ligando Hong Kong, Macau e Zhuhai

Posted by Victor Fumoto

A China sempre foi um país marcado por construções monstruosas como a ponte de vidro mais comprida do mundo no parque de Zhangjiajie, a ponte mais alta do mundo ligando as províncias de Yunnan e Guizhou e a hidrelétrica das Três Gargantas. Desde 2011 também,  construiu a ponte mais extensa do mundo chamada Danyang-Kunshan.

Nesta semana foi inaugurada a maior ponte marítima do mundo

 

China já tem o recorde da ponte mais extensa do mundo

O governo chinês inaugurou nesta semana (22) a maior ponte marítima do mundo que permite ligar, a ilha de Lantau, em Hong Kong, à antiga colônia portuguesa de Macau e também a cidade de Zhuha, na província de Cantão, que faz parte da China Continental. A ponte tem 55 quilômetros de comprimento tendo até mesmo um túnel de 6,7 quilômetros, perpassando o Delta do Rio das Pérolas. O trajeto que antes era feito de carro em cerca de 4 horas vai ser feito em 45 minutos.

 

As mudanças econômicas justificam a construção dessas obras.

A China tem promovido políticas para mudar seu modelo de crescimento tradicional fixado naquela ideia  de desenvolver uma produção através de mão-de-obra barata para outro modelo que seja liderado por inovação e desenvolvimento de fato. Nesse sentido, a urbanização é fundamental para que isso ocorra, já que poucas cidades chinesas como as megacidades têm uma taxa de urbanização boa, enquanto a maioria fica sequer perto do padrão mundial, acarretando numa desigualdade social muito grande.

 

A construção da maior ponte marítima do mundo começou em 2009

 

Como uma das formas para essa nova gestão, a China buscou desenvolver essas outras cidades secundárias, adotando uma série de políticas econômicas desenvolvimentistas como o projeto da Grande Baía que desenvolveu a ponte que engloba onze cidades, acarretando em mudanças a cerca de 75 milhões de habitantes juntamente com as duas regiões administrativas especiais (Hong Kong e Macau). Essas regiões têm uma política diferente da China por serem antigas colônias, tendo um chefe de governo executivo como chefe de região e um chefe de governo. Além disso, a autonomia é muito grande já que as duas regiões são responsáveis por todas as questões locais e econômicas como o seu próprio poder judiciário, políticas, moedas e processos de extradição, excluindo apenas questões militares e de política externa.

Em relação a sua economia, pode se notar que o PIB da Grande Baía quase dobrou nos últimos anos tendo em vista as mudanças nas políticas chinesas. Agora com a ponte Hong Kong-Macau-Zhuhai, o crescimento tende a alavancar e crescer cada vez mais porque vai facilitar muito o transporte, barateá-lo e trazer lucros para as empresas e cidades envolvidas.

Por outro lado, a questão que preocupa a todos é a posição da China sobre a burocracia para o deslocamento na ponte, tendo em vista que o trecho principal está sob a sua jurisdição e que os habitantes de Hong Kong, por terem seu próprio chefe de governo que é selecionado por um Comitê de Seleção e terem seu próprio poder judiciário como dito antes, não seguem as leis diretamente do governo chinês. Segundo o que foi divulgado até então, serão necessárias autorizações oficiais para transitar na ponte, e essas envolvem aspectos como ocupar postos oficiais na China ou ter feito doações a organizações de caridade em Cantão. De certa forma, essa burocracia acaba dificultando um pouco o que havia sido apontado antes em relação ao crescimento econômico, que pode ser muito mais brando do que o previsto.

 

Mapa do trajeto da maior ponte marítima do mundo, na China

 

A obra começou em 2009 e custou cerca de 20 bilhões de dólares para a China, devido aos casos de superfaturamento, corrupção e a segurança feita para suportar mudanças climáticas como terremotos e também supertufões. Foram recebidas muitas críticas após a inauguração de diversos âmbitos da sociedade. No que tange aos gastos, não foram divulgadas informações concretas de como ocorreram os casos de superfaturamento e de corrupção, mas só a ponte principal custou 6,92 bilhões de dólares e a obra que tinha previsão de ser encerrada em 2016, se estendeu até este ano.

No âmbito social, o projeto faraônico teve cerca de 300 acidentes e 18 mortes de trabalhadores, causando muitos problemas. No aspecto ambiental, a construção provocou muitas mudanças em relação à vida marinha, causando danos, pois a ponte tem até mesmo um túnel. Outro ponto levantado pela mídia internacional foi de que esta a obra chinesa serviria apenas para mostrar seu poder econômico já que os passageiros tinham outras formas de acessar também rapidamente a região chinesa, não interferindo na economia como o esperado e proposto.

Tendo em vista as políticas mencionadas, podemos levar em conta outras medidas que a China tem tomado que segue o mesmo sentido da construção da ponte marítima, como a construção da nova linha de trem de alta velocidade entre Cantão e Hong Kong, que mostra o estreitamento da relação chinesa com a antiga colônia, na intenção de desenvolvimento econômico, político e até mesmo jurídico, já que foram aplicadas leis chinesas no território semiautônomo.

 

Fontes: Folha, UOL, Exame

Por Barbara Pompei Corcioli, diretamente de Marília – SP, Brasil.

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